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A lista de “Antes de Partir”

Há um tempo, mandei para os amigos de um grupo do whats um desafio, de fazerem a lista das 10 melhores músicas de todos os tempos. A maioria respondeu, trocamos um monte de e-mails e whats, e depois dessa lista vieram muitas outras, as 10 melhores músicas de MPB, os 5 melhores filmes da vida, até que chegou na lista de 10 coisas para fazer antes de morrer.

Essa, que lembrou o filme Antes de Partir (The Bucket List, com Morgan Freeman e Jack Nicholson), só eu respondi. E depois dela, alguns comentários e a brincadeira acabou. Uma pena, é uma reflexão que todo mundo deveria fazer de vez em quando.

No filme, os personagens tinham doenças terminais e um deles fez a lista. Quando soube que ia morrer em poucos meses, jogou o papel fora. O outro pegou e adicionou seus desejos, que eram bem diferentes, e disse que deviam realizar o que sonhavam. É filme, um era milionário, isso facilitou realizar sonhos bem doidos.

As grandes coisas na vida não se constroem em poucos dias, são projetos que precisam de semanas, meses, anos. É muito difícil se fazer algo assim se não há um sonho, uma motivação para dedicar tempo para isso. E o cotidiano deixa pouco tempo para sonhar. E como muito poucos são milionários, se quiser fazer algo grande sem ser, precisa muitos anos para isso.

A minha lista tinha entre outros, conhecer vários países, participar de uma olimpíada para masters, ir ao cinema todo dia após a aposentadoria, ser um escritor bom e famoso e criar um novo sistema político. Um dos amigos disse que comecei com coisas viáveis com esforço e terminei com a paz na terra.

Com toda certeza muitas das coisas eram bem difíceis mesmo, mas respondi que meu horizonte era o dos mais de 50 anos que ainda pretendo viver. O que é impossível para um projeto de uma vida inteira? Qual o sentido de viver apenas para o dia a dia, sem ter um sonho para perseguir, algo relevante para fazer?

Para quem gosta de quadrinhos, existe um personagem chamado Sandman, do escritor Neil Gailman, que conta as histórias do deus dos sonhos. Em uma delas, “Três setembros e um janeiro”, é a história Joshua Norton, que quis ser imperador dos Estados Unidos. Você consegue imaginar algo mais impossível? Pesquise na internet, a história é baseada num homem real, e que atingiu seu sonho, tornou-se o Imperador Norton I, ao menos na cabeça dele, um mendigo louco que viveu em San Francisco e vivia de vender títulos de doações imperiais para quem desse uma esmola. Esta estória toca num ponto central para mim, que é a importância de ter sonhos para transformar a vida. Não, não estou recomendando o caminho da loucura, penso em coisas mais reais.

Lembro de uma frase daqueles cursos de empresas, “o plano não é nada, planejar é tudo”. Nunca concordei muito com ela, pois se o plano não fosse nada, não mereceria gastar tempo, mas o que concordo é que planejar é essencial para fazer o muito difícil possível, e que o plano não é o único resultado do planejamento, a atividade de planejar em si já traz ganhos. Outra frase, teoricamente de Kissinger, “Se você não sabe onde vai, todos os caminhos o levarão a lugar nenhum”.

Tem uma música chamada Mercy Street, do Peter Gabriel, com um trecho que gosto muito: “all of the buildings, all of those cars, were once just a dream in somebodys head”
(todos os edifícios, todos aqueles carros foram um dia só um sonho na cabeça de alguém). Pense em sua vida e no que realizou. Será que não houve coisas que pareciam impossíveis anos atrás? Pensar agora nos seus sonhos é o primeiro passo para que possam ser mais do que isso um dia.

Se você quer fazer algo de relevante na vida, faça sua lista de desejos e os planos para torná-los realidades. Muitas coisas que parecem impossíveis podem não ser, se dedicar a elas tempo e esforço. Assim como muitas coisas a que você se dedica hoje sem pensar no porquê as faz podem leva-lo onde não quer na sua vida.

Ter uma lista de sonhos e rever de vez em quando pode trazer muitas alegrias, experimente. Na minha lista, no sonho de ser escritor, estou começando agora, mas se tiver ao menos 25 dos anos que ainda quero ter, vou escrever bem melhor. Quem sabe não consigo tocar as pessoas e ser bom e reconhecido? Também escrevo minhas ideias sobre política, hoje podem parecer mais doidas que as de Norton I, com os anos vão se refinar, e quem sabe crio algo de bom e risco outro item da lista?

Ninguém sabe o que o futuro traz. Se eu não realizar minha lista, asseguro que as tentativas que estou fazendo já estão trazendo muita reflexão, momentos bem felizes, o buscar pode ser tão importante quanto efetivamente realizar os sonhos.
Paulo Gussoni
Enviado por Paulo Gussoni em 18/04/2020
Reeditado em 19/04/2020
Código do texto: T6921280
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo Gussoni
Santana de Parnaíba - São Paulo - Brasil
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Paulo Gussoni