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O BAILE DOS AZARADOS

O BAILE DOS AZARADOS

O baile no Céu -- mais um -- estava animado pois Deus, sendo brasileiro, adorava uma farra. Nem no "inferno", digo, n Brasil seria melhor mas o Senhor dos Exércitos já prevenira o porteiro celeste sobre o urubu malandro.
-- "Pedro, olho vivo naquele traste, que vive entrando de graça nas minhas festas, nada de moleza" !
Mal acabara de falar e lá vinha o urubu todo suado e carregando enorme caixa nas costas.
-- "Per'aí, sujeitinho... vais aonde" ?!
-- "Vou só ali no banheiro, volto num instante, "Dom Pedrito" !
-- "Nem pensar, ô figurinha difícil... só pagando" !
-- "Mas, eu 'tô apertado (e cruza as pernas), tenha compaixão" !
-- "São ordens do Chefe, se não pagar ingresso não entra" ! Que raios de caixa é essa, ninguém vem pra baile com isso" ?!
-- "Ah, é o meu "Stradiordinárius", um violoncelo que foi do meu bisavô, está na família há gerações. Vou tocá-lo na Banda do baile hoje, podes crer" !
-- "Como é, doutor Malandro... vais pagar ou vais voltar" ?!
Pagou contrariado e foi pro mictório com a tal caixa. Chegando lá, abriu a caixa, afrouxou as cordas do violoncelo e tirou o sapo "Safado" todo dolorido de dentro dele.
-- "Entramos, Safado, acerte logo as contas, não sei quanto tempo vais ficar no baile... aliás, nem eu" !
-- "Pô, que raios de amigo é esse, que não confia nos outros" ?
-- "Deixe de "papo" e acerte logo o meu, é o trato" !
Saíram juntos do banheiro, o Safado de roupa nova toda camuflada, presente do filho do presidente do lago Paranoá... não deu 15 minutos e os seguranças agarraram o sapo inconveniente, escarrando a toda hora, além de "xavecar" senhoras e senhoritas:
-- "Gostosa, gostosa, gostosa" !
Ao ver o urubu lépido e faceiro, gritou desesperado:
-- "Sai pra lá, Eduardo, nem te conheço" !, resmungou o ururbu.
Jogaram o sapo "na rua", ou melhor, na nuvem mais próxima mas, gordo feito anta, acabou despencando... Pedro informou ao Criador o acontecido, que retrucou:
-- "Veja as fitas de vídeo do banheiro, quero saber como esse cururu nojento entrou no meu baile" !
Viram estupefatos o "arranjo" do Malandro e o Senhor deu ordem para expulsar também o Urubu, que desceu feito um foguete à procura do amigo. Lá pela metade da queda o localizou e cedeu-lhe as costas para amenizar a descida. Em vão, o sapo pesava muito, os 2 iriam morrer se continuassem unidos. Malandro deu uma cambalhota com salto mortal carpado duplo e o Safado saiu das costas do urubu, indo em direção às rochas.
-- "Sai da frente pedra maldita ou te esmigalho" !
-- "Pode vir quente, querido, que eu estou fervendo" !, retrucou a Lava recém-saída de um vulcão em erupção. Safado esborrachou-se nela e foi encoberto por mais lava !
     *****     *****     *****

Quarenta mil anos se passaram, quando cientistas escavando rochas encontraram o fóssil intacto do "Sapus Saphadus" que -- segundo lendas -- falava e assobiava. Foi a descoberta do ano, com reportagens internacionais e laboratórios tentando reproduzir via Biogenética aquele ser mitológico. O presidente do Brasil adotou-o como símbolo, afirmando que lembrava o povo, "sempre de 4" perante o Poder. O dono do terreno onde o acharam, "Zeca Urubu", declarou que teve um sonho na noite anterior e que, nele, um ancestral seu dialogava com o tal sapo.
O local virou espaço de visitação e dizem que quem toca a lava de onde foi retirado começa a falar várias línguas e pode acabar conseguindo emprego em Brasília ou até virar embaixador nos EUA, basta saber coaxar em Inglês... e os milagres não param !
     "NATO" AZEVEDO (em 11/out. 2019, 20hs)
NATO AZEVEDO
Enviado por NATO AZEVEDO em 15/10/2019
Código do texto: T6770492
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
NATO AZEVEDO
Ananindeua - Pará - Brasil, 67 anos
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