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   Conheci Manoel de Barros esse ano de 2018, confesso envergonhada porque ele é um dos maiores nomes da poesia contemporânea. Eu o conheci por culpa de meu TCC. Nesse trabalho eu devia escolher dois produtos de mídia para trabalhar e um deles eu optei por ensaio fotográfico porque sempre defendi a relação poesia e imagem e com o suporte da mídia isso se torna muito mais dinâmico. Então por acaso descobri o livro de poemas “Ensaios Fotográficos” de Manoel de Barros. Meu Deus era tudo que eu sonhava para meu objetivo de poesia versus imagens.
     Então nos encontramos na Estante virtual, eu e Manoel. Ele desceu da prateleira com aquele sorriso de quem cria metáforas para o mundo. O sorriso de quem deforma o mundo. Tão surreal! Tão infantil! Desceu com ensaios fotográficos nas mãos do tempo e me dizendo: menina se quer conversar comigo, precisa estar desarmada da lógica e aberta às emoções. Quando chegou a minha casa alguns dias depois conversamos longamente sobre essas coisas.
     Então ele veio me ver alguns dias depois me trazendo uma poesia, cuja concepção relacionava o mundo empírico e literatura. Mas de uma forma tão diferente!  Isso é tudo que mais adoro e por isso o recebi com uma alegria estampada no rosto.  Depois nos sentamos longamente bebendo o doce chá de seus versos. A cada gole ele me mostrava seus ensaios fotográficos, por exemplo, as fotografias do silêncio. Ele me disse sorrindo que é difícil fotografar o silêncio, mas que tentou numa madrugada quando sua aldeia estava morta e ninguém passava entre as casas. Nessa madrugada ele fotografou o perfume, o perdão e outras coisas mais.
     Ele me contava tudo isso na sua poesia ali diante de mim. Contou-me, inclusive que assumiu sua entrada no mundo das imagens depois de sua visão da Cordilheira dos Andes.  Foi a primeira vez que ele deformou o mundo, que tirou da natureza suas naturalidades, como afirmou. Foi sua primeira iluminura, dizia ele olhando para mim com seu jeito pantaneiro pós-moderno. Ele sabia que isso me deixava encantada. Aliás, ele me ensinou como deformar o mundo.  Deu-me muitas dicas. Imagine entortar a cordilheira dos Andes, arborizar pássaros, enxergar a costela e o olho do vento, para não dizer outras coisas mais. ... Pois ele conseguiu tudo isso. Ele gostava de subverter o mundo exasperando as críticas literárias. Também adoro isso. Sim, o poeta é subversivo e isso não tem como mudar.
     Manoel de Barros, assim como todo poeta tem certo quê de criança dentro de si: essa maneira de subverter o mundo de uma maneira que deixam as pessoas na dúvida se o poeta não seria um louco. E isso é o máximo porque a realidade é muito dura. Inclusive, Manoel de Barros dizia para sua mãe, quando esta ficava assustada com seus versos “Eu não preciso de fazer razão”. Então é isso, poeta não precisa de razões. É o que ele vê que importa.  A sua imaginação.  Talvez por isso ele tenha dito que “o poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina”. Certamente é isso.
     De qualquer forma apesar de nos termos conhecido muito tarde, sinto que seremos eternos amigos, porque assim como ele, adoro o movimento da poesia entre imagens e palavras.  


 
Imagem eu e Manoel de Barros editada no power Point
PS: caros amigos recantistas, essa é a primeria postagem da série Eu E ELES, um projeto em que falo de meus ídolos poetas e escritores  e minhas relações com eles de um jeito diferente. Eu e minhas invencices. vou postando aos poucos. até mais...





 
Sonia de Fátima Machado Silva e Manoel de Barros
Enviado por Sonia de Fátima Machado Silva em 22/10/2018
Reeditado em 22/10/2018
Código do texto: T6483178
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Sonia de Fátima Machado Silva
Coromandel - Minas Gerais - Brasil, 56 anos
1301 textos (56082 leituras)
13 áudios (654 audições)
2 e-livros (139 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 14/08/20 14:36)
Sonia de Fátima Machado Silva

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