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Desenhos de borboletas e um balão em forma de coração sobe ao céu após a morte de pessoas que amamos. TRÊS LONGOS MESES – o lugar do idoso em memórias de família

Pseudônimo: Ed Bonim – autora da história real.
– minha aluna dedicada e um exemplo de disciplina e dedicação.  10/08/12
Era por volta de 18 h quando nossa família recebeu a ligação sobre a saúde de meu pai, disse-me minha mãe.
Ele estava com câncer. O médico estima apenas um mês de vida. A filha estava emocionalmente abalada com a notícia.
– Como um médico pode definir o tempo de vida de uma pessoa?
Naquela noite, a minha mãe não dormiu. Passou conversando pesado com Deus.
- A vida está nas mãos de Deus e Ele a conduz como quiser.
Quando amanheceu minha mãe nos levou à escola e depois foi visitar seu pai.
Assim que o viu, sentiu-se tocada! Ele estava entubado e a sonda ira ao estômago. Estava triste no que via. Por isso, pensou; “Ele tem uma saúde de ferro. Vivia em seu rancho e íamos pouco vê-lo. Isso parece um triste sonho, um pesadelo. Mas, agora é ficar perto dele...”
Ainda meditava, “meu marido entenderá minha vida aqui com meu pai. Deixarei tudo para cuidar dele. Eu o levarei para o CECAM – acompanharei as quimioterapias.”
- Vá, minha filha, para sua casa! Disse o pai doente.
- O pai ficar aqui com o senhor é uma honra para mim. Deste modo a filha mostrava-lhe confiança e esperança de dias melhores através de seus serviços e presença constante.
Infelizmente na casa do bom velho, os filhos adiavam a ida ao hospital e não se dispuseram acompanhar na internação do pai. Um jogava ou empurrava para o outro a obrigação de filho. Pelo menos, não diziam abertamente e nem no rosto do velho pai.
Cansada já, a filha deixou o pai na responsabilidade de um dos filhos. Ela precisava descansar um pouco... Tomar banho e rever o lar.
Mas, lá chegando de novo, viu o pai sozinho! Aquilo foi um misto de revolta, sofrimento, angústia e decepção. O próprio filho se ausentara! Por quê?
- Mas, o pai disse que havia mandado o filho embora! E a filha, diante disso, se manteve em silêncio.
E, no dia seguinte, o pai teve alta hospitalar. E a filha pediu que ele ficasse em sua casa.
E , assim, o pai escusou-se: - Filha, não leve a mal, prefiro ir para minha casa.
Em sua casa, dirigiu-se ao seu quarto, que ficava fora no pátio. Ao entrar nele, chamou a mãe e falou que ele ficaria dentro da casa. Todos sabiam que o pai ficara 30 anos no quarto de fora. Ninguém nunca ligou para isso, aceitaram compulsoriamente. Nem passaram pano no quarto dele. Sua mãe abaixou a cabeça e saiu da sala.
De dia, a filha e o pai brincavam  e conversavam. À noite, ele se sentia deprimido, pois sua esposa ficava com medo e nojo dele. Nem dormiam juntos!
Com o tempo, a filha ouvia de seu marido:
- Não dá, mulher, só você faz sua parte. E os outros?
E a filha continuou sua ação e agora viajava a Piracicaba para conseguir doação e remédios.
E mais tarde, os filhos fugiam do pai. E o pai perguntava pelos filhos. E ele preferia o silêncio e desdobrava em atenção ao velho pai.
Dias sofridos passaram, muitos e tensos, até que a filha resolveu e pediu ao marido para levar para sua casa o velho pai canceroso.
Bons dias se passaram em nosso lar. Minha mãe era o anjo em forma de pessoa para consolar meu avô.
 Os potes de medicação custavam mais de 150 reais. Agora seriam de graça. Aquilo foi tão bom para todos nós. Ele ficava em torno de 15 dias sem ir ao hospital com a medicação aplicada em casa de minha mãe.
Contudo, ao amanhecer certo dia, ele pediu que o levasse para o hospital, que ele não estava mais aguentando de dores.
Chamamos a ambulância! No hospital da cidade, ele foi transferido para Piracicaba.
E, no dia 27/11/2008, no dia do aniversário da minha mãe, sua filha, eles brincaram tanto, riram demais. E foi bem nesse dia que a enfermeira entrou e disse:
- Seu pai vai para a sala de cirurgia. Foi lá que seu pai sofreu muito e não aquentou...
Essa historia é real! Aconteceu em minha família! A filha foi exemplar e tenho orgulho de ter minha mãe assim. Meu avô teve a graça de uma boa morte e acompanhado pela presença de minha doce mãe. A morte foi no dia de seu aniversário: tiveram ótimos momentos nos dias derradeiros.

Pseudônimo: Ed Bonim – autora da história real. – minha aluna dedicada e um exemplo de disciplina e dedicação. 10/08/12
Enviado por J B Pereira em 25/01/2013
Reeditado em 26/01/2013
Código do texto: T4104498
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
J B Pereira
Piracicaba - São Paulo - Brasil
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J B Pereira