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Diálogo com o verde
 
E o verde desceu sobre seu corpo travestido de uma viscose esvoaçante com detalhes em jacquard como a luz de um semáforo que se abria para passar todas as formas de calma e equilíbrio.
Sem alternativa senão deixar-se escorregar , o verde olhou-a de cima a baixo como se isso fosse algo sobrenatural.
 


Foi logo perguntando:  
— Olá menina, onde estava com a cabeça quando resolveu me vestir? Você é escorpiniana.
Revirando os olhos a menina pensou:
aff que tolo esse verde, então não sabe que é minha cor predileta e que essa coisa de signo é besteira?
Suspirando resignada sentou-se, sem, contudo , deixar aquele ar compreensivo e aquele sorriso meio pálido.



— Ah! Verde não me diga que acredita nessas coisas. Então não sabe meu querido porque te vesti? Jura? É simples. Eu queria seguir em frente.
O verde olhou com cara de espanto para aquele rosto que ria um riso tímido. Era difícil acreditar que uma mulher tão tímida, tão cheia de complexos pudesse resolver de uma hora para outra seguir em frente assim sem mais nem menos.
— Como assim, seguir em frente? Se não me engano você é saudosista e gosta é de azul e preto.
A menina revirou novamente os olhos.



— Passei da fase preto e azul, não entendeu meu querido verde? Tem certeza? Pense: tudo que quero é uma natureza viva, renovação, plenitude, juventude... Quero que o passado fique exatamente lá e a tristeza se foda. Se prestar bastante atenção nos caminhos que percorri, saberá que sempre tento seguir em frente apesar de tudo. Claro, vou ter sempre minhas lembranças: as alegres que valem a pena relembrar, mas tenho também muitas janelas traumáticas dentro de minha mente, e essas não quero trazer para minha memória de trabalho entendeu? Seguir em frente é modificar essas janelas. Não é fácil, não é... Mas tento... Eu sempre quis isso meu caro e você pode me dar. 
— Lembra meu brinco verde? Aqueles Made in china? E os sapatos de cetim verdes também, made in china. E o lenço de pescoço, aquele de musseline verde com flores Pink?  Já ia esquecendo aquele vestido com estampa basicamente tropical onde palmeiras balançam ao vento...
—E tem mais: o esmalte verde, o cinto velho que reciclei com tecido de estampa verde em dois tons. E a blusa de cetim verde bandeira, a verde jade? Ah! E pasme: a bolsa de crochê com fio de malha verde militar e a verde cana em cordão ecológico...



— Uau, superei não é verdade? Como vê vivo seguindo em frente. E você ainda fica surpreso quando simplesmente visto um vestido totalmente verde. Sabe de uma coisa? Acho que se assustou por eu te usar tanto e você nem tem percebido. Não tem percebido que tem me ajudado a seguir em frente? 
O verde baixou os olhos, talvez meio envergonhado. Como não tinha percebido isso antes?
E foi então que calmamente ele encheu de esperança, calma e equilíbrio a alma da doce menina que queria se vestir de verde e seguir em frente...



 


Olá caros amigos. Um lindo final de domingo a todos vocês. Essa é mais uma de minhas histórias surreais, mas de fundo reais. Reflexões que passam por minha cabeça e ai escrevo. Não se assustem. Não sou doida. Ou talvez seja. Aqui tenho liberdade para expor minhas reflexões a todos os articies das letras ( grifos dos poetas e escritores Miguel Jacó e Jacó Filho). As imagens sou eu. Não querendo expor,minha imagem, mas a imagem de minhas palavras. abraços e até...
 


Sonia de Fátima Machado Silva
Enviado por Sonia de Fátima Machado Silva em 02/06/2019
Reeditado em 02/06/2019
Código do texto: T6663234
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Sonia de Fátima Machado Silva
Coromandel - Minas Gerais - Brasil, 57 anos
1341 textos (58385 leituras)
13 áudios (691 audições)
2 e-livros (150 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 23/04/21 14:08)
Sonia de Fátima Machado Silva

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