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Memórias de Carnaval

Era verão e estávamos em pleno carnaval. O dia estava tão quente quanto uma sopa de feijão sem sal, que mamãe obrigava-me a tomar no final da tarde, antes de ver os blocos e os conjuntos de bêbados que passavam o dia todo bebendo em botecos e festejando o carnaval; como era engraçado! Mas o dia realmente estava quente, e por volta das duas e quarenta e cinco da tarde eu sai alegre na rua, procurando em meio as velhas casas um pouco de sombra para me deleitar. E nas mãos levava uns cinquenta centavos, para ir a Barraca me deleitar com os melhores bombons que possuía naquele ano...
No meio do caminho, eu encontrei alguns bêbados... Ri muito deles... Estavam  todos melados com maisena e cheirando a ovos, e para piorar gritavam em alta vozes: “ Iolanda, Iolanda”; não sabia quem era Iolanda, mas ninguém nunca me contou... No meio deles, percebi que um era o meu tio, que gritou: “ Vá para casa menino!”
Eu não me aguentei, eu ri dele tanto... E não me importando com a ordem, segue em frente...
Depois no meio do caminho, quase quando eu iria chegando à Barraca; encontrei um bando de Catitas... Meninos que se vestem para conseguir dinheiro fácil, eu morria de medo...  O bando inteiro se aproximou de mim, quando viu a moeda de cinquenta centavos,  não dava para eu correr; então fiquei calmo.
Fui seguindo em frente. E um deles se aproximou de mim, sua roupa era toda colorida, e sua máscara era de fantasma. Ele disse:
- Quero sua moeda!
- Mas ela não é sua, vou comprar meus doces- falei com medo.-
- Então você me dá um doce, e eu mostro o meu rosto!
-Certo!
Comprei os doces, e quando voltei todas as Catitas queriam tomar meus tão gostosos e deliciosos doces. Ela havia me enganado. No final, levaram os meus doces, e eu fiquei sem nada. Como era ruim ser pequeno,  mas ao menos uma coisa eu aprendi: Nunca saia de casa em um dia de calor infernal  e nunca confie em alguém mascarados...
As Catitas foram  comendo os meus doces,  porém mal sabem elas  que eu escondi o melhor doce no meu bolso, então tudo no final deu certo, como deveria ser no começo, menos com o meu tio e seus amigos, que ainda gritavam “Iolanda” e estavam melados! Fora isso o meu doce foi a melhor coisa que comi naquele quente dia de verão e de carnaval...

B H R Vieira
Enviado por B H R Vieira em 09/02/2013
Código do texto: T4131487
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
B H R Vieira
Vicência - Pernambuco - Brasil, 25 anos
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B H R Vieira