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O comilão

Papai (1921-2016), já na idade mais avançada, tornou-se ainda mais fã duma piadinha. Gostava também das charadas novíssimas e dos causos. Gostava de conversar, enfim.

Uma de suas mais recorrentes contações era a de um índivíduo que mantinha um restaurante popular e que, naturalmente, tinha sempre um olho no prato e outro no caixa. E não haviam ainda inventado a tal comida a quilo. Comia-se daquilo sim que era servido  em travessas grandes e pronto. O preço da refeição era fixo.

Duma feita notou, um senhor que, desacompanhado, comia vorazmente. E pensou numa providência eficaz para dar cabo aquela farra, senão, estava quebrado.

No passo seguinte estava sentado à mesa, defronte o comilão. Simulando comer também, num pratinho bem raso, foi direto ao seu plano de puxar conversa e ver se o distraía...

E sapecou a pergunta, que normalmente se responde com exposição de fato, idéias e comentários, ou outra pergunta:

 - O senhor tem pai?

E a resposta, seca e objetiva demais:

 - Nem mãe...!

Mais uma tentativa:

 - De que morreram?

A resposta:

 - De repente!

E mais uma:

 - O senhor veio à cidade a passeio, ou a negócio...

E o que fez nosso inquisidor desistir de prosseguir:

 - Ambos...
Paulo Miranda
Enviado por Paulo Miranda em 13/08/2019
Código do texto: T6719647
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Sobre o autor
Paulo Miranda
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Paulo Miranda