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A Necrópole

“No meu caminho vi a maldade espalhada e me assustei. Assustei-me inda mais com a maldade que vi em mim e espalhei ao longo do meu caminho.”

    Corria em quatro patas, rápido seus pulmões queimavam com ácido do ar raspando sua garganta, corria sem cansaço, mais e mais, potente como a força que vence as barreiras, o ar que sopra, as águas que varrem, a terra que engole ou o fogo que queima. Saltava longe no alto, e caia com o peso aterrador, nas sombras era o som do fim, o fim de todas as coisas. Corria saltava, voando no ar, êxtase de liberdade, prazer de força. Sangue, mais e mais, sangue em suas mãos, sangue em seu peito.

Ao acordar o Velho se sentia mais cansado que qualquer de seus dias, mesmo nos mais exaustivo após longas caminhadas jamais esteve tão esgotado, sentia como se fosse incapaz de abrir seus olhos, como se precisasse deitar e dormir por horas, por todo um dia, levantou-se forçosamente. Estava em meio a escuridão, não era uma escuridão total havia fontes de luz por perto, mas era certamente muito mais escuro que o vale da névoa, o chão duro de pedras e as paredes próximas tudo tinha o mesmo aspecto negro e viscoso como se uma camada de piche cobrisse todas as coisas. Com passos moldados por sua tontura e fraqueza o Velho caminhou, estava num beco e só havia uma direção a seguir.

_ Sente o sabor? Sente o cheiro?

A voz em sua mente havia retornado não havia dúvidas, e de fato sentia o sabor e cheiro, doce, metálico, podre. Era o cheiro de sangue dos mortos, impregnando o ar, e gosto de sangue em sua boca. O Velho parou lutou contra a dor em suas vísceras, mas vencido dobrou-se sobre os joelhos e vomitou, expeliu líquidos e restos alimentares mal deglutidos todos com o mesmo aspecto visceral e pútrido, vomitou por várias vezes até que seu rosto ficasse manchado pelo conteúdo, então caiu para o lado ofegante, buscando respirar um ar que parecia se recusar a adentrar seu peito. Limpou como pode sua face usando os braços, ao tentar se apoiar evitando a poça de vômito, notou que havia caído sobre um corpo, vários corpos na verdade, mesmo sem achar que poderia o Velho vomitou novamente.

_ Corpos, corpos até onde seus olhos podem ver, membros decepados, troncos decapitados, vísceras expostas, pedaços de pele aos cantos, e sangue lubrificando todo o caminho, olhe a sua volta, foi você, você matou todos eles.

O Velho sabia que se permitisse a voz em sua mente o levaria as terras da loucura de onde seria incapaz de sair, mas como não duvidar? Como não pensar que tudo seria um pesadelo? Ou um devaneio febril de sua mente cansada demais? Ele era Velho se impressionava fácil, e se fosse honesto com

sigo mesmo sua sanidade jamais foi algo em que pode depositar confiança. Incerto sobre o que fazer e ainda tentando superar seu cansaço que em muito se agravou ao fragilizar seu estômago o Velho caminhou, tropeçando no que então percebeu de fato serem incontáveis corpos. Olhou para o céu de nuvens raivosas em raios e pensou ter visto uma figura negra voando sobre ele, mas o que de fato era real? Deixou o beco e se encontrou em uma rua mais espaçosa, os mortos pelo chão um tanto mais visíveis pelo número maior de lanternas, velas e lamparinas. As casas daquele lugar, eram por falta de palavra melhor a descrição da irregularidade, umas tão altas outras tão baixas, umas tão toscas outra tão rebuscadas, e as ruas ao que podia ver seguia a mesma variação incoerente, recostou numa varanda, tudo tinha a mesma película negra e viscosa, nenhuma cor se via exceto pelas luzes frágeis, nas janelas, portas e lanternas. Estava tão cansado.

