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AUGUSTO CÉSAR SANTOS (O FRANGO VELOZ)

A HISTÓRIA PEDE PASSAGEM COM AUGUSTO CÉSAR, “O FRANGO VELOZ”!

Por: Armando F. Filho
E-mail: armandinhoff@hotmail.com

“Eu vi um menino correndo, eu vi o tempo brincando ao redor do caminho daquele menino”.

Vencer as distâncias das pistas de corrida e as dificuldades impostas pela vida, quando se almeja o sucesso profissional; Romper a barreira do tempo, ultrapassar os limites do corpo, alcançar o melhor tempo de um atleta e voar nas raias do Atletismo brasileiro e mundial, como se fosse um pássaro, que mesmo sabendo que existe um limite, buscou ignorar essa ideia ultrapassando os seus próprios limites.

Augusto César Oliveira Santos é filho de Augusto Santos e Marinalva Santos, nasceu em 13 de outubro de 1972, casado com Patrícia Rodrigues e pai de Rebeca Rodrigues, viveu toda a sua adolescência e juventude no Conjunto Augusto Franco. Estudou no Colégio Francisco Portugal, e aqui, por conta própria iniciou os seus primeiros passos no atletismo, treinando nas ruas e campos de areia do bairro, á época únicos lugares disponíveis para realizar as corridas de longa e curta distancia. Pintor de automóvel da Empresa União Veículos, trabalhou por alguns anos nesta profissão, até participar da 5ª Olimpíada Nacional do SESI em 1995, na cidade de São Paulo, onde venceu as provas de 100 e 200m rasos, e logo foi convidado a se profissionalizar no atletismo. A partir do momento que Augusto César mostrou o seu potencial nas pistas passou a treinar com o caça talentos Jaime Madureira, e com este melhorou os resultados nas corridas, sendo convidado pela confederação carioca de atletismo para ingressar no Clube Arpoador Rio em 1996.

Um dos detalhes mais importante dessa história, é que Augusto César sempre se dedicou a corridas de longa distancia, e aqui na comunidade, juntamente com o seu pai Augusto e alguns amigos formaram a equipe Garra, especifica para realizar corridas de rua. Juntamente com esse grupo, ele encontrava o ritmo e incentivo que alimentava ainda mais a sua paixão pelo Atletismo. A partir do seu desempenho na olimpíada do SESI, Augusto César pediu dispensa da União Veículos para se dedicar exclusivamente ao esporte. Naquele momento, essa decisão recebeu o apoio da família, e logo que chegou ao Rio de Janeiro recebeu o convite para treinar nos Estados Unidos, juntamente com Carlos Alberto Cavaleiro, na época, técnico de Robson Caetano, com o objetivo do aperfeiçoamento profissional e lapidação do seu tempo nas pistas. Após uma temporada nos EUA, Augusto César foi convidado pelo Flamengo para competir por uma temporada, e a partir desse momento surgiu o convite para o Clube Vasco da Gama, que o acolheu e ofereceu toda a estrutura que um atleta de alto nível merece ter.

Dono de um tempo cravado em 10’42, nos cem metros rasos, Augusto César conquistou o melhor tempo do Brasil, e em 2001 se firmou como o melhor atleta do País em sua categoria e especialidade, nos 100 e 200m rasos, isso disputando provas ao lado de atletas de renome internacional, a exemplo de Robson Caetano, Claudinei Quirino, Vicente Lenilson, André Domingos, Marcelo Brivilati, Fernando Catarino e Joaquim Junior. O nosso Frango Veloz, como era mais conhecido no meio esportivo, nos encheu de orgulho conquistando o terceiro lugar no Campeonato Sul Americano, e em 2001 na Colômbia - Santa Fé de Bogotá logrou êxito e foi o único sergipano brilhando no atletismo internacional, o primeiro representante oriundo da nossa comunidade Augusto franquense. A sua importância para nós torna-se imensurável, pois foram inúmeras medalhas e vitórias, foi através de Augusto César que outros atletas, a exemplo de Antonio Joaquim Junior, Alessandra Matos Joaquim, Daniela Santos, Marcos Silva e Flavio Nunes tiveram a oportunidade de ingressar no atletismo, sobretudo na equipe do Vasco.

