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EU GUARDO MUITAS LEMBRANÇAS/DESSA ÉPOCA DE INFÂNCIA

FICHA TÉCNICA

Título
EU GUARDO MUITAS LEMBRANÇAS
DESSA ÉPOCA DE INFÂNCIA

Autora
Alaíde Souza Costa

Estrutura
32 estrofes de 10 versos (DÉCIMAS)

Esquema de rimas
ABBAACCDDC

 Capa
Nonato Araújo

Diagramação
Renilson Lima

Impressão
DATAGRAPH


INTRODUÇÃO


Quem não tem lembranças guardadas dos tempos de infância? Boas e ruins, claro, porque a vida não é só um “mar de rosas”, não é mesmo?

 Eu tive uma infância de verdade, graças a Deus e aos meus pais, os quais deixaram eu e meus irmãos, vivermos essa etapa maravilhosa de nossa vida, com categoria.  Então, “pintamos e bordamos”, viu?

E, como sou poeta, essas lembranças estão transcritas, agora, em forma de poema: EU GUARDO MUITAS LEMBRANÇAS/ DESSA ÉPOCA DE INFÂNCIA.


Espero que gostem!

Alaíde Souza Costa

I

Aqui eu quero abraçar
Quem teve oportunidade
De crescer, de ter vontade
De rir, correr e brincar
Com carinho relembrar
Ao ler e dar importância
O meu Cordel sobre a infância
Nós pudemos ser crianças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

II

Lembro-me daquela mesa
Com as quatro cadeirinhas
Eram bem pequenininhas
Pintadas com cor acesa
Para nós, uma beleza
Não tínhamos abundância
Tampouco feia ganância
Éramos, então, crianças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

III

Essas lembranças me trazem
Aos tempos bons,bem incríveis
Éramos, então, terríveis
Coisas que crianças fazem
Ferir os animais? Pasmem!
Pular neles à distância
E fazer a dissecância?
Nós fizemos com bonanças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

IV

Eu não vi uma “campanhia”
Que nunca fosse tocada
E lixeira derramada?
Chutamos com alegria
O dono com raiva via
Corria com relutância
Prometia vigilância
Gritava sem esperanças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

V

Colocar sal no café
Daquele irmão distraído
Era pra nós, divertido
Brincadeirinha, não é?
Cheiramos chulé, até
De um irmão com concordância
Para ganhar a importância
De comprar as comilanças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

VI

Ainda tenho saudade
De quando era uma“Gazela”
Nós corremos iguais a ela
Tínhamos agilidade
Hoje não corro metade
Jogos?Tinha relevância
Comer? Sem extravagância
Tínhamos poucas finanças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

VII

Foi na minha meninice
Que pulei o carnaval
Frevo e Marchinha, que tal?
Com José e Berenice
Pedro, Marcos e Monice
Ríamos em abundância
Não havia discordância
Nesse tempo de festanças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

VIII

Distraía as criançadas
“Estatuar”,  Pega-pega
A Pimbarra e Cabra-cega
Bola de gude e "Peladas"
Bastantes horas brincadas
A alegria era constância
Isso, sim, tinha importância
Vivemos como crianças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

IX

Os brinquedos? Nós tivemos!
Com a nossa própria mão
Cavalo, carro, Pião
E Bonecas, nós fizemos
Quase tudo recolhemos
Criamos com dominância
Brinquedos com elegância
Pra brincarmos sem cobranças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

X

As pipas eram bem lindas
Meus irmãos as fabricavam
E depois no céu soltavam
Pois eram sempre bem vindas!
Voos com idas e revindas
Com belos shows à distância
Usar “cerol”? Que ignorância!
Derrubou pipas nas danças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

XI

Lembram-se da Amarelinha
Com o nome CÉU grafado
Na cabeça do traçado?
Que boa brincadeirinha!
Pulávamos na casinha
Com aquela relutância
De quem quer uma distância
Pra vencer as lideranças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

XII

Fizemos campeonato
Até de quem mais comia
Fatias de melancia
Bem capaz de naquele ato
Vir a passar mal de fato
Nisto tinha uma ganância?
Para nós: irrelevância!
E rir com destemperanças?
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

XIII

E quando as noites chegavam
O que as crianças faziam?
Muitas histórias ouviam
Criaturas que assombravam
Bem assustados ficavam
O medo? Era circunstância!
Sim, havia relutância
Pra dormir sem relembranças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

XIV

Muitos amigos eu tive
No meu tempo de infante
Eu nunca fui intolerante
Abusamos do CATIVE
Pois assim, melhor se vive
Nós banimos a ignorância
União foi culminância
Agimos como as crianças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância

XV

Para que desunião?
Nas brigas entre vizinhos
Procuramos os caminhos
Que conduz à união
Eram irmão com irmão
Com bastante tolerância
E menos ignorância
Fizeram como as crianças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

XVI


Como ninguém é igual
Claro que havia intrigas
Muitas findavam em brigas
Paravam no hospital
Todos passavam bem mal
Imperava a intolerância
E também muita ignorância
Só víamos as cobranças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

XVII

E junho quando chegava
Tínhamos só alegrias
Um mês cheio de folias
A fartura se mostrava
Comida não acabava
Aos Santos deu relevância
São festas com importância
Gratos pelas venturanças
"Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância."