_ Sabe Velho que se adormecer fará tudo de novo, imagino que saiba, está apenas buscando uma desculpa para mostrar o que de fato é, um monstro sádico…

A voz continuou mas com o cansaço que estava não foi difícil ignorar parte do que dizia, difícil foi continuar em movimento. Deixando as ruas umas pelas outras o Velho acreditava se dirigir para o centro daquele lugar, quando viu passar correndo na sua frente uma criatura horrível, horrivelmente familiar, era um homem, mas se movia como um cão. Sem fazer juízo adequado o Velho seguiu o mesmo caminho e se deparou com o que deveria ser uma praça, as únicas indicações eram a estrutura circular e o monumento ao fundo que se olhado do ângulo certo se passaria por uma igreja. O homem com modos de cão parou abruptamente escorregando suas mãos e pés no chão viscoso e saltou sobre um mendigo que estava meio sentado meio deitado contra uma das paredes do que deveria ser uma fonte d’água, enquanto o Velho observava sem reação o mendigo servir como presa ao homem cão um outro o atacou pelo lado empurrando para longe da praça em direção a outra parede. O Velho abriu seus olhos em espanto, mas o homem que o empurrava tinha olhos ainda mais abertos, e eram os únicos indicativos de humanidade naquela criatura, pêlos grossos cobriam todo o corpo do assaltante, que com mais dois fortes empurrões tombou o Velho que ergueu seus braços em frente ao rosto imitando parcialmente o gesto de seu agressor que se preparava para golpeá-lo. O Velho fechou seus olhos, e sentiu algo, algo que ardia como brasa e crescia rápido demais do meio de sua barriga para o resto do seus corpo, essa sensação trazia dor e excitação.

_ Ha! Não disse que era um monstro? Olhe as suas mãos Velho! Vamos olhe!

O Velho estava em pé com sua cabeça e braço encostados contra uma parede úmida e fria, sem saber exatamente porque, ele obedeceu a voz e olhando para baixo viu através de formas enevoadas sua mão negra e molhada pendurada ao ar, viu então ela diminuir em tamanho e retornar ao seu tom mais claro. De repente ofegante em choque o Velho virou-se deixando que suas costas batessem contra a parede, acima nos céus luzes em vermelho e cores de fogo permeavam as revoltosas nuvens escuras, uma ave negra gigantesca cruzou o ar diante dos olhos ofuscados Velho.

_ Há quanto tempo está aqui?

O Velho moveu seu pescoço para lado de onde vinha a voz que lhe falava, e apenas ao ter de olhar para cima viu que estava caído ao chão novamente, a figura era clara mas o Velho não conseguia focar o suficiente para distinguir suas feições.

_ Há quanto tempo está aqui? Procure em suas memórias. Precisa se levantar, este lugar nos ataca de maneiras estranhas.

_ Quem é você? - disse o velho somando esforços para manter os olhos abertos.

_ Ajudaria se dissesse que tive muitos nomes? E que ao longo do tempo os significados mudaram tanto que a origem se perdeu?

_ Num outro dia talvez, hoje acho que preciso de respostas mais objetivas.

_ Se é assim, meu nome é Ethos.

_ Honra em pessoa está morta? Se é o caso não sei como posso cumprimentá-lo, mas meu nome é Sene.

_ Muito bem Sene procure se acalmar, e tente não se mover.

A figura clara que afirmava ser o mais nobre dos atributos humanos parecia se aproximar, mais e mais perto do pescoço de Sene, numa ação reativa o Velho caído moveu sua mão com fim a impedir a aproximação da figura, o que seguiu foi um grito de dor partindo da figura clara e outro como um urro animalesco de dentro do Velho, e desta vez ele viu. Viu suas pernas e braços crescerem para duas vezes seu tamanho, viu seus dedos se alongaram e se tornarem rígidos com lâminas, viu sua pele se tornar negra e lustrosa e nos olhos da figura clara viu a silhueta de suas orelhas grandes e pontudas antes de abrir sua boca. Segurar com seus dentes a cabeça e cortar com as garras de suas mãos pés era algo tão estimulante que mal podia segurar o prazer que sentia,

mas os membros se soltavam fácil demais e quando percebeu estava só novamente perambulando pelas ruas. Os gritos que ouvia dentro de sua alma iam ficando mais e mais altos.

