Presenteando

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< No dia de hoje, queria brincar com as palavras, oferecer-te bela poesia e demonstrar o tamanho da minha admiração e do bem querer que tenho por você >.

Quem precisa de versos quando o coração fala? A métrica se esvai, dando lugar ao pulso – é a pulsação das artérias que dá harmonia a cada verso. Eles bailam, ao ritmo das serenatas, criando corações e pulsando compassadamente. Pianíssimo, piano... Depois aceleram – corações multiplicados, emoção.

< Minhas palavras são simples, mas sinceras. Você é especial e pronto! >

Somos especiarias, joias de Séculos passados, moeda e troca, escambo. Escambo? Sim! Trocamos amor por amor – troca justa e desvelada das máscaras das vestes. Simplesmente ousamos e nos desnudamos: eu me doei para você e, em recompensa, tive a honra da nudez de uma mulher linda e de uma fêmea arrebatadora! Quanto custa o nosso amor? Nadinha! É simples demais – mera troca, troca de amores.

< Você conquistou espaço nobre no meu coração e estou feliz pela descoberta. >

Somos descobridores irrecuperáveis! O homem, apesar do medo, adora o prazer da descoberta! Diante do novo, o espanto risonho faz valer a pena qualquer espanto. Assustada? Que bom! Parece que as velas mudaram o rumo e você está se preparando para novos voos... Precisa de companhia?

< Se a vida (Ela é traiçoeira!) nos levar para caminhos diferentes, você será lembrado, com imensurável carinho. >

Quem acredita nos sonhos nunca perde o dom de recordar. Lembra-se do primeiro dia? Prefiro pensar no próximo. Lembra-se das primeiras gargalhadas? Prefiro imaginar os primeiros sussurros, as primeiras declarações ditas ao ouvido... Lembra-se das intervenções de terceiros? Prefiro sonhar com o primeiro toque, o primeiro olhar, a primeira carícia... Lembra-se do futuro? Prefiro o esquecimento do passado, singrando em nossos corações apenas as boas lembranças, a saudade do agora que será passado – já se foi – e acreditar que vai dar certo. Aceita carona? Estou indo para a Felicidade, ao lado da rua ‘A dois’.

< Estamos distantes, é verdade. Às vezes, entretanto, sinto você tão perto – consigo sentir o cheiro da sua pele. Seria tão bom se fosse real! Os cheiros caminham no espaço-tempo, materializam-se... Acredito nisso agora, estou ressignificando tudo, dentro e fora de mim, por nós dois. >

Ressignificar a vida, acreditando na transitoriedade de nós mesmos, evitando as fugas desesperados que o medo nos causa, estrutura-se na resiliência humana. Fomos feitos para o amor e para amar, mas apanhamos. A vida nos bate na cara! As pessoas nos apunhalam... As relações nos aprisionam e sufocam! Tudo, felizmente, é transitório! A dor, portanto, é a porta de entrada por onde decidimos navegar. A lona surrada impõe respeito. Se o tecido novo impressiona pela textura, os retalhos carregam dentro de si o sabor indelével da experimentação. Viver é experimentar. Tente olhar para o horizonte... Sim é o Sol! E o Sol é lindo!

< Fotos, e-mails, telefonemas... Imagens e voz, ilusão ou realidade? Sei lá! Não sei mais de nada! Aliás, sei. Precisamos do encontro, do primeiro toque real! >

As imagens geram saudade e desejo. Viver é ilusão. O contato físico é mera intenção. Afinal, o átomo é imenso vazio! Somos vazios, mas não estamos vazios, posto que a busca e o ímpeto quase insuportável que o sofrimento da espera nos revela, é a certeza de que os inteiros precisam de inteiros – ‘há infinitos maiores que outros infinitos’. Que tal juntar nossas reticências? Ah se as reticências falassem!

< Seremos capazes de confiar o que sentimos apenas à distância? >

Será que a distância nos suportará? Ela tem olhado para mim com receios. Tenho a impressão de dar cansaço! Ela não vai resistir por muito tempo... Vamos, ajude! Grite comigo: ‘Vade retro, distância!’