XVIII


Mamãe, o mastro, botava
Com grande fogueira, além
Comes e bebes, também
A tradição que eu adorava
Nessa hora eu nem brincava
Ficava na vigilância
Eu não queria distância
Vamos lá encher as “panças”
"Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância."

XIX

Todos os anos eu ganhava
Presente de aniversário
Eu nunca tive adversário
Porque eu sempre estudava
Na sala eu não aprontava
Sabia da vigilância
Da mamãe, em abundância
Ela fazia cobranças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.

XX

Alegre demais, eu andava
Usando minha botinha
Já era vaidosinha!
Cada pé, quente, ficava
Charmosa, também estava
Eram pretas, sem nuância
Boas pra vencer distância
E brincarmos nas festanças
"Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância."

XXI

A Suissa é o lugar
Onde morei e cresci
Em Goiânia que nasci
Mas, aqui vimos morar
Morros e Águas pra brincar
Tínhamos em abundância
Brinquei com exuberância
Nós pudemos ser crianças
"Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância."

XXII

Os morros brancos que vejo
Estão em minha memória
Fazem parte da História
Rolei neles com ensejo
Esquecê-los, não desejo
Achamos uma ignorância
Destruí-los com constância
Pra fazerem as mudanças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância."

XXIII


A Rua que nós moramos
Não havia calçamento
Para nós, nenhum tormento
Nós jogamos e brincamos
Na Gararu. Belos anos!
Felizes, sem inconstância
Sem querermos implicância
Rua cheia de crianças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de Infância.

XXIV


Que lanche você fazia
No tempo da meninice?
 Um monte de gulodice?
Eis o que a gente comia
Ovos fritos todo dia
Farofa com abundância
Comemos sem elegância
E feita pelas crianças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de Infância.

XXV


Por sermos muito peraltas
Muitas surras nós levamos
Da mamãe e em todos os anos
Do papai sentimos faltas
Para mim, heroi sem capas
E com bastante elegância
Mas, um dia na infância
Surrou-nos e com cobranças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância."

XXVI

Daquela única surrinha
Que papai me deu nas pernas
Devido as nossas badernas
Eu fiquei amuadinha
Falei até abobrinha
Claro que foi à distância
Mas, sem qualquer relutância
Papai nos deu esperanças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.


XXVII


Muitos infantes cresceram
Como pequenos adultos
Pois estavam nos labutos
Muitos sequer floresceram
Vários deles faleceram
Não viveram sua infância
Choraram em abundância
Num mundo sem esperanças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância


XXVIII


Isso dói ao escrever
Porque sou alguém sensível
Achamos que é bem terrível
A criança não viver
Como infante, mas crescer
Ser alguém com inconstância
Agindo com ignorância
E promovendo as matanças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância.


XXIX


A mamãe, de nós, cuidava
Com muita atenção e zelo
Nós fazíamos apelo
Para ver se ela deixava
A gente sair.  Ralhava!
Mostrando-nos implicância
Protegia com constância
Nós éramos só crianças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância

XXX


Agora que compreendo
O porquê desses cuidados
Se fôssemos abusados
Por um adulto horrendo?
Só estava protegendo
De toda feia arrogância
Do mal, da dor, da ignorância
Dos que ferem as crianças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de infância

XXXI


Eu sei de pais que entregaram
Seus filhos à perdição
Só pode ser maldição
Será que desesperaram
Em Deus não acreditaram
Ou foi por pura ganância
Cujo ato sem importância
Destruíram as crianças?
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de Infância

XXXII


Como pode tal adulto
Não respeitar as crianças
Tirar-lhes as esperanças
E tratá-las com insulto?
Pode ser que o pobre inculto
Não viveu a sua infância
Com rancor e intolerância
Com o mal fez alianças
Eu guardo muitas lembranças
Dessa época de Infância.






Foi na "Salada de Frutas"
Que dei meu primeiro beijo



(Eita! Essa já é outra fase da vida, não é? Quem sabe, o tema do meu próximo cordel seja sobre a adolescência? Aguardem...)






















ALAÍDE SOUZA COSTA
Enviado por ALAÍDE SOUZA COSTA em 29/07/2019
Reeditado em 29/07/2019
Código do texto: T6707158
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
ALAÍDE SOUZA COSTA
Aracaju - Sergipe - Brasil, 58 anos
186 textos (2823 leituras)
1 e-livros (176 leituras)
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ALAÍDE SOUZA COSTA