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Velhos tempos

Prefiro fechar os olhos e voltar naquele tempo, onde tudo era perfeito o mundo de faz de contas. Ah que doce lembrança me traz, super heróis e eu naqueles trajes. Vivia feliz sem saber por que, papai e mamãe eram meus ídolos.
Acordava com sorriso no rosto, logo ia escovar os dentes, a mesa do café da manhã posta na cozinha.
E por incrível que pareça, desde cedo já estava àquela vizinha, alias nunca saia de lá.
No bairro passava o jornaleiro bem cedinho, sem contar o leiteiro.
E aquelas senhoras que pareciam nunca ter saído daquele lugar, ficavam em suas cadeiras de balanço pra lá e para cá.
Lembro dos garotos com carinhos de madeira, as meninas com bonecas de pano. Aquilo sim que era brinquedo de verdade.
Soltava pipa por apenas soltar, não tinha essa de um ao outro cortar.  Quanto mais nas alturas ficava era bonito de se ver, efeitos coloridos, rabiólas longas que não davam pra ver.
Subia no pé de goiaba, vivia comendo e vendo os outros passar, nunca me perceberam lá em cima, por outro lado percebia cada coisa, que nem vale apena contar. Mas que é curioso isso é quando os outros pesam que ninguém esta a olhar.
Prefiro fechar os olhos e continuar no tempo. Tempo que sobrava tempo, em fazer o que quiser; quero dizer quando não tinha que cumprir com o dever.
Mesmo assim meus pais não eram rigorosos, meus avôs sim que eram teimosos, diziam que nos tempos deles não era bem assim.
Não vivia em uma vida de luxo, mas luxo quem precisava, quando podia fazer de tudo era tudo que eu precisava, apenas pra crescer e aprender que o tempo de uma criança não se deve perder, principalmente aquela alegria no olhar, satisfação em falar, como eu fui feliz naquele tempo, como fui feliz naquele lugar.
Hoje tudo mudou, não vejo mais crianças correndo nos bosques, subindo em árvores ou empinando pipa, jogando pião, vejo apenas crianças em um farol pedindo moedas em
 Troca do pão nosso de cada dia, que agonia isso me dá.
Esse é um retrato o que se tornou minha cidadezinha, que há muito tempo deixou de ser simples, e com a modernidade, levaram também a inocência daquele lugar.
Quando olho essas coisas, prefiro fechar os olhos e surpreendentemente volto para aquele lugar, saudade dos tempos bons ficaram pra trás, ou melhor, não existem mais.

Sandro Sansão
Enviado por Sandro Sansão em 31/05/2009
Código do texto: T1624555
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Sobre o autor
Sandro Sansão
Miracatu - São Paulo - Brasil
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