_ Já nem ouve minha voz não é Velho? Isso é o que merece por desobedecer.

Quando seus olhos recuperaram algum foco o Velho estava seguindo em direção a um brilho que surgia no horizonte como um farol guiando os perdido no mar. Uma luz maravilhosa de branco gélido e aura ancestral, uma luz em meio a escuridão. Sem se dar conta, já havia atravessado boa parte daquela cidade de escuridão e morte, mas seus passos ainda eram lentos e pendiam para um lado e para o outro, mais próximo da luz viu escadarias elevando seu destino para mais alto que as construções atrás dele. Antes, porém que pusesse sequer um dos pés além das escadas, som de asas batendo e folhas caírem dos céus, abaixando-se para tocá-las percebeu.

_ Penas, são penas negras, longas e pontudas como de uma ave de rapina. - disse o Velho recobrando boa parte de sua razão, então sim adentrou o templo de cujo teto em abóbada a luz branca emanava, mas dentro no que seria um salão a mesma luz era pálida e deixava raios brancos cortando o ar, como o sol tímido cortando pesadas nuvens.

_ Entre, sabemos que o teu tempo não será perdido se ficar aí, mas a fera pode voltar a qualquer tempo, além do mais esta distância deselegante torna a conversa muito menos prazerosa, não se preocupe, a voz não o seguirá, neste templo apenas círculos completos podem entrar.

O homem que falou atravessou o salão como se tivesse usado uma entrada lateral, ainda que o Velho não visse nenhuma, era alto e tinha todo seu corpo coberto por um manto de peles negras. Mesmo sendo alto como três homens seus movimentos eram gentis e parecia ter a eternidade para chegar a qualquer lugar, ele fez um gesto de cumprimento com a cabeça e se pôs em direção aos fundos do salão onde havia um grande trono adornado com vinhas cor de prata reluzente. As vinhas cresciam sobre e ao redor do trono juntavam-se então ao fundo e ganhando altura até o teto em círculo invertido aumentavam seu brilho aderindo ao branco gélido da abóbada. O homem misterioso andou até os degraus que levavam ao trono, mas parou gesticulando novamente em convite com a cabeça. O Velho, entrou e sentiu o alívio imediato em seu espírito, seus pensamentos estavam sós numa forma diferente de dor, uma que poderia trazer a paz, respirou então o ar da calmaria e tendo finalmente vencido seu encanto como o cenário caminhou até o local. Naquele meio tempo o

homem sentava-se no trono e usando sua mão destra descobria sua cabeça deixando o manto de pelos cair sobre seus ombros, o peito debaixo estava nu.

_ Sene, um belo nome, se aplica muito bem e faz me lembrar de tantas coisas, quer se aproximar mais?

O Velho não moveu um único músculo, incapaz de acreditar no que via, eram os mesmos olhos, era o mesmo terror, a mesma luxúria, medo e fascínio, era a mesma pele de cor cinza escura, os mesmos cabelos caindo sobre os ombros, cabelos tão negros como, como a própria.

_ Noite. - disse o velho, por um instante que pareceu uma eternidade, aquela foi a única palavra que escapou sua boca, e ao ouvi-la o homem misterioso sorriu fazendo o mesmo gesto educado com a cabeça que trazia seus cabelos a frente do rosto e encobria por uns instantes a luz branca de seus olhos.

_ Se continuarmos assim, será pouco produtiva sua visita não acha?

