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DIÁRIO DE UM EX-MARIDO

Depois de um dia cansativo de serviço, com duas aulas duplas naquele 1º G infernal, percebi quer estava sozinho em casa.
Entrei com o sapato sujo, joguei a camisa suada no sofá e larguei a mochila sobre a mesa e falei bem alto, depois, é claro, de dar uma espiadinha nos quartos para ter certeza de que estava realmente sozinho em casa:
“Hoje, quem manda nesta bodega, sou eu!”
Curiosamente, meu cachorro, um vira-lata, deu um grunhido esquisito. Olhei para ele e percebi um olhar irônico, quase que jocoso, como se ele estivesse me dizendo:
“Vou contar pra ela quando ela chegar da escola!”
Maldito cachorro. Na primeira oportunidade, fiz um lobby e consegui dar o jaguapoca para a nossa lavadeira que morava a uns vinte quilômetros, já na zona rural, apesar de que, na nossa cidade, se você desse um espirro no centro, só o impulso do espirro já empurrava você pra zona rural.
Pois então, meu sossego durou pouco!
Passou uma semana e lá estava o vagabundo latindo no portão, pedindo para que eu o abrisse. Pedindo, não! Mandando que eu abrisse o portão, aquele miserento!
Aturei aquele cachorro por um longo tempo, pois eu sabia que, na próxima vez que eu insistisse para que o cachorro fosse embora, quem seria mandado embora era eu!
Teve uma vez, uma, não, várias, em que eu me enganei. Chegando da escola, sabendo que as meninas estavam em horário de aula, disse bem alto, só pro cachorro ouvir; “Hoje quem manda aqui sou eu!” À queima-roupa, ouvi um resmungo no quarto, aí eu tive que completar:
“Depois de você, depois das meninas, depois do cachorro, depois do gato, depois até daquele sapo enrugado que visita o nosso jardim em dias de chuva!”
Entretanto, fui obediente! Como trabalhava no período vespertino e noturno, sempre ao acordar tinha um jornal escrito a mão colado com um imã na porta da geladeira: “Põe o lixo fora, coloque a roupa na máquina com tanto de sabão em pó e amaciante, cozinhe tanto de arroz, frite bem o bife e faça suco”
 Eu era um excelente cozinheiro, até o dia em que, na pressa, ela não deixou o “cartilha” com as devidas instruções na porta da geladeira. Naquele dia foi salsicha bem fervida, regada  por meio pote de ketchup!
Mas casamento é assim mesmo, tem que haver um revezamento de poder, tipo assim: hoje ela manda e amanhã você obedece, numa análise sintática passando da ativa para a passiva, ou matematicamente falando, ela manda nos dias pares e você obedece nos dias ímpares e, calado, porque no final das contas, desculpe o trocadilho, o X dos problemas sempre vai ser você, como uma incógnita na vida dela!
Entretanto, caberá a você, como marido e homem da casa, dar sempre a última palavra, nem que seja tal como: “Sim, senhora!! Não, senhora! Já vou fazer, senhora!”
Aceite a derrota, pois dói menos! Afinal, moramos em um condomínio e, se você brigar com a síndica, pra quem você vai pedir emprestada a chave do playground depois?
PS.:
ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO, QUALQUER SEMELHANÇA COM FATOS REAIS SERÁ MERA COINCIDÊNCIA!
Jonas De Antino
Enviado por Jonas De Antino em 17/03/2020
Código do texto: T6889747
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Jonas De Antino
Cajati - São Paulo - Brasil, 55 anos
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5 e-livros (117 leituras)
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Jonas De Antino