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Confira seu Uber

      Entrei no carro, era algum carro da Fiat então só podia ser aquele, estava bem arrumada era um sábado a noite e eu pretendia amanhecer o dia na pista. Bati a porta e dei uma olhada no motorista esperando que ele me comprimentasse com um boa noite, ele não o fez, só seguiu com o carro, continuei olhando para ele, para o para brisas, e as ruas que ele começou a tomar eram contrárias ao rumo do local que eu pretendia ir, questionei-o e ele respondeu que teria de dar a volta pois o outro caminho estava fechado por conta de uma festa que se espalhou por toda rua. Comecei a achar estranho pois ele falava de forma insegura e acelerava o carro cada vez mais dentro das entre quadras do Setor-O da Ceilândia, que não permitem a velocidade que ele tentava alcançar. O celular vibrou e a notificação ativou um arrepio que percorreu meu corpo inteiro, minha boca secou na hora e minhas pernas daí em diante não param de tremer, era do aplicativo do Uber e dizia assim " Ei, é o seu Uber, estou aqui do lado de fora".
        Me esforcei ao máximo para não esboçar uma reação forte, queria chorar, gritar,  pedir socorro, mas só estávamos nos dois no carro em movimento. Ele não olhava para trás, nem falava nada, só acelerava o carro. Sem escrúpulo algum começou a tocar pras últimas quadras do bairro, percebi que se não agisse rápido poderia ser estuprada, morta ou sei lá o que, me dói a barriga só de lembrar dos minutos de angústia no baco traseiro do carro, certa de que seria estrupada, não tinha nada para me defender. Rapidamente pensei em mandar alguma msg, responder o Uber verdadeiro, tentar chamar alguém, infelizmente na distração do pensamento de fuga, ele me observou pelo retrovisor eufórica procurando algum  contato, num solavanco rápido arrancou o celular das minhas mãos antes que eu pudesse levantar as vistas para me defender. O pavor percorreu meu corpo, naquele momento tive certeza de que seria no mínimo estuprada.
      Quando ele entrou na última rua que ainda tinha algum movimento, olhei para baixo, uma luz, tirei meu salto e cravei com a maior força que pude a parte pontuda em seu ouvido, entrou uns 3 centímetros. Tudo não durou 10 segundos, ele perdeu o controle bateu em um poste, eu abri a porta e sai correndo a gritar na rua. Uns caras num bar viram e correram pra ajudar. Agradeço até hoje por ter escolhido aquele salto para sair aquela noite, era um salto 15 agulha, e quando olhei para ele tive certeza de para que ele fora escolhido. A coragem não sei de onde veio, acho que quando a gente vê nossa própria vida em risco, um outro ser é só mais um outro ser.

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Gustavo H R Pereira
Enviado por Gustavo H R Pereira em 30/11/2019
Código do texto: T6807665
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Gustavo H R Pereira
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 22 anos
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Gustavo H R Pereira