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Ato de constrição

Sentada naquele banco de igreja, foi ali que consegui lembrar claramente das tuas feições. Como uma garotinha com um pincel mais grande que sua mão, eu fechei meus olhos e fui contornando tua imagem na minha mente. O teu maxilar bem moldado, o queixo fino, o lábio macio, as sobrancelhas largas e os olhos gentis e desconfiados. Me surpreendi, por que ás vezes julgava não conseguir mais lembrar de ti. Forcei minha mente e vi você sorrindo, pequenos vincos se formando próximo aos olhos. Esse foi um momento que fez meu organismo se contorcer e relaxar ao mesmo tempo.
Ultimamente venho percebido muito do que eu errei, muito do que deixei escapar entre os meus dedos. E uma parte de mim se arrepende pela falta de controle, de insistência. Uma parte de mim queria permanecer, lutar, construir, fortificar, resistir. Essa parte foi a que aprendeu que só o amor não basta, é preciso construir a relação. Escolher o parceiro dia após dia, sempre e sempre.
E existe aqui, o outro pedaço. Aquele que quis ir embora. Como um pássaro que estava se sentindo claustrofóbico dentro da gaiola, por que parecia que estava deixando de ser o que sempre quis. O que nasceu para ser. A parte de mim que estava sendo subjugada, esquecida. Por mim mesma.
Só o que conseguir pensar foi
Desculpa.
Desculpa por não ter sido a melhor do mundo para você.
Desculpa pelos momentos em que errei e exagerei e fiquei cega e tola com meus próprios problemas.
Desculpa se eu te machuquei.
Eu também me feri, mais que tudo depois que já tinha acabado e ouvi você dizer ¨acho que você tinha razão, não era amor¨.
Promessas falsas e uma esperança morta.
Eu aprendi a ser mais forte com tudo isso.
Aprendi que devemos ser claros, aprendi que devemos tentar conseguir as respostas que queremos, não esperar mais no tempo.
O tempo tem mais o que fazer do que colocar o relógio para despertar em tal dia e pensar ¨Hum, hoje é dia de dar um esclarecimento para aquele homem. Aquela garota estava esperando, esse tempo todo, uma resposta positiva¨.
Mas nem sempre a vida é como as histórias de amor que lemos por ai. Pra falara a verdade, quase nunca é.
E ter aprendido tudo isso não significa que terei você de volta. Ou que poderemos retomar de onde paramos. Por que a vida não para, ela segue seu curso. E nossos barcos estão longes demais, um do outro.
De tudo isso, o que vou levar é essa fotografia que tirei com a minha alma. O pôr do sol contra o seu rosto, o vento levando meus cabelos ao teu encontro e você me olhando com tanto amor que até hoje não consigo esquecer.
Nós nos perdemos, mas eu sempre terei esse momento ao fechar meus olhos.
Kalimera Savage
Enviado por Kalimera Savage em 06/07/2019
Reeditado em 09/07/2019
Código do texto: T6689747
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Kalimera Savage
Caxias do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil, 22 anos
52 textos (617 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/10/19 11:03)
Kalimera Savage