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A dança da destruição

[Continuação de "Quem quer ser um milionário?"]

- Você avisou à polícia que faria contato conosco? - Indagou Benegal Pannikar ao celular em tom ameaçador, a boca coberta por um lenço.

- Estou usando um chip novo - assegurou Amitabh Phadanis do outro lado da linha. - Eles não estão rastreando essa linha.

- Muito inteligente da sua parte, senhor Phadanis. Agora, vamos discutir o resgate.

- Um milhão.

- De dólares?

- Não. De rúpias, claro. Quem você acha que sequestrou? A mulher do Bill Gates?

- Olha, por um milhão... - começou a dizer Benegal.

- Você não vai ter que devolvê-la com vida - atalhou Phadanis.

- Está me dizendo que quer ver sua mulher morta e paga um milhão de rúpias por isso? - Questionou Benegal.

- A mulher é minha, não é? - Retrucou Phadanis. - Você quer dinheiro e eu não a quero de volta. Se a matar e me der provas disso, recebe um milhão.

- Um milhão para matar alguém é muito pouco - ponderou Benegal. - Se eu for pego, é pena de morte na certa. Por cinco milhões, começamos a nos entender.

Depois de muitas idas e vindas, acabaram fixando a execução em 3,5 milhões de rúpias. Benegal deveria enviar fotos do corpo de Gauri, com informações sobre o local onde poderia ser recuperado.

- Ela merece um enterro decente - afirmou Phadanis.

* * *

A polícia de Chennai prendeu Amitabh Phadanis assim que ele chegou ao local de encontro marcado com os sequestradores, carregando uma sacola de supermercado com os 3,5 milhões de rúpias. A surpresa do comerciante foi maior ao saber que a esposa estava bem viva - e nada satisfeita.

- Um pouco de ketchup nas roupas da senhora, e foi feita a mágica - explicou posteriormente o chefe de polícia.

Na delegacia, Phadanis negou que houvesse negociado a morte de Gauri com os sequestradores, mas o áudio da gravação feita por Benegal acabou com seus argumentos.

Gauri Phadanis afirmou que contratara os dois rapazes para simular o próprio sequestro e assim desmascarar o marido, que pretendia casar-se com uma funcionária, 30 anos mais jovem do que ele.

Após darem seus depoimentos, Abhi e Benegal foram liberados - sem receber um tostão.

- Espero que tenham aprendido uma lição - disse-lhes o chefe de polícia antes de dispensá-los.

- De que em briga de marido e mulher não se mete a colher? - Indagou Abhi.

- De que é sempre melhor chamar a polícia - corrigiu o delegado.

- [06-01-2019]
Alex Raymundo
Enviado por Alex Raymundo em 06/01/2020
Reeditado em 07/01/2020
Código do texto: T6836008
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Alex Raymundo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 57 anos
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Alex Raymundo