< Casualmente, jogando conversa fora, num bate papo, ‘aparecemos’. Seria um encontro, existe isso? >

Existe. Lembra-se dos barzinhos? As pessoas se arrumavam, colocavam o melhor perfume e pediam ao acaso: “Sim, acaso, isso mesmo... Mande aquela gata para mim!”. E tem dado certo. Hoje, a gente entra em sites de relacionamentos e pensa da mesma forma: ‘Amiga ‘teia’, livrai-me das serpentes e das aranhas, por favor! Quero aquela gata, a mais linda! Aquela mulher com cheiro de encantamento, livre como as borboletas e que seja pontual... Pontualidade britânica! É o tempo, incorruptível relógio, indecifrável enigma. Quem virá? Não sei! Quem ficará? Quem merecer... Joguei os dados e o acaso me apresentou a você. Quer ficar?

< Encanto, magia. Por trás dessa telinha, muitos sonhos tenho vivido com você. Muitas descobertas! Imagino como é o seu rosto, pronuncio o seu nome... E repito: consigo sentir você – E pode exagerar nesse ‘sentir’ porque é forte e gostoso demais! Arrepiando, pulsante... (Reticências). >

A magia do encanto está no encantar-se. É dual. Quem se aproxima quer descobrir. Quem pede quer dar. Quem recebe deixa... Tudo é troca, escambo! Sem trapaças, entretanto. A reciprocidade do amor, portanto, fura a barreira da telinha – não é mera imagem, reflexo da imaginação. É contato mesmo! Os pais curam os filhos com o toque das mãos... E os amantes se tocam com a ponta dos dedos. Passe a mão na sua telinha agora, passe. Conseguiu sentir a ponta dos meus dedos tocando você? E ainda nos chamam de loucos! Louco é quem não ama. Louco é quem perde a capacidade de entender que o amor não precisa, necessariamente, ser tocado por milhões de átomos vazios que somos – o amor deve ser imaginado e sentido e se manifestar no verbo reflexivo do sonho: Eu sonho – você sonha – nós sonhamos... Poxa, estamos aqui!

< Inicialmente, eram apenas mensagens. Quão lindas eram e são! Enchiam e me enchem de alegria. Chegou o dia, criei coragem e liguei... Ouvi sua voz! Nossa, arrepiei toda. Como poderia? Arrepiei e pronto! >

Inicialmente era o caos. As buscas surgem dos vazios. A materialidade é sucessão de vazios. Por isso buscamos, por isso ansiamos. Completos, mas imperfeitos – a perfeição está na carência, na necessidade que temos de expansão. Tudo finda, nada permanece para sempre. E daí? Não tenho nenhuma vocação suicida – se tiver que morrer, quero morrer de amor, acreditando nos sonhos e no impossível. As probabilidades nos condenariam ao improvável. Dentre bilhões de pessoas, justamente você! Acaso? Não acredito. Essa caixinha chamada surpresa tem algo para nós, algo arrepiante. Sentiu meu beijo? Não! Tentarei novamente... Estou me aproximando, por trás de você. Afastei seus longos cabelos, você declinou, levemente a cabeça para a direita... Estou chegando, a respiração está ofegante. Pronto, mordi seu pescoço, suavemente. Agora sentiu? Arrepiou? Arrepiada? E tem gente que chama isso de loucura! Tenho afinidades incríveis com a loucura e com os loucos!

< Pelo fio, por um fio... Pelo fio pudemos nos ouvir e nos sentir. Por um fio ficou o meu juízo! Ao telefone, lindo amor virtual foi se descortinando, bem devagar, parecendo real. Levarei a lembrança do que senti àquela tarde até minha morte. >

A minha loucura também está por um fio e por fios... Está nos fios dos seus longos cabelos, nos pelos da pele que arrepiam quando sentem o meu toque; e assim, como skin head, arrancarei todos os pelos do meu juízo para sentir você, carequinha! Quero um amor descabelado, poder juntar pelos, ouriçar novelos do amor, sem matar nenhum Minotauro nem saciar completamente nossos desejos – desse poço por onde jorram fluidos de amor e se esvai a explosão dos gemidos, é proibido por lei, cláusula pétrea, nele entrar sem banhar-se de volúpia. Nada de securas – a regra é lubrificar a fonte e gozar a vida, sempre!

Iguatu-CE, 18 de junho de 2014.

13h01min

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Nijair Araújo Pinto
Enviado por Nijair Araújo Pinto em 18/06/2014
Código do texto: T4849448
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