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Econom(Distop)ia

O Homem nasceu, cresceu, estudou e tornou-se faxineiro. Mas, a Economia, vendo que o Homem deixava sujeira para trás e perdia tempo em tarefas simples, encarregou o Engenheiro de buscar uma solução mais eficiente. O Engenheiro, então, criou um robô que limpava melhor que o Homem, e este perdeu seu emprego.

A Economia, vendo que o Homem estava desempregado, estimulou-o a estudar, e ele assim o fez, tornando-se motorista. Mas, a Economia, vendo que o Homem causava acidentes e se estressava ao volante, encarregou o Engenheiro de buscar uma solução mais eficiente. O Engenheiro, então, criou veículos autônomos, e o Homem perdeu seu emprego.

A Economia, vendo que o Homem estava desempregado, estimulou-o a estudar, e ele assim o fez, tornando-se operário. Mas, a Economia, vendo que o Homem sofria de lesões por esforço repetitivo, encarregou o Engenheiro de buscar uma solução mais eficiente. O Engenheiro, então, automatizou as linhas de produção, e o Homem perdeu seu emprego.

A Economia, vendo que o Homem estava desempregado, estimulou-o a estudar, e ele assim o fez, tornando-se telefonista. Mas, a Economia, vendo que o Homem se equivocava nas informações passadas, encarregou o Engenheiro de buscar uma solução mais eficiente. O Engenheiro, então, criou secretárias eletrônicas e URAs inteligentes, e o Homem perdeu seu emprego.

A Economia, vendo que o Homem estava desempregado, estimulou-o a estudar, e ele assim o fez, tornando-se bancário. Mas, a Economia, vendo que o Homem errava contas e gerava reclamações dos clientes, encarregou o Engenheiro de buscar uma solução mais eficiente. O Engenheiro, então, implementou os bancos digitais, e o Homem perdeu seu emprego.

A Economia, vendo que o Homem estava desempregado, estimulou-o a estudar, e ele assim o fez, tornando-se bibliotecário. Mas, a Economia, vendo que o Homem se perdia na gestão de tantas informações, encarregou o Engenheiro de buscar uma solução mais eficiente. O Engenheiro, então, informatizou os acervos, e o Homem perdeu seu emprego.

A Economia, vendo que o Homem estava desempregado, estimulou-o a estudar, e ele assim o fez, tornando-se engenheiro. Mas, a Economia, vendo que o Homem era devagar na criação de novas soluções mais eficientes, encarregou o Engenheiro de buscar uma solução mais eficiente. O Engenheiro, então, criou a inteligência artificial consciente, que conseguia refletir e criar por si mesma, e o Homem, e o Engenheiro, perderam seus empregos.

A Economia, vendo que o Homem e o Engenheiro estavam desempregados, assim como uma parcela gigante do povo, estimulou-os a tornarem-se soldados. Mas, a Economia, vendo que o número de soldados era incapaz de refrear os ânimos da massa desempregada e empobrecida, encarregou-se de lançar a discórdia e a divisão entre o povo. O povo, então, entrou em guerra consigo mesmo, dilacerando-se.

Desta forma, a Economia, livre do Homem, do Engenheiro, dos soldados, dos desempregados, dos pobres, de todo o povo e da ineficiência humana, rejubilou-se. Finalmente, alcançara seu fim, reinando incontestável, cercada pela automatizada e eficaz produção e circulação de bens e mercadorias na Terra deserta.
Eudes de Pádua Colodino
Enviado por Eudes de Pádua Colodino em 25/06/2019
Código do texto: T6681164
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Sobre o autor
Eudes de Pádua Colodino
São Paulo - São Paulo - Brasil, 32 anos
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Eudes de Pádua Colodino