Augusto César abriu as portas do atletismo para Sergipe, e foi ele o pioneiro a mostrar que aqui tem potencial no esporte de corrida, atletas capazes de estar de igual para igual com outros do sul do país. Em Aracaju, Augusto César e os amigos Junior calango, Rogério Barhau, Caetano e outros formaram uma equipe para disputar as provas de 4x100 nos campeonatos do Norte/Nordeste, também conseguiram muitas vitórias, como por exemplo, os torneios dos anos de 1996 em Recife, 1997 em São Luiz do Maranhão, 1998 e 1999 em Natal, chegando a defender o Sport Clube do Recife. Cada vez mais, a busca pelo aperfeiçoamento técnico sempre foi à marca registrada de Augusto César, o Frango Veloz.

O Técnico Jaime Madureira, em 2001, disse que Augusto César era uma realidade do Atletismo Brasileiro e dono de uma eficiente técnica em corridas rasas, “ele é o melhor atleta brasileiro da atualidade”. Em seu primeiro campeonato Norte Nordeste, em Recife, Augusto César Venceu as provas dos 100 e 200m rasos, evento que lhe projetou entre os dez primeiros velocistas do Brasil. Segundo a esposa de Augusto César, Patrícia Rodrigues: “ele era muito correto, se preocupava com o que ele fazia, por isso era muito admirado pelos técnicos e outros atletas, o objetivo dele era chegar às olimpíadas de Atlanta e Sidney”. Pelo que ele representou para o atletismo brasileiro, Patrícia prefere que ele seja lembrado com respeito por todos.

Considerado o sucessor de Augusto César nos 100 e 200m rasos, Antonio Joaquim Junior, Campeão Brasileiro em 1999, nos 200m e vice nos 100m, filho do ex-jogador Zuza do Vasco de Sergipe, diz que César foi o seu maior incentivador no esporte, “e foi ele quem me deu a oportunidade de mostrar o meu talento nas pistas, era o meu incentivo e em quem me espelhava como atleta”. E continua afirmando que: “sem ele tudo seria mais difícil para nós no atletismo, e depois da sua morte, quando vi que ele não estava mais ali, vi que não dava mais, sofri e até tentei continuar, mas para mim a perda foi demais”.

Segundo Robson Caetano da Silva, em entrevista por e-mail, nos concedeu o seguinte depoimento:

“Sempre vou me lembrar daquele menino que gostava de Legião urbana e que sonhava com os jogos olímpicos, o Augusto deixou uma saudade muito maior que a própria existência dele e os sinais estão ai mesmo, pois sua família sofreu e sofre até hoje. Passei um período muito agradável com este profissional e devo dizer que era um grande talento do atletismo, para alguns como eu, o Augusto tinha o estilo Frankie Frederiks de correr, pois com o tronco quase ereto ele conseguia fazer ótimos resultados. O atleta foi destituído de sua posição na seleção para dar lugar a outro atleta mais experiente e ao retornar a sua região de origem, o Nordeste, ficou um pouco desmotivado, mas insistia no sonho olímpico. Quero dizer que a comissão técnica na época foi injusta com o atleta, pois ele estava credenciado a fazer parte do time olímpico e foi injustamente sacado da seleção. Um forte abraço do atleta olímpico e amigo do Augusto César, Robson Caetano”.


Augusto César, já como atleta de Cristo, faleceu em 28 de Novembro de 2001. Para a sua família e amigos foi uma perda irreparável; Para o Atletismo Sergipano e Brasileiro uma lacuna desconcertante, após a sua morte o clima da equipe vascaína não permaneceu o mesmo, inclusive o animo do seu sucessor Joaquim Junior, mas a sua marca ficou registrada em nossas vidas, não só como um desportista sergipano que se projetou como um atleta de excelência para o atletismo Brasileiro, mas como filho exemplar, esposo e pai dedicado a sua família, irmão participativo e amigo atencioso, que tinha sempre um olhar alegre e um belo sorriso na face, essa é uma das melhores lembranças que temos de Augusto César, que entre nos viveu, e como era muito chamado pelos amigos Alexandre e Robson Caetano, de Frango Veloz, merece ser sempre lembrado pelo que fez pelo atletismo sergipano e brasileiro, neste caso o Jornal da Memória reconhece e a História pede passagem!


Armandinho Freitas
Enviado por Armandinho Freitas em 06/09/2017
Código do texto: T6106042
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Armandinho Freitas
Aracaju - Sergipe - Brasil
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Armandinho Freitas