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“Casa que não entra sol entra o médico “

“Casa que não entra sol entra o médico “
Jajá de Guaraciaba

          Quando eu era menino pequeno lá em Guaraciaba— plagiando o grande humorista Joselino Barbacena— lembro-me quando alguém esquecia de abrir alguma janela o meu vovô Dodô dizia, enfaticamente:
— “Casa que não entra sol entra o médico”!
          Aliás, quase tudo que ele dizia era por meio de provérbios.
          Minha mãe falava, na minha adolescência, que o pai dela era professor lá naqueles confins onde o Judas perdeu as meias porque as botas ele perdeu bem antes, por isso fora criada ouvindo provérbios.
          Meu avô Dodô gostava muito de proverbiar, por isso ensinava os filhos dele por meio de ditados. Ele os empregava de acordo com as circunstâncias. Se ele percebesse que algum filho estivesse andando com más companhias, dizia: “Diga-me com quem tu andas que eu direi quem tu és”. Se percebesse que algum deles quisesse tirar desforra com alguém, ele dizia: “Antes de procurar vingança, cave duas covas”. Se um filho fizesse mau uso do vernáculo e dizia: “Casa de ferreiro, espeto de pau”. Dizia isto porque era apaixonado pela “Flor do Lácio”.
          Hoje, quando me levanto pela manhã, a primeira coisa que eu faço é abrir as janelas, pois não há coisa melhor, neste horário, do que ver os raios solares passear pelos cômodos matando as bactérias da poeira e os ácaros que tanto mal fazem à saúde.
          Muitas coisas eu “herdei” do meu inesquecível vovô Dodô. Uma delas é o amor pela Língua Portuguesa. Não a trato melhor porque a conheci há pouco tempo, visto que concluí o Ensino Médio agora aos sessenta e quatro anos de idade. Se ele estivesse vivo certamente me diria: “Jajá, nunca é tarde para ser feliz”.
          O meu querido amigo e cunhado Lopes, às vezes, fazia eu me lembrar do meu vovô Dodô, pois dizia antes de dar boas risadas: “Quem com o ferro fere com o ferro também será conferido”. Meu cunhado Lopes se foi prematuramente porque era um grande cara e as pessoas melhores não vivem muito. Se o meu avô estivesse vivo talvez diria para consolar-me sobre essa grande perda: “A morte fecha a porta da fama e abre a da inveja”.


Jajá de Guaraciaba
Enviado por Jajá de Guaraciaba em 01/08/2019
Código do texto: T6710289
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Sobre o autor
Jajá de Guaraciaba
Pilar do Sul - São Paulo - Brasil, 76 anos
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Jajá de Guaraciaba