Moça do sorriso bonito(3)
Agora estão mais íntimos, já foram no cinema assistir Napoleão.
Ela: " Detestei o filme . Achei o Napoleão muito estereotipado. "
Ele: " Concordo com você "
Mais na verdade ele gostou. Adora filme que tem violência. Filme de guerras. Qdo cortaram a cabeça da rainha na guilhotina ele ficou fascinado pela cena.
Mais como falar isto a ela? Ele um químico, empregado de fábrica. Ela uma advogada trabalha em São Paulo - na PGE. Toda intelectualizada, lê filosofia, um tal de Kafka, tem como filosofa preferida uma tal de Hannah Arendt . Na hora não perguntou sobre sigla, vergonha. Depois foi consultar o significado de PGE ( Procuradoria Geral do Estado).
Ele deu o seu ponto de vista sobre o filme. Tentou ser intelectual, mostrar-se integrado nas artes , previamente havia consultado as críticas .Aprendeu a falar o nome do diretor Ridley Scout, aprendeu também a pronunciar o nome do ator que interpretou Napoleão: Phoenix.
Benza Deus este Google!
E ele todo empolgado, se sentindo o " cara" colocou a sua argumentação sobre o filme , as citações do diretor e ator principal.
No final da explanação, viu que não a empolgou. Sentiu-se frustrado. Ela, muito inteligente e sensível captou que ele não estava sendo ele.
Ele tentou um beijo no meio de filme:
" Ela toda delicada o empurou de leve e disse: Quieto , tenha modos, vamos prestar atenção no filme. Não somos mais adolescentes!"
O clima ficou estranho..
Acabou o filme saíram do cinema cada um no seu carro.
Ele frustrado, derrotado foi pra casa.
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Quando chega em casa uma mensagem no seu celular:
" Gostei muito de sair com você. Vamos fazer alguma coisa no final de semana que vem"?
Isto reacendeu a sua chama: é uma chance que ela está me dando. Na próxima vou tentar ser eu mesmo. Nada de ensaios, pesquisas. Falar somente aquilo que o coração mandar.
Não vou perder esta chance: fiquei encantado com aquele sorriso bonito, a franginha do cabelo a lhe cair na testa...