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MARIELLE FRANCO E OS IDEAIS DA ESQUERDA CONTEMPORÂNEA

MARIELLE FRANCO E OS IDEAIS DA ESQUERDA CONTEMPORÂNEA - ©Airam Tuzla

"Pessoas sensacionais como Marielle Franco são as que morrem primeiro."

E eis um dos motivos pelos quais muitos hesitam em ter atitude revolucionária: ponderam bastante entre a causa e a vida. É que na maioria das vezes uma torna-se antagônica à outra.

Sabe, há momentos que eu gostaria de resgatar aquela chama que ardia em meu peito quando tinha 17 anos.

É que o tempo passa e, tipo, de lá pra cá surgiu uma falta de conexão muito grande entre os membros do movimento. O narcisismo brotou, floresceu, frutificou. E o sentido puro da causa foi perdendo claramente o seu efeito. Me vi num lugar distante daquele que me encantou ainda na adolescência.

Me perguntas:

- Mudaram totalmente a proposta inicial ou foi outra coisa?

Respondo-te:

- Totalmente não! Mas os fundamentos eram outros...

Não quero ser retrógrado (longe de mim). Porém, quando não havia essa enxurrada de informações que desinformam, os membros do movimento tinham (na minha singela opinião) um apego mais genuíno ao propósito e à própria coletividade.

Hoje, o que se vê, é o objetivo de "aparecer", de ser destaque. Doar-se modo íntegro ficou pra poucos remanescentes.

Sabe, hoje o sentido não é o mesmo!
Antes da esquerda ascender ao poder no Brasil o fundamento era outro. Após viver o poder muita coisa mudou.

Parece nostálgico, mas tenho saudade daquela esquerda que sonhava em mudar o Brasil pela via do movimento popular (antes de ser eleita, é claro).

E se hoje a gente fala alguma coisa, comenta isso aqui entre os membros do movimento revolucionário, eles ainda tendem a nos rotular de "bolsominions camuflados".

Eu não esqueci o que Mano Brown disse no último comício do PT em 2018.

A esquerda precisa voltar às ruas, às favelas, não só pra protestar, mas pra se reconectar com a sociedade que sofre, e sofre muito, exatamente por causa dos vacilos produzidos pela própria esquerda.

Reconectar-se com quem sofre é reconhecer que fizeram merda e que o poder pode ter embaçado a visão - como de fato constatou-se.

Reconhecer que falhamos nos reconcilia com o povo que está ferido; marcado pelas adagas da nossa própria ambição de poder.

Airam Tuzla
Enviado por Airam Tuzla em 13/03/2020
Código do texto: T6887444
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Airam Tuzla
Paço do Lumiar - Maranhão - Brasil, 32 anos
15 textos (237 leituras)
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Airam Tuzla