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conto: “Fusíveis Queimados”

   A vizinha, uma viúva de meia-idade e enxerida, enfim foi até a porta do grande trailer ao lado do seu receosa em cumprimentar o novo casal que ali se instalara. Tom e Nina. Eram um casal vistoso, aparentemente afortunados, portanto curioso por que não estavam numa devida casa. Tom explicou que Nina havia sofrido um surto mental muito forte devido ao estresse no seu trabalho, e aconselhado pelo psiquiatra, à par da sorte de Tom poder ser transferido pra uma filial da firma em que trabalhava quilômetros dali, fora decidido pelo bem de Nina se afastarem do centro urbano conturbado por uns meses. Nina havia escolhido ali por causa do mar, isso a acalmava. A vizinha sentiu que aquela situação exigia a sua rara ignorância de se meter, uma pessoa com problemas mentais naquela época era algo a se manter distância, era uma peça mal formada, desacreditada de valor, eventualmente se quebraria. No café da manhã no segundo dia, com melhor humor, Nina prometeu a Tom que faria uma surpresa pro mesmo no almoço. Cozinhar não era o forte de Nina. Tom gostou, pois vê-la melhor já era a boa surpresa de que precisava. Foi satisfeito ao trabalho enquanto Nina planejava um delicioso bolo de carne. Tom chegou do trabalho e se surpreendeu com uma densa fumaça fugindo por frestas no trailer. Entrou apavorado, e se deparou com Nina desmaiada no chão enquanto o bolo de carne no forno estava queimando e inundando o trailer com a fumaça. Tom pegou-na e levou pra cama. Nina voltou em si enquanto Tom clamava chorosamente, e ele viu nela mais uma vez aquele olhar vidrado que o amedrontou no seu surto semanas atrás. “...entrou aqui... eu...eu estava preparando um bolo... me...me bateu...”, Nina sussurrava roboticamente falhando, e Tom escutava apavorado. “...eu tentei...e...e então...tentou me enforcar...e eu...eu desmaiei...” Fora o suficiente a Tom, chamando a polícia e a um médico imediatamente enquanto tentava de alguma maneira revertê-la. A vizinha temerosa dissera que nada percebeu e que tampouco vira a alguém suspeito por ali. Os policiais nada encontraram, nem um vestígio. Apenas o médico alertou a Tom que Nina deveria permanecer em repouso intermitente por uma semana pra evitar danos piores. E assim fora seguido à risca, Tom pediu licença pra cuidar de sua amada integralmente. Passado uma semana, Tom arriscou levá-la pra um almoço fora. Nina estava mudada, vidrada, robótica. Ante a chegarem no restaurante suburbano que Tom escolheu, Nina se avulsionou no seu assento apontando vidrada a um homem aleatório às pressas na calçada, “É ele! Foi ele, Tom!” Tom sentiu-se fora de si e, num impulso cego, seguiu ao cujo homem até o mesmo entrar num prédio adiante. Nina suava e expirava audivelmente enquanto tremia. Tom apanhou uma grossa chave mecânica de baixo do seu banco e disse a Nina calmamente que já retornaria enquanto enfiava o metal na manga do casaco. Guiou-se adentro do cujo prédio, e viu que o cujo homem esperava o elevador. Pôs-se ao lado do mesmo e ambos se olharam como completo estranhos. O elevador abriu, e Tom apenas seguiu o andar que aquele homem escolheu. O elevador se abriu e o cujo homem saiu tomando o corredor vazio, e Tom tomou os seus passos silenciosamente, e ao segundo que o dito homem virava-se pra ver quem o seguia, apenas viu ao reluzir da chave mecânica que Tom empunhou em seu crânio, e mais uma vez, mais uma, e outra, até que o cujo metal limpo se lambuzasse em sangue. Arfando e entreolhando aos cantos, Tom retornou ao elevador tropeçando enquanto o cujo homem morto manchava o chão e a reputação daquele prédio. Tom saiu às pressas e entrou no carro fitando afobado a Nina, ela estava vidrada como antes. Ele ligou ao carro corridamente e arrancou pela a esquina adiante. “Está tudo bem, meu amor. Vamos sair dessa cidade. De longe de tudo isso.”, ao qual Nina respondeu com nada. Tom suava e tremia, mas o que estava feito era irreversível e honestamente ele teria feito outra vez, por Nina. Ao entrarem cantando pneus na área do trailer, Nina, como antes, se encolheu no seu assento e tremendo vidrada apontou à sua vizinha enxerida saindo porta afora, “É ela, Tom! Foi ela!”

   Enquanto a ex-vizinha folheava o jornal com a manchete estampando a tragédia que ocorrera bem ao seu lado enquanto o marido estava preso condenado por homicídio e a esposa psiquiatricamente doente fora internada num hospício apontando a cada pessoa que via como sendo a culpada pelo o seu segundo surto mental, inspirou uma longa bufada de ar se recostando na cadeira de balanço enquanto olhava o teto ferroso do seu trailer como a um televisor e se recordava nele daquele dia, quando bateram violentamente na sua porta, clamando por ela enquanto descansava, e se deparou com Nina apavorada à frente de uma torrente de fumaça escapando do seu próprio trailer. Ambas correram até lá, e Nina tentava se explicar gaguejando o que havia acontecido. A mulher fitou a Nina dentre a fumaça, apavorada em lágrimas e com o rosto acizentado, vencida e fraca na vida ao ponto de não saber preparar um simples bolo de carne para o marido, e a cuja vizinha se lembrou do seu falecido marido, do quanto o amava e zelava, do quanto se preparou desde criança à finco de surras e punições por sua mãe a como ser uma devida esposa ao seu futuro marido, e ver àquela jovem desta nova geração afortunada com um belo marido se sacrificando pela mesma por frescura de cunho mental enquanto se lembrava das agressões do seu próprio falecido quando ela fazia algo que não o agradava, e ainda assim tentava se redimir com ele, e ver a Nina inutilizável àquele ponto, a cuja viúva sentiu o mesmo bile avulso retornando de quando às cegas empurrou ao seu ex-marido bêbado contra a quina de uma mesa, matando-o, e se avançou contra Nina, a batendo no rosto como o seu ex-marido fazia, derrubando a Nina no chão e se pondo acima da mesma enlaçando sufocadamente ao seu pescoço, enquanto Nina tentava às tosses sufocantes enfrentá-la, em vão, se reduzindo à consciência. A cuja vizinha, apavorada porém sem remorsos, abandonou a Nina, esperançosa do seu fim. A sorte estava ao seu lado, entretanto, pois o que se espera de uma pessoa com transtorno mental se não a quebra inevitavelmente irreparável?
LiLoham
Enviado por LiLoham em 18/01/2020
Reeditado em 17/03/2020
Código do texto: T6844880
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
LiLoham
Anywhere - Tuscany - Itália, 25 anos
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