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ALGUIDAR E QUARTINHA: CABEÇA E CORPO
 



O alguidar (espécie de prato fundo de barro) é a representação de nossa cabeça, e cabeça é chamada de Orí, em yorubá. O Orí tem duas partes: o Orí Odé e o Orí Inú. A primeira parte representa a própria cabeça física, e a segunda a parcela espiritual, centro de nossa essência espiritual, e é essa essência interna. O barro do alguidar representa nossa cabeça física e o que vai sobre ele, as comidas-de-santo/oferendas, representam a nossa cabeça espiritual, e identifica essa parte.
 
Acredita-se que o Orí Inú está todo tempo conectado com o òrun, que é o lado espiritual, o além, o infinito, o outro lado, o depois, onde habitam nossos orixás e ancestrais. Da mesma forma, se crê que o nosso Orí Odé, que está conectado com o Aiyê, com o plano material, onde vivemos e determinamos nosso caminho por meio de nossas escolhas, deve estar o máximo possível alinhado a nossa parte espiritual (Orí Inú), e para isso serve os alguidares e as comidas  que nele são colocados.
 
Óbvio, não somos ingênuos, sabemos que o alinhamento definitivo entre as duas partes da cabeça se dá no processo iniciático, onde temos alguns ritos que fazem parte de tal processo, como o eborí, que é um rito de alimentar a cabeça de forma direta. Entretanto, o uso dos alguidares e da busca de firmeza para a nossa cabeça pode se dar em qualquer momento, embora não substitua a iniciação.
 
A quartinha representa o nosso próprio corpo, e esse simbolismo é bem reforçado quanto utilizamos as quartinhas de barro, pois o barro está muito ligado a terra, a nossa origem, ao nosso corpo físico. O liquido que está dentro da quartinha representa o nosso espírito. Assim, evidente que o uso das quartinhas se dão para tratar o próprio corpo da pessoa, para manter equilibrada a sua essência espiritual. Não faz sentido termos uma quartinha vazia, pois o justo alinhamento entre o nosso corpo físico e o espiritual depende da interação entre os dois lados por meio, justamente, do que colocamos dentro dela.
 
Quem não entende o uso da quartinha e do alguidar acham que são apenas louças com pouca utilidade, mas estão muitíssimo enganados, pois as duas peças tem um sentido profundo e um uso indispensável para quem é do culto de orixás, independentemente da religião que professe. Assim, não menosprezemos as recomendações, sejam de quem forem, para que tenhamos a nossa quartinha e alguidar pessoal, pois, quando há essa recomendação o que se está, de fato recomendado, é que nós cuidemos de nós mesmos, e está aí um excelente início, nos colocarmos, por meio da quartinha e do alguidar, em nossas próprias mãos.
 
PAI JADER DE XANGÔ – SACERDOTE DE UMBANDA E DIRIGENTE DO PRIMADO 07 COVAS DO BRASIL – TEMPLO ESCOLA DE UMBANDA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda
Enviado por Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda em 14/09/2018
Código do texto: T6448334
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Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda
Porto Velho - Rondônia - Brasil
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