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Casamento?


Não, não quero me casar. Por quê? Exatamente porque te amo.
Como assim? Simples. Não quero me prender a promessas vãs, quero continuar ser eu
mesmo, e que tu, meu amor, continues a ser a mesma. Amo-te e sempre vou te amar.
Mas, não é o casamento que faz o amor, e sim o amor que faz o casamento. Jamais
quero fazer algo por impulso e, principalmente, estragar o que é bom. Não estou fugindo
de absolutamente de nada. Só não vejo necessidade alguma, para provar nosso amor,
de testemunhas e registro em cartório, com data e hora marcada.
Daí vem com o roteiro embaixo do braço o mesmo ritual cerimonialista de sempre. A
única coisa que muda são os personagens. Poucos, verdadeiramente poucos, são os
apaixonados, a grande maioria é forçada a este, chamado por muitos, “cerimonial do
amor”. Depois de toda essa cena, quando saem realmente de cena, aí sim, vem a tão
esperada lua de mel. Aliás, nem tão esperada assim, pois o mel já se foi há muito tempo
- ou estou aqui dizendo alguma mentira? É lógico que toda regra tem sua exceção, mas,
nos dias atuais, digo sem medo de errar que são poucos. E mesmo com todas essas
evidências comprovadas, muitos preferem insistir no casamento e suas tradições? São
louváveis aqueles que verdadeiramente seguem, sem exceção alguma, toda essa
tradição.
Não sou contra o casamento, pelo contrário, sou a favor do verdadeiro amor. Por isso
acho que o casamento não é essa fantasia que fazem por aí. Depois que aparece o
bicho papão chamado realidade, caem na real, enxergam a verdade, e se separam.
Casamento para mim, meu amor, é aquele que pode, sim, correr riscos, sofrer perdas,
comidas e voltas sem fim. No final, o que predomina não é aquela união que está lá
registrada por homens, impondo condições e condutas morais que raramente são
seguidas na sociedade. Por isso mesmo, a cada dia que passa,revela-se falho este
sistema implantado, não pelo casamento em si, mas pelo que fazem dele; parece não
ter sentido algum. Por isso, meu amor, sou adepto da união, sim, mas aquela união
verdadeira. Não será um registro em papel e todo aquele teatro sem fim que irão dizer
tudo o que sinto por você. Enfim, o amor é aquilo que, antes mesmo de o homem
registrar em papel a sua comprovação, já existia, e que alguém maior do que todas as
criaturas, em sua visão privilegiada, já o registrara há muito tempo fora dos papéis. É
talvez por falta deste registro material que o homem duvide do amor e, por fim, acaba
fazendo à sua maneira, aquilo que pensa ser o mais correto, como sempre fez. E, como
todos nós já sabemos, nem sempre este pacto termina com um final feliz. Mas é lógico,
como disse antes, que toda regra tem sua exceção. Por isso digo e volto a dizer que já
estamos, meu amor, unidos há tempos e por tamanho amor, casados de fato. E o
melhor de tudo: pelo Senhor registrado e confirmado.
Amo-te, e é por esses motivos que contigo não vou me casar. Por já estarmos casados,
mesmo que não acredites.



Sandro Sansão
Enviado por Sandro Sansão em 17/10/2010
Reeditado em 05/12/2012
Código do texto: T2562326
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Sandro Sansão
Miracatu - São Paulo - Brasil
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