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Eu estava na carroceria de um caminhão

Não sei o porquê que todas as vezes que eu sonho com você, você está às margens do caminho.
Sonhei que eu estava sobre a carroceria de um caminhão e este estava numa estrada de terra.
Era de manhã, não havia nuvens, e o sol brilhava muito para aquela hora do dia.
Sobre a carroceria do caminhão eu segurava naquele pedaço de corrente onde se trava as duas laterais da carroceria.
Havia comigo muitas pessoas que também viajava naquele caminhão.
O caminhão estava numa velocidade de aproximadamente uns 50 km por hora numa estrada de terra onde não havia cercas nas laterais, parecia ser uma estrada de fazenda. Do lado direito da estrada era um pasto baixo e o capim estava já um pouco seco. Do lado esquerdo, era pasto também, agora bem tosado pelo gado e algumas árvores verdes ilhadas pelo campo.
E o caminhão corria e eu segurava na corrente em pé sobre a carroceria, quando de repente vi alguém passar correndo na frente do caminhão do lado direito para o lado esquerdo da estrada e parou uns 10 metros pra dentro do pasto e ficou olhando o caminhão passar.
Quando eu vi aquela cena, voltei-me sobre o caminhão para ver o que sucedia e te vi em pé às margens da estrada um tanto preocupada e desconsolada. Fiquei olhando para você e você ficou olhando para mim. O caminhão foi se distanciando e o seu vulto sumiu ao longe naquele pasto. Era de manhã, o raio do sol era intenso.
Não sei porque que naquela hora você estava ali, não sei porque que você não acenou a mão para o caminhão parar.
Naquele instante da cena só eu te via, não pude fazer nada.
Mas eu fiquei pensando: como pode a esta hora ela aqui neste lugar ermo, no meio deste pasto? Como ela chegou até aqui?
E o caminhão corria e parecia uma estrada muito comprida. Naquele momento eu dizia pra mim mesmo, não posso parar este caminhão, as outras pessoas vão achar que estou doido, só eu vendo alguém a esta hora no meio do capim. Só eu te via!
É uma estória preocupante. Não tem retorno, não dá para parar o caminhão e voltar atrás.
A estrada é longa e não podemos perder tempo, precisamos chegar ao destino.
Como você estava ali, não sabia explicar. Você apareceu no meio do nada e eu não tinha o que fazer. Fiquei pensando, como ela apareceu aqui eu não sei. Agora se ela quiser falar comigo, da mesma maneira que ela apareceu aqui, apareça em outro lugar e nós conversaremos. Mas como? Quem sabe, ela podia pegar uma toalha de retalho, ou um tapete voador e pegar um atalho, voar e no final da estrada poderíamos encontrar novamente.
Eu  naquele caminhão, sabia que o final da estrada era um rio muito largo e ali teríamos que descer e tomar um barco para atravessá-lo.
Quem sabe, do outro lado do rio nós poderíamos nos encontrar.
Acreditas tu neste sonho? Acho que foi uma espécie de aviso, pois na verdade todo homem precisa de uma companheira para andar ao lado dele e viver juntos até que a morte o separe, não somente para cruzar o seu caminho e ficar para trás de livre e espontânea vontade.
O caminhão corria, não a via mais, minha visão se embaraçava com o espaço e o brilho do sol.
Preciso chegar logo do outro lado do rio. Quem sabe você pode estar me esperando.
Era um sentimento muito profundo de te encontrar do outro lado, não tinha certeza deste novo encontro, mas eu gostaria muito de te encontrar novamente. A estrada longa, o caminhão corria o fim da estrada não chegava, e este rio não aparecia. Aquela angustia e a preocupação de te encontrar novamente, tomou conta do meu ser e como uma miragem, eu te via novamente as margem do rio. Era na verdade somente pensamentos, pois, o caminhão corria, a estrada não terminava e o rio não chegava. Acordei.


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AVALCANTARA
Enviado por AVALCANTARA em 17/02/2016
Código do texto: T5546027
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Sobre o autor
AVALCANTARA
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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