Sem esperar pela resposta do Velho que provavelmente não viria, o homem misterioso alcançou atrás do trono uma lira de oito cordas, o instrumento tinha um ar de eternidade sobre si, seu metal era escuro e era quase tão longa quanto o próprio Velho. O homem misterioso acomodou a imensa lira sobre seu colo e dedilhando as cordas produzia sons que penetravam a alma do Velho, eram graves e retumbantes, apenas quando ouviu o Velho percebeu o quanto real era a ausência de música na Necrópole. O homem misterioso passou a tocar uma melodia de compasso lento, e olhando no olhos do Velho lhe falou com sua voz educada como se nada fosse capaz de fazê-lo ter pressa.

_ Nos meus dias de caminhar sobre as terras, era uma grande honra caçar as feras devoradoras de estrelas, era aliás uma prova de coragem, pois nenhuma arma pré-fabricada era permitida, e uma vez que se entrava nos territórios de caça, o caçador também se tornava presa. Meu alvo foi um canino feroz de pelo negro como a noite, era grande como uma montanha, percorri suas trilhas por vários dias e quando me deparei com ele nossas lutas duraram outros dias mais. Para lembrar-me daqueles tempos carrego esta pele - disse o homem misterioso olhando para seu ombro, erguendo uma das sobrancelhas sorria confiante com apenas um lado do rosto, sua mão direita tocava as cordas em duplas ou trios formando sons ainda mais belos por seus intervalos.

_ Não muito resta daqueles tempos jovem Sene, esse é o grande preço da vida, a inevitável passagem que acomete todas as coisas. O retorno ao pó.

_ Ela ainda está lá? Quero dizer, meu senhor…

O homem misterioso fechou os olhos por um instante como se fosse rir de uma piada inocente, mas o riso jamais veio.

_ Fascinante ela não é? Contemplar a beleza de minha irmã é como se afogar voluntariamente em maravilhas sem fim, mas deixe-me avisá-lo jovem Sene, minha também tem seus caprichos e não é sábio se iludir com eles.

O Velho mergulhou em seus pensamentos por instantes mais ouvindo o som poderoso da lira. Sua vontade era desabafar seus sentimentos, dizer a ele que nada mais lhe importava e tudo o que queria era depositar sua existência nas mãos divinas da Noite, fechar seus olhos e com ela sonhar pela eternidade, queria dizer mesmo não sendo digno não havia outra forma de amor em sua vida, além da imagem de Nyx que, crescente como as vinhas, destruía seu peito, queria dizer muito mais. Não disse, pois Érebo já saberia de tudo o que teria a dizer.

_ Indeciso sobre como continuar, sem esperanças de sucesso, ainda assim incapaz de desistir. Jovem Sene este é o presente da vida, está mesmo pronto para desistir de tudo por algo tão incerto? O que busca é mais fugaz que a idéia do vulto da passagem da sombra da Lua sobre a terra. Assim é a ação dos deuses se relativa aos homens, ainda que pensem em grandes e catastróficos acontecimentos, que varreriam a humanidade num instante, a obra de fato moldada pelos deuses simplesmente passa despercebida, pela sua mera incapacidade de compreensão.

O Velho se via confuso, será o amor o deixava cego ou era essa a incapacidade humana? Colocamos nossas falhas nos deuses como ciúmes ou inveja, por acreditarmos que somos a imagem deles, mas se bem pensado projetar nossos defeitos nos deuses torna eles a nossa imagem e não o contrário, em quê uma forma tão vasta quanto ele invejaria em mim?

_ O que você recebeu de minha irmã é comparável a olhar com piedade um inseto que acabara de ser pisoteado e mesmo sabendo que não pode fazer muito por ele, sabendo que não poderá melhorar sua condição de vida por mais que um suspiro, nem fazer o inseto compreender sua insignificância, resta apenas sentir pena.

_ Entendo que com isso não me concederá o que vim pedir.

_ Jovem Sene seu pedido já foi aceito, fique o quanto quiser.

