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Confusão

     - Nem a pau.
     - Qual é, Luís, você me deve isso.
     - Eu não te devo nada e isso é uma loucura. Aposto que deve ser efeito desses sedativos do hospital que você tá tomando.
     - Eu nunca fui tão sensata, nem mesmo quando eu te acolhi... meu afilhado.
     - Mas que golpe baixo! Justo agora, você tinha que lembrar disso?
     - E se bem me lembro você me disse que estaria pro que der e vier comigo em uma de suas crises.
     - Sua.. sua... miserável! Você não percebe a gravidade do que tá pedindo? Dos inúmeros riscos que vai correr?
     - E daí? Eu tô cansada de ver tudo acontecer e não poder fazer nada pra melhorar!
     - Não é bem que você vai conseguir salvar todo mundo se virar uma detetive. Pelo contrário, você passará mais noites em claro e ficará imaginando aquelas cenas de violência...
     - Eu aguento.
     - Ainda não acho uma boa ideia.
     - Já disse que suporto.
     - Não é se você suporta ou não, continuo achando que não é uma boa ideia.
     - Não tem problema por mim. Pode fazer com raiva, mesmo.
     - Você está achando que isso é uma piada?
     - Por que você acha que eu pediria a você de todas as pessoas?
     - Porque você é o melhor que conheço, cacete!
     - Bem, eu...
     - Tá, tá, depois você fica meloso, mas e aí, topa ou não?
     - Olha, vamos fazer assim: depois que você sair daqui, a gente conversa sobre tá?
     - Ok, vou cobrar.
     - Certo, bem agora tenho que correr.
     - E como tá a Júlia?
     - A última notícia dela que tive foi que estava dormindo. Se você quiser, eu posso perguntar agora na saída.
     - Por favor, faça isso.
     - Ok, ok, até logo.
     - Até.
     Na saída do hospital, um, já inquieto Luís, estava ainda mais preocupado. Não bastava ser um detetive com falhas nas suas perseguições, ainda teria que lidar com uma "aprendiz". Fora isso, ainda tinha a chamada da sequestradora para entrar num jogo de gato e rato (mais um) para salvar vidas inocentes. Tudo na sua vida parecia um castelo de cartas perto a desmoronar. Não à toa, pegou umas cervejas no meio do caminho pra beber em casa. Precisava pensar sobre tudo aquilo.
     Mais tarde, enquanto dormia largado no sofá com uma mão estendida no chão e a outra com uma lata amassada, o telefone entrecortou o silêncio e o acordou. Todavia, quando foi atender, a ligação caiu. Já passavam das 17h, e seu celular registrava três chamadas perdidas e 4 mensagens. Dentre elas, uma que não queria receber: a da gangue lâminas. Uma mensagem que só perguntava se a resposta era sim ou não, nada além disso. Ao ler aquilo, Luís foi em direção à geladeira, em busca de mais uma lata de cerveja. Estava cansado e enfadado daquilo tudo, mas precisava pagar as contas. Salvar vidas era um fim desejado, entretanto nem tão almejado assim. Não para todos os casos. Então, o que responder?
     Após entornar mais um gole de cerveja, lembrou da frase clássica de D.Pedro: "Se é para o bem de todos, e felicidade geral da nação, eu digo sim"! e respondeu a comandante do crime, embarcando em mais uma aventura, na qual não teria o menor controle de nada. Todavia, confiava nos seus velhos instintos e na crença de que a sua maré de azar, em breve acabaria. Também pensava que se fechasse esse caso, poderia tirar umas merecidas férias. Será que conseguiria?
     Em meio a esse diálogo interno, seu celular voltou a tocar, na verdade, a vibrar, recebendo uma mensagem. Era a gangue, comunicando-se por falas singulares: sabia que você não era só um rostinho bonito, em breve te mandarei as primeiras instruções, tá? Um beijo! Teria tomado a decisão correta?

O andarilho.
Rousseau e o Andarilho
Enviado por Rousseau e o Andarilho em 13/06/2020
Código do texto: T6976475
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Rousseau e o Andarilho
Maceió - Alagoas - Brasil
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