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Pena de Morte

Sozinha na cela eu como minha ultima refeição,não quis nada muito especial,só aquele velho espaguette que compartilhava com quem amava.De sobremessa mousse de chocolate,ele dizia que eu era a melhor ao se tratar de sobremesas.Choro e alguma lagrimas caem no chão de cimento.O padre ja veio duas vezes mas eu não tenho nada a confessar.
Me pergunto se tudo que fiz foi tão errado.Me questiono se aquelas pessoas mereciam mesmo viver.Dizem que toda vida é divina,a minha também é?Será que eles tem o perdão de Deus para o que farão comigo?
Aparecem dois policiais e um enfermeiro pra me buscar,os policiais estão armados caso eu queira fugir,ou ofereça resistencia.Mas eu não sou assim,não sou violenta,percebo que são bons homens e só estão cumprindo seu trabalho.Devem ter lares,esposas e filhos para quem voltar.Meus olhos voltam a ficar umidos e eu caminho pacificamente para minha morte.
Os medicos e a sociedade não acham que eu irei morrer.Mas o que mais seria essa monstruosidade?Eles acham isso certo?Com um ser humano?Eu gostaria muito da injeção letal,por favor.
Chego a sala branca,uma maca de ferro me espera mas antes eu me sento em uma cadeira aparafusada no chão para que eles possam raspar meu cabelo.Vejo aos poucos os fios cor de cobre cairem,logo fazem montinhos ruivos no chão e são sugados pelos dutos de limpeza da sala.Agora eu não tenho mais nome,não tenho mais personalidade,não tenho mais dignidade,sou um número...
Deito docilmente na maca metalica,mais dois enfermeiros surgem e prendem meus tornozelos,depois prendem meus pulsos,me sinto em uma cruz horizontal.Espetam uma agulha no meu braço,dou um ganido baixo,sempre odiei agulhas.Colam eletrodos na minha cabeça,no meu peito,prendem algo em meu dedo indicador,eu choro baixinho.
Os aparelhos emitem silvos e bipes suaves como se tentassem me acalmar.Eu choro ainda mais,como eles podem achar isso certo?!Vão apagar meu cerebro!
Chama-se programa de reeducação comportamentar,mas é na realidade uma lavagem cerebral.Não é uma alternativa a pena de morte,é a pena de morte muito pior!Vão me lobotomizar!Me transformar numa boneca sem vontade propria para que eu possa ser uma cidadã modelo!Que tipo de sociedade irracional é essa?!
Eu choro e me reviro enquanto eles posicionam o laser na minha testa.O médico responsavel entra enfim na sala,de mascara,luvas e touca,eu o olhos com medo.Suplico pela minha vida,algo que nunca pensei que faria e então...Eu finalmente reconheço os olhos cinzentos.Os olhos do meu companheiro de vida,daquele que prometeu me amar,cuidar e respeitar pelo resto de nossas existencias.O grande homem que acabou setenciado antes de mim,agora ele é apenas um boneco cumprindo seu papel mas ainda assim eu o amo,eu quero ama-lo pelo que ele era!
Ele toca minha testa,a risca com uma caneta,acaricia minha cabeça careca e sussurra em meu ouvido.
- Acalme-se,tudo vai dar certo...
Eu grito,grito e choro.Como puderam fazer isso com ele!Como podem fazer isso comigo!Você acharia certo se fosse o seu cerebro?!
O laser pisca duas vezes e eu entro na inconsciência...
                                              ***
O quarto do hospital era branco com toques de verde oliva,de mascara e touca um homem ainda acariciava a mão pálida de sua amada.O ambiente era de dor,de dor inconformada,ele havia gritado,xingado,prometido grandes quantias e até agredido um médico mas tudo que pode foi vê-la deslizar em diração a morte inevitavel.
O doutor tocou seu ombro dizendo.
- Fred acabou,ela se foi...Tudo o que a mantem são os aparelhos...O cerebro está morto meu amigo...Desculpe.
O homem apenas olha para cima,está destruido,morto por dentro,tão morto quanto a moça ruiva deitada na cama hospitalar.A doença avançara tão rapido,os delirios foram tão fortes,logo estava no cerebro todo e nada mais pode ser feito.Ela morrera gritando,chorando,chamando o nome dele.Delirios e mais delirios.Ela viera e se fora como uma chama,rapida e incandescente.
O primeiro livro dela era naquele dia considerado bestseller,enquanto ela morria seu nome era anunciado em uma lista de 5 mais lidos...Ele lhe deu um beijo na testa e sussurrou-lhe no ouvido.
- Tudo vai dar certo...
Apertou a mão dela mais uma vez,então a deixou só para ir até o corredor dar um tiro na cabeça.
Ele a acompanhou até o fim...De ambos.
Tinkerhell
Enviado por Tinkerhell em 25/01/2010
Código do texto: T2049275

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Sobre a autora
Tinkerhell
Maringá - Paraná - Brasil, 29 anos
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