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ABRINDO OS OLHOS PARA UMA REALIDADE DUVIDOSA

   O estado de sonolência foi se esvaindo, aos poucos Celso ia recobrando a memória, não sabia quanto tempo havia ficado inerte naquela cama de hospital público, num quarto repleto de pessoas doentes e acompanhantes aflitos. Estaria ele sonhando? Foi o que pensou, mas a realidade era tão física que acabou se convencendo de que estava ali entre inúmeros doentes iguais a ele, que felizmente não sentia nenhuma dor enquanto alguns gemiam e eram consolados por parentes. Mas Celso estava ali sozinho, não tinha ninguém ao seu lado, isso o entristeceu um pouco, mas quem ele esperava que estivesse ali? Não lembrava de uma só criatura que composse a sua familia, se é que tinha, sua mente não ajudava a recordar.
   O homem triste pelo que passava nesse momento tentou um esforço para se levantar mas foi inútil, era como se estivesse grudado na cama sem possibilidade de qualquer movimento próprio. A mente voltava gradativamente, começou a lembrar de fatos, de pessoas cujos nomes não recordava no momento e do acidente que sofrera. O acidente, isso veio muito forte em sua mente, lembrou quando o carro em que viajava bateu violentamente de frente com um caminhão tendo o mesmo sido jogado em uma ribanceira, foi só o que lembrou. Tentou mais uma vez fazer algum movimento, tudo em vão, tentou ver as pernas, movimentá-las, nada. Elas nem estavam ali pelo que conseguiu ver, o que fez ele entrar em pânico, teve a certeza de que as perdera no acidente. Ficou confuso novamente e acabou entrando em nova sonolência, viu seu corpo flutuar e subir até o teto, ficou abismado quando ultrapassou a laje e constatou estar flutuando em outro andar onde existiam outros doentes. Continuou flutuando, atravessando paredes, até se ver ao ar livre, no espaço, volitando, se sentindo como um pássaro dominando a lei da gravidade e apreciando a paisagem lá embaixo. Tudo escureu e sentiu um tremor no que lhe restava do corpo.
   Abriu os olhos mais uma vez, não estava mais no hospital e sim em um lugar tranquilo, sim, aparentemente tranquilo, até enxergar criaturas estranhas que não o encarava com bons olhos. Pensou em correr ao perceber que suas pernas estavam ali, mas sentiu-se paralisado, sem forças, mantendo-se ali a mercê do que tivesse de acontecer. As criaturas se aproximavam, demonstravam uma raiva incontida, Celso apenas aguardava o momento do ataque, estava pronto para tudo, não tinha como evitar. Essas aparições o envolveu, se sentiu dominado por elas e logo deu a impressão de terem sumido, mas ele sabia que estavam ali.
   Adormeceu novamente e quando tornou e abriu os olhos se viu naquele hospital rodeado de pessoas, todas de cara feia como a exigirem dele uma explicação qualquer sobre alguma coisa que ele não sabia o que era. Ele imediatamente reconheceu essas pessoas, eram passageiros do carro que dirigia por uma estrada perigosa e que pediram para que parasse de correr e diminuísse a velocidade, no que não foram atendidos, culminando com o trágico acidente em que todos faleceram.
Moacir Rodrigues
Enviado por Moacir Rodrigues em 26/11/2019
Reeditado em 26/11/2019
Código do texto: T6804068
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Moacir Rodrigues
Recife - Pernambuco - Brasil, 71 anos
2243 textos (42714 leituras)
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Moacir Rodrigues