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Corajosos

Organizar os pensamentos tem sido uma tarefa bem difícil esses últimos dias, semanas, meses... Me senti sufocada por diversas vezes, infeliz, cansada, doente. A única coisa que tenho feito é observar, não só por uma vez. Às vezes precisamos nos submeter a viver algumas torturas, direcionar bem os nossos olhos em coisas que nos machuca, reviver sensações que nos dilacera e nos colocar na frente da faca que está pronta para nos matar. É doloroso demais, mas tenho feito exatamente isso todos os dias. Vejo tudo o que me fere, deliberadamente. Dói, e muito, mas também é um choque de realidade. Algo realmente necessário. Um tapa na cara seguido de um: "eu te avisei" que vem do fundo da minha alma. Preciso ver, preciso agir como se estivesse ouvindo tudo. Isso me ajuda a levantar, me ajuda a enxergar como as coisas realmente são, aprender e aceitar que estou no lugar errado, que fiz uma escolha errada, fiz tudo ao contrário do que deveria. Tudo diferente do que eu idealizei... Sofro sim, sangro pelos olhos. Mas tenho sido ensinada a superar, alguns sentimentos que não podem mais existir, não tem causa, não tem razão.
Todos os dias volto ao mesmo lugar, sinto cacos de vidro preso nos meus pés, na minha garganta, nas minhas mãos, dentro de mim... É ridículo o quanto fui enganada, como fui enganada. E o mais irônico é o fato de me sentir inspirada com isso, motivada, tanto ao ponto de já ter dado um ponto final. Ano passado por essa mesma época, mesmo mês, passei por algo que me machucou muito, quase morri de decepção, tentaram me destroçar. Adoeci mental e fisicamente, acredito que quem me feriu não viu que quem estava diante dele, era um ser humano... Por causa de toda a dor que senti, tive fortes crises de ansiedade, comecei a fumar... (Não sei porquê, mas de algum modo me aliviava) eu tremia muito, e não conseguia parar naturalmente, comecei a tomar calmantes para tentar conter o que me afligia. Não sentia vontade de me alimentar, perdi peso, a minha gastrite não me deixava em paz, e somando isso tudo a todo o estresse que sofri, acabou por culminando em uma úlcera gástrica. Foram terríveis momentos de dores. Acredito que nunca na minha vida me senti tão doente. Depois fui percebendo as oportunidades de ser forte que a vida estava me dando, estava diante de mim uma prova que eu deveria superar, cara, foi muito difícil, muito dolorido, mas eu superei, vi o quão forte eu sou apesar de tudo. Todos os dias acordava cedo, ia trabalhar, me sentia tão viva com isso tudo. Conheci novos lugares, realizei desejos, conheci novas pessoas, experiências, e o principal de tudo... As tardes lúdicas ao lado do meu menino. Eu renasci, foi maravilhoso. Decidi colocar um fim no passado e replanejar o meu futuro, estava tudo indo muito bem, aprendi tanta coisa, foi um ótimo momento. E percebi, que para haver uma cura, deve também existir uma enfermidade, para haver momentos de felicidade, deve também existir momentos de pura tristeza, que nos ajude a distinguir um momento do outro, um sentimento do outro. Valorizar! Reconhecer! As vezes é necessário a gente sentir o quão humano somos, sentir o sangue correr pelas veias. Como eu poucas vezes na minha vida, me senti plena.
E nesses últimos tempos aprendi e questiono...
É preciso disposição para amar? Ou o amor por si só se basta?
O amor requer de nós muitas vezes, sacrifícios. Quando realmente se ama alguém é necessário estar pronto para negar muita coisa para manter um amor com saúde. As vezes o preço pela verdade e pela justiça, costuma ser muito alto e isso é algo que deve ser avaliado. O amor é saber que estar sacrificando, e mesmo assim de sentir feliz. É entrega. É vida.
Não se pode dizer que ama, sem ter consciência disso, o amor é para os corajosos e não para os covardes. Mesmo que sofra.
Fui muito corajosa, presumo e por isso passei pelo que passei e descrevi nos primeiros pontos deste texto. Fui duas vezes corajosa e na fraqueza me fiz forte. Sendo que agora, depois de tudo o amor deve ser direcionado mais profundamente para mim mesma, o sacrifício deve ser agora pelo amor que sinto por mim. Essa é uma grande certeza.
Sâmya Costa
Enviado por Sâmya Costa em 05/08/2019
Reeditado em 05/08/2019
Código do texto: T6712902
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Sâmya Costa
Campina Grande - Paraíba - Brasil
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