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Final de Ano

"A vida quando acaba Cabe em qualquer lugar E a violência travestida Faz seu trottoir"

A gente se conhece por aí, encontra-se, esbarra-se. Mesmo agora, após dez meses de pandemia no Brasil. Nos enxergamos passando pela rua com máscara e distanciamento social, nos vemos nas redes sociais, estamos por aí. Trottoir de pandemia.

Muita gente ficou pelo caminho, pelo canto da calçada, junto ao meio fio. Conheci pessoalmente alguns e lamento por eles, ciclo vital interrompido antes do tempo, lástima, pois 2020 foi um ano onde o inesperado aconteceu. Ele começou na China, em dezembro de 2019, como uma sombra quase imperceptível em nosso Natal e um mau pressentimento no Ano Novo. Será que? Sim. Em março ele já estava definitivamente entre nós e aqui é tão somente mais um lugar do planeta onde ele está. Quantos de nós sentiram insegurança acerca de como estaríamos hoje, dia 31 de dezembro de 2020? De como estariam as nossas pessoas amigas, queridas e amadas? Pois bem, eis-nos no último dia desse ano em que a Estrela de Belém brilhou no céu.

Um vírus perdido "Encontra alguém perdido Encontra abrigo num corpo que passa por ali E estraga tudo Enterra tudo Pá de cal Enterra todos na vala comum de um discurso liberal"

Conheci outros que se safaram, alguns com arranhões, com cortes profundos, com sérias sequelas. Rezei por muita gente. Fiquei feliz por vários, triste por alguns. Lá se vão dez meses e lá se vai o ano hoje, depois da meia-noite. "Quando à meia-noite eu me encontrar Junto a você Algo diferente eu vou sentir". Estarei com você e estarei com Ele. Estarei bem, então. Feliz e agradecido, apesar do que assola o mundo e as pessoas.

Olharei para trás, pelo retrovisor, como nessa foto que achei no trottoir virtual do Facebook, na linha do tempo de uma moça chamada Fran Silveira. Uma imagem inspirada e inspiradora, retrato tirado por quem visivelmente possui "olho bom". Bati a vista nessa imagem e soube no ato: é essa que eu procurava para meu último texto do ano no Portal de Notícias! Dá a dimensão de como eu me sinto sempre que aprecio o entardecer no pátio de casa, com gratidão por mais um dia vivido. E possibilita uma interpretação - não sei se foi a intenção da autora da imagem -, a de que estamos rumo a um novo horizonte, o antigo ficando para trás. Sim, porque intuo que 2021 vai ser um ano melhor que 2020. "Canto que não silencia É onde principia a intuição".

Serão 365 dias nos quais também haverá dificuldade. Aqui na região e no Rio Grande vemos que a situação está inesperadamente mais complicada do que foi no inverno e que os prognósticos para janeiro causam temeridade. O Brasil passa por um repique. Entretanto, sabemos que expectativas quanto ao que está acontecendo são frágeis, visto que algumas não se confirmam para pior, outras se saem muito pior do que o melhor esperado e ainda temos o inusitado surgindo do nada, por vezes. Logo, sei lá, intuo que 2021 será o ano das barreiras serem superadas, completando-se o necessário aprendizado da humanidade na busca da solidariedade e do altruísmo edificantes nesse plano físico. As vacinas já estarão por aí, literalmente semeando esperança benfazeja em nossas veias.

"Esse ano Quero paz no meu coração"

Andar para a frente, sempre, no trottoir. O melhor e o pior da humanidade estão claros como nunca, plenamente visíveis, quase transparentes: a verdade e a farsa, o caminho e o descaminho, o amor e a prostituição. O melhor e o pior em ti, também. Nas pessoas que te cercam. Em todos. E cada um tem o seu trottoir. Para caminhar, para conhecer, para conhecer-se. Sejamos melhores que nós mesmos em 2021, que nossa melhor versão surja.

Saúde, amor e paz para todos no próximo ano. Cuidem-se e fiquem com Deus.
João Adolfo Guerreiro
Enviado por João Adolfo Guerreiro em 31/12/2020
Reeditado em 31/12/2020
Código do texto: T7148176
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
João Adolfo Guerreiro
Charqueadas - Rio Grande do Sul - Brasil, 52 anos
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