Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Poeticamente Morta

Estou onde me cabe!
E não me excederei, por não querer e nem poder, sendo mais por não poder... Enfim
Estive bem perto dos portais infernais, senti o hálito das chamas, ouvi os gritos dilacerantes das almas condenadas. Que dor profunda eu senti quando percebi que o maior desafio não seria aceitar a sua partida, mas sim quando nasceu em mim a necessidade de eu sair de você.
 Aquela mulher morreu, foi assassinada. Foi assim que vi isso tudo... Uma triste morte, tipo mortes inesperadas, de acidente, alguém jovem, na flor da vida, ou como nesse caso, um assassinato frio a queima roupa. Havia um amor, dois corações e uma arma mortal, na sua mão esquerda, e você disparou. Você não se importou com nada, além de você mesmo, sequer me deu chance de defesa.
Parecia 10 mil anos sem o sol dar o ar da graça, e como tudo que é vivo necessita dos raios solares, padeceu tudo que era vivo, rapidamente. Ah como chorei, implorei por ajuda, vi mãos sinceras segurando as minhas, abraços profundos que foram me atando por dentro. Mas eu sabia que somente eu poderia fazer com que meu espírito reencarnasse em mim outra vez, renascer das cinzas, como sempre fiz, por mais difícil que fosse de assim fazer. Não era a primeira vez que você havia largado tudo, saído e deixado a porta aberta, na verdade não entendo porque eu acreditei que dessa vez seria diferente... Me deixou sozinha, mas não vou permanecer nessa condição. Eu realmente ainda não entendo esse amor que diz sentir, de verdade, acho que sequer existe, porque amor, pelo menos o que ouço falar, não é esse que é deixado de lado, por crises de existencialismo, exatamente, eu não acho que seja um chamado, como você afirmou. Eu não quero que se preocupe com os talvez, apesar de eu acreditar em equívocos sobre a sua posição, eu não irei pedir um regresso, fiz isso apenas uma vez, já sei que a resposta era um: Não. E não preciso ouvir duas vezes sobre a sua decisão. Você é bem mais inconstante que eu e agora sou eu que não posso mais me arriscar, não farei isso, por mim e por quem depende de mim, eu quis o melhor para nós, estive com você, mesmo vendo que não me cabia. É tão difícil te compreender... Tentei, mas desisti. Você falou que um dia me diria o que aconteceu, e eu não quero. Preciso te deixar aonde você quis ficar, e não posso ficar voltando para te ouvir, para falar, para te ver... Eu amo você, é como ainda sinto, se for amor de verdade o tempo vai provar, mas de uma coisa eu tenho confirmado e reafirmado, você não sente nada que chegue perto do amor, por mim, foi embora, para quem diz que gosta de cumprir a palavra, você foi errôneo, comigo, com a mulher que se fez tua, nas facetas divisionais de corpo, alma e espírito, você conhece a geografia do meu corpo, como eu conheço a do seu, aprendi a perceber até as pequenas coisas sobre você, como discernir a sua respiração quando dormia quando estávamos assistindo algo na Netflix. Eu não quero mais reclamar de nada, não quero mexer em armários do passado, não quero nem pensar nisso. Enfim, você diz que sua viagem tá começando, mas eu já parti, e estou muito, muito longe. Para você, poeticamente, estou morta. Me enterre, e peço que não venha ao meu túmulo deixar rosas, é contraditório o meu próprio assassino fazer isso.

"Subjulgaria o mundo"
"Por nada nesse mundo vou desistir de você"
"Casa comigo?"
""""""""Eu amo você"""""""""
Sâmya Costa
Enviado por Sâmya Costa em 11/10/2018
Código do texto: T6473789
Classificação de conteúdo: seguro


Comentários

Sobre a autora
Sâmya Costa
Campina Grande - Paraíba - Brasil
154 textos (10074 leituras)
2 áudios (330 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/08/20 10:18)
Sâmya Costa