Ficar? Pensou o Velho. Permanecer e se perder nesse mundo? Perder a consciência e se tornar um monstro por completo. Tornar-se pó como aqueles lá fora.

_ E quanto a Noite?

_ Poder ver por si mesmo.

_ Ela não está aqui...

Esperar? Permanecer e se tornar pó, por mais forte que fosse seu amor, por mais duradoura que fosse sua vontade, iria se perder nas trevas sem ter a chance de se quer declarar sua devoção a ela. O semblante de Érebo se tornou solícito ele então se levantou e deixou sua grande lira repousar sobre o trono, logo num gesto tão natural abriu suas asas negras pairando no ar até o meio do salão do templo. Lá como uma pequena e longilínea torre negra o deus esperou deixando seu longos cabelos caírem a frente do rosto ao olhar para baixo o Velho que se aproximava e com sua voz gentil lhe falou.

_ Nenhum homem será um deus, nenhum deus será um homem, os tempos não nos unem, apenas permitem que nos encontremos, mas veja que encontros como esse aqui permitem muito, e muito é dado aqueles com poder para conquistar, homens como você se tornaram imperadores ou sábios ou lavradores, aqui também encontrará destinos grandiosos, todos tem suas feras a conquistar. Então se quer viver em meu reino pela eternidade que te restar ciência é bem vindo.

O deus revelava partes nuas de sua pele cinzenta ao tocar o manto de peles negras que o cobria e alcançava o chão, mas virou-se então de lado em maneira de permitir ao Velho acesso livre à porta do templo e além das escadas ouvir os uivos da Necrópole.

_ Se recusar imagino que jamais terei outra chance.

_ Acredito que percebeu quando adentrou este mundo, que não havia divindade julgando os habitantes da Necrópole, nenhuma arbitrária pesagem de caráteres ou feitos, quem julga é você mesmo, o quão mais compreender sua alma mais acurada será a imagem da sua avaliação representada aqui. Assassínios, fanáticos ou extremistas, são aquelas figuras grandes demais para se moverem e incapazes de aceitação mesmo para dar um único passo ou emitir qualquer som. Aqueles vítimas de questões mentais, são as formas indefinidas que vagam em seus incertos propósitos. Aqueles de entendimento mais simples, são as formas humanas de diferentes tamanhos que aos poucos vão se tornando animalescas, e por fim os sábios ou de maior entendimento são os chamados imperadores.

_ Acho que finalmente entendi, por longo em minha vida percebi minha alma, como quem sente o coração bater embaixo da mão, mais ainda em minhas ações pude sentir quando machuquei e sangrei meu espírito, com cada macha ofuscando mais e mais da luz que anima meu ser. Um tanto mais velho percebi que não seria capaz de destruir minha alma, por mais que tentasse, mas o que me tornei por vezes foi muito pior que morte, tornei-me num monstro.

_ Ora não seja dramático, já que conhece este lugar e conhece os riscos também, se não está preparado siga seu caminho como deseja, no caso de má sorte vier cair sobre si, procure o Templo da Lua em certeza de ser bem recebido.

Por generosa que fosse a oferta, dúvida queimava em seu coração e ainda pedia mais, pedia por ela, em tristeza o Velho percebeu que precisava seguir seu caminho, ainda que fosse de solidão e de dor, ainda que ela não estivesse ao fim do destino, cada passo da jornada já valia o suficiente. Antes que pudesse perguntar como seria capaz de retornar aos vivos, e temendo que a resposta fosse ter de atravessar a Necrópole o Velho hesitou, mas como era esperado, o deus negro antecipou os receios do velho e com mãos enormes, mas surpreendentemente delicadas entregou-lhe uma pena grande e negra que diferente das que viu na entrada do templo emitia um brilho prismático percorrendo suas pequenas fibras como óleo, Érebo sorriu.

_ Esta pertenceu a ela. Se quer retornar, apenas feche seus olhos e aceite de bom grado as trevas dentro de você.

Ainda mergulhