Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

A história do meu compadre Lima (Reeditado)

                         A história do meu compadre Lima
                                  Jajá de Guaraciaba

          Meu compadre Lima era um pê-eme e tanto! Destacou-se em tantas ocorrências de vulto, que os seus superiores hierárquicos temendo que se excedesse no serviço de patrulhamento e antes que a fama subisse-lhe à cabeça transferiram-no para o setor do serviço médico para trabalhar como motorista de assistência. Lima não gostou da troca de função, mas como era militar teve que obedecer; sujeitou-se à mudança sem contestar. Para não arrefecer o ânimo, conduzia a ambulância sempre com o rádio ligado na faixa 2, a qual difundia as ocorrências policiais. Certa vez, quando transitava pela Avenida Radial Leste, ouviu quando o COPOM, caloroso:
          — Atenção, atenção viaturas da Zona Leste! Três indivíduos acabaram de assaltar um posto de gasolina na Rua Melo Peixoto e balearam o vigia. Fugiram a pé em direção à Radial Leste! Fiquem atentos! Estão fortemente armados!
          No mesmo instante, os três marginais saltaram o muro que divisava a linha férrea com a Avenida pela qual passava a ambulância do Lima. Sem titubear, o meu compadre arremeteu o veículo contra os meliantes obrigando-os a parar e, protegido pela porta, apontou-lhes o “trinta e oito” ordenando que se deitassem, deixassem as armas na calçada e permanecessem com as mãos na cabeça. Cuidadosamente, afastou as automáticas com os pés, recolheu-as do chão e pediu apoio, cujo auxílio chegou rapidamente. Algemaram os fora da lei e os conduziram à Delegacia de Polícia para as providências de praxe.
          Mais uma vez o meu compadre Lima teve que apresentar a ocorrência à Autoridade Policial, pois fora ele que dera voz de prisão àqueles assaltantes, logo, o condutor da ocorrência. Quando os superiores hierárquicos que o transferiram souberam do fato ficaram “uma arara”. Tiveram que, por ordem do Comando da Corporação, reintegrá-lo às fileiras do pelotão da Força Tática.
          Por aqueles dias, chegou à companhia de policiamento uma viatura de pequeno porte, a qual, apelidada de solitária, deveria ser operada apenas por um policial. Adivinha quem foi trabalhar nela?! Acertou. Meu compadre Lima. Após reabastecê-la e prepará-la devidamente para o serviço, pediu um talão de patrulhamento ao Centro de Operações e saiu ufano. Mal partiu para a incumbência o COPOM soou novamente impetuoso:
          — Atenção, atenção viaturas da Zona Leste! Está ocorrendo neste momento um assalto na Casa Lotérica “Não Dá Zebra” aí na Rua Tatuí esquina com a Avenida Azevedo. Viaturas nas proximidades apressem para o local! Fiquem atentos! Indivíduos armados!
          O meu compadre Lima estava a cem metros do local. Corajosamente, parou a viatura a vinte metros donde estava acontecendo o roubo e rendeu dois indivíduos que estavam dentro da loja de costas para a entrada. Mandou que deixassem as armas sobre o balcão, e antes de apanhá-las foi alvejado por trás pelo terceiro bandido que fazia a cobertura dos comparsas. Mesmo gravemente ferido, meu compadre revidou os tiros acertando o agressor com, pelo menos, cinco balaços. Dois, dos três marginais evadiram-se desabaladamente. Ambos foram socorridos ao Hospital Geral do Tatuapé, onde se verificou o óbito do meu compadre Lima e uma cirurgia realizada às pressas salvou a vida do assaltante.
          Fui ao velório e sepultamento do, agora, Cabo Lima, porquanto ele fora promovido por ato de bravura, procedimento este que a minha comadre, esposa dele, sempre critica pois ela acha que a Corporação não deveria homenagear os soldados que por afoiteza não a serve mais.
          Sinto saudades do compadre Lima, pois, além de ele ter sido um policial audacioso era um cara legal. Era muito querido no meio de seus pares. Infelizmente há e ainda hão de surgir muitos pê-emes Lima nas histórias escritas pelas Polícias Militares de todo o Brasil.



Jajá de Guaraciaba
Enviado por Jajá de Guaraciaba em 04/09/2019
Código do texto: T6737075
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Jajá de Guaraciaba
Pilar do Sul - São Paulo - Brasil, 76 anos
706 textos (75479 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 15/10/19 08:14)
Jajá de Guaraciaba