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Outros cronistas V: Mary Fioratti

A secretária executiva bilíngue paulista Mary Fioratti mora desde 1990, com o marido brasileiro, nos Estados Unidos, na cidade de Cincinnati, Ohio. Após participar de sites como Prefácio e Casa da Poesia, em 2006 começou a publicar esporadicamente poemas no site Recanto das Letras, sendo que em junho do ano passado passou a postar com mais regularidade, acrescentando a prosa poética, o conto e a crônica à sua escrita. Sorte nossa, pois neste último gênero literário ela tem se saído muito bem.

Parte de sua produção, muito interessante, fala sobre sua experiência de adaptação nos Estados Unidos - parece que Mary nasceu para escrever esse tipo de texto. A outra parte consiste em temas do cotidiano e reflexões intimistas acerca do mundo e da vida, todas elas com o estilo claro, direto e simples de dar o seu recado, que nunca é simplório. Sobre suas crônicas, diz: "O que publico, nunca penso em primeiro lugar agradar ao público, mas simplesmente é algo meu que nasce, escrevo para mim. (...) Gosto de escrever as experiências que passo, o que sinto, porque sei que alguém nesse mundo já sentiu ou experimentou. Ou talvez vá parar e pensar sobre aquilo".

Verdade, é o que acontece. Vamos a uma de suas crônicas recentes. Para acessar outros textos da autora, vai o link: https://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=5444

Quando a alma descansa
 
A paisagem de inverno desse lado do mundo é tão sem cor e triste que leva muitas pessoas a terem depressão.

E não há nada mais gratificante do que enxergar, nessas manhãs de inverno, o sol entrando pela fresta da janela da sala, invadindo lentamente o carpete, amornando meus móveis e beijando minhas plantas que, altivas, saúdam o Astro Rei.

Quem já viveu quase metade da sua vida no Brasil, com os dias sempre claros e o sol sempre brilhando, tem grande dificuldade de enfrentar essa paisagem cinzenta. Haja imaginação para preencher os dias, tentando olhar tudo que se tem para fazer dentro de casa, testando receitas novas, limpando armários, mudando as coisas de lugar, tirando a poeira até do marido.

Olhando para o outro lado do lago, vejo o rosto das crianças nos vidros de suas salas, com as mãos espalmadas na janela a olhar o sol lá fora, e nas varandas, as cadeiras e mesas são recolhidas. Não há mais os brinquedos, as piscinas improvisadas de plástico, os gritinhos alegres, o latido dos cachorros. Os galhos das árvores secas fazem-me desejar ver as folhas verdinhas crescendo, ouvir o som dos passarinhos, ver os patos voltando depois de suas férias no México ou na Flórida e os gansos bordando o lago, com suas penas brancas e pescoços elegantes, desfilando como modelos bem pagos em passarelas.

Quando os raios amarelos chegarem, a vida estará de volta como uma injeção de adrenalina. Mas aprendi, com o tempo, a contar com minha luz interior e fazê-la brilhar sem esperar o sol para ser feliz.



Texto publicado no site e nas redes sociais do jornal Portal de Notícias: https://www.portaldenoticias.com.br/colunista/53/cronicas-artigos-joao-adolfo-guerreiro/
Mary Fioratti
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 20/01/2021
Reeditado em 20/01/2021
Código do texto: T7164234
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
João Adolfo Guerreiro
Charqueadas - Rio Grande do Sul - Brasil, 52 anos
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João Adolfo Guerreiro

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