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Testemunho

[História anterior: "Dia de visita"]

- Você terá que ser absolutamente honesto comigo - disse-lhe o advogado, quando sentaram-se frente à frente na saleta de paredes nuas. - Se não o fizer, e algo for descoberto pela promotoria mais adiante, pode ter certeza de que estará com problemas.

- Eu compreendo - replicou Alfonso com tranquilidade. - Mas vou repetir o meu depoimento inicial: eu estava presente no momento em que mataram Cesar Robledo, ajudei a ocultar o corpo, mas não tive nenhuma participação no planejamento da sua morte.

- Arriategui afirmou que foi você quem atraiu Robledo para a armadilha - prosseguiu o advogado, encarando o cliente e sem consultar as notas manuscritas que fizera numa caderneta de capa de couro.

- Eu fui chamado por Arriategui até o armazém, da mesma forma que Robledo - justificou-se Alfonso. - Tenho ligações dele para mim, no meu celular, que comprovam isso.

- Segundo Arriategui, as ligações apenas confirmam que estavam juntos na montagem da armadilha, mas que foi você quem o recrutou, e não o inverso, e que apenas você sabia quem foi o mandante e o motivo do crime.

- Robledo foi morto por Jimmy Santiago - retrucou Alfonso. - Se havia alguém capaz de revelar o nome do mandante, esse alguém era ele.

- O problema, - o advogado apoiou as palmas das mãos sobre a mesa e encarou o cliente - é que Santiago morreu antes de ser interrogado, em confronto com a polícia.

- Então, a informação morreu com ele - redarguiu Alfonso, inflexível. - Não posso ser acusado de assassinato, no máximo de associação criminosa e ocultação de cadáver.

- Se o que me diz é verdade, poderia fazer um gesto de boa vontade para a promotoria e fornecer a senha de acesso do seu celular - argumentou o advogado. - Isso poderia resultar numa redução da pena.

Alfonso concedeu-lhe um sorriso irônico.

- Eu não sou obrigado a fornecer a senha do meu celular, doutor; conheço essa parte da lei tão bem quanto o senhor. Aliás, é precisamente por isso que não uso celulares com reconhecimento facial ou da digital. Não pretendo e não vou testemunhar contra mim mesmo.

- [28-09-2019]
Alex Raymundo
Enviado por Alex Raymundo em 28/09/2019
Reeditado em 18/10/2019
Código do texto: T6756151
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Alex Raymundo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 57 anos
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