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Entre a Serpente e a Estrela


Os versos que compõem a letra  da exuberante "Entre a Serpente e a Estrela", usualmente atribuídos ao compositor  paraibano Zé Ramalho, são da autoria do cantor country George Strait, subtraídos da estonteante canção "Amarillo By Morning".

Trata-se da magnífica versão feita para o português pelo poeta e letrista Aldir Blanc (conhecido parceiro de João Bosco), morto tragicamente pela COVID,  há alguns dias, esquecido pelo grande público e pela mídia especializada.

 
O equívoco quanto à autoria da letra, possivelmente, tenha raízes na autoral e marcante interpretação do cantor paraibano... bem como, por ser muito do seu estilo místico de compor canções dessa natureza.

Na voz gutural do interminável "Bob Dylan Nordestino", a música foi cenário musical do amor visceral dos protagonistas da novela Global "Pedra sobre Pedra", alcançando grande repercussão junto ao público.

Também, foi tema amoroso na novela "O Sétimo Guardião", folhetim marcado por escândalos de traição entre atores do elenco, além de denúncias de fraude no enredo... tornando-se grande fracasso de audiência e  acumulando críticas mordazes da crônica noveleira.

Independente do imbróglio sobre a paternidade do poema,  ou participação em novelas globais, poucas vezes vi uma descrição tão contundente do amor à mulher, construída com enorme simbologia e rara beleza, como nos versos intensos de "Entre a Serpente e a Estrela".

Dos personagens envolvidos na história dessa canção, tenho a dizer:

1- Zé Ramalho é hoje uma, quase, unanimidade na música popular brasileira (MPB). Gravado mais de 270 canções; muitas, temas de novelas globais. Pela famosa revista "Rolling Stone", foi eleito uma das 100 maiores personalidades musical do país, ficando na honrosa 41ª posição.

É a
utor de inúmeras canções místicas ou de natureza autorretrativas, que se tornaram "hits", interpretadas por ele mesmo ou por outros cantores: Sinônimos, Chão de Giz, Avôhai, Mistérios da Meia-Noite, Garoto de Aluguel, Frevo Mulher, Vila do Sossego, Banquete dos Signos, A Terceira Lâmina, A Peleja do Diabo com o Dono do Céu, Admirável Gado Novo, Kryptônia, Vila do Sossego, Eternas Ondas, Táxi Lunar (parceria com Geraldo Azevedo e Alceu Valença)...

Zé Ramalho é um artista eclético, mútiplo e versátil. Ao longo de 40 anos, construiu sua obra bebendo em fontes distintas: na literatura de cordel, nos ritmos nordestinos, no rock, cinema, seriados de TV, nas histórias em quadrinhos, em livros de ficção científica, na bíblia e na mitologia grega.

Seu jeito de cantar é único. Em alguns momentos, como se estivesse narrando uma história em que é o próprio personagem.


Além de cantor e compositor, também é um grande instrumentista e arranjador musical. Primo da cantora Elba Ramalho, foi casado com a cearense Amelinha, intéprete de muitas de suas músicas, em sua primeira fase artística.

Zé Ramalho é um desses artistas atemporais, que não perdem o encanto e a magia nunca!

2- Aldir Blanc é autor de mais de 600 canções, com aproximadamente 50 parceiros. Criou clássicos como "Mestre-sala dos Mares", "O Bêbado e o Equilibrista", "Dois pra Lá, dois pra Cá", "Bala com Bala", "De Frente pro Crime", "Kid Cavaquinho", "Transversal do Tempo", "Coração Agreste", "Catavento e Girassol", "Resposta ao Tempo"...

Foi cronistas de grande sucesso, nas revistas "Pasquim" e "Bundas", assim como assinou colunas prestigiadas em alguns dos principais jornais de sua geração: Jornal do Brasil, O Globo e O Dia.

Deixou a profissão de médico psiquiatra, que dizia não gostar, para viver de música e jornalismo. Vascaíno apaixonado, escreveu o livro "Vasco - a Cruz do Bacalhau".  Era também Salgueirense de raiz.

Aldir foi um boêmio inveterado.  Mas, após acidente de carro (1991), adquiriu fobia social e viveu o resto de seus dias, recluso em seu apartamento, no bairro da Tijuca (Rio de Janeiro).

Considero o carioca Aldir Blanc, dos maiores letristas da MPB... ao lado do piauiense Torquato Neto, do cearense Belchior, do baiano Caetano Veloso e do também carioca Chico Buarque.


3- George Strait é um dos mais populares e consagrados cantor/compósito/produtor da música country americana, em seu estilo mais tradicional.  

Encarna o típico “cowboy americano”, apresentando-se sempre com jaquetas, chapéus, cintos e botas do gênero. Seus shows são apoteóticos, arrastando multidões entre todas as idades.

Ganhador de Grammy, eleito artista da década pela Academia de Música Country (2000), vendeu mais de 100 milhões de discos, tendo colecionado diversos records:   13 álbuns multi-platina, 33 de platina e 38 de ouro.

Seu álbum  “Strait” é o 12º mais vendido nos Estados Unidos, em todos os tempos.  Acumulou um total de 60 hits número 1, nas paradas de música country.

Diante desses números extraordinários, colecioados junto à indústria fonográfica americana, Strait é conhecido como o “Rei do País”.

 
Ao que se sabe, esses três personagens nunca interagiram. No entanto, criaram uma das mais intensas exaltações à "alma da mulher"... a música de George Strait, a personalíssima e encantadora versão de Aldir Blanc, e a primorosa interpretação de Zé Ramalho, afinaram-se em perfeita e singular harmonia, arrebatando a alma e o coração dos amantes.




Entre a Serpente e a Estrela

Há um brilho de faca,
Onde o amor vier,
E ninguém tem o mapa
Da alma da mulher.
Ninguém sai com o coração sem sangrar,
Ao tentar revê-la.
Um ser maravilhoso,
Entre a serpente e a estrela.

Um grande amor do passado se transforma em aversão,
E os dois lado a lado,
Corroem o coração.
Não existe saudade mais cortante,
Que a de um grande amor ausente
Dura feito um diamante
Corta a ilusão da gente

Toco a vida pra frente,
Fingindo não sofrer,
Mas no peito dormente,
Espero um bem querer,
E sei que não será surpresa,
Se o futuro me trouxer
O passado de volta,
No semblante de mulher.


 
Aluízio A C Amorim
Enviado por Aluízio A C Amorim em 10/08/2020
Reeditado em 12/08/2020
Código do texto: T7031296
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Aluízio A C Amorim
Teresina - Piauí - Brasil
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Aluízio A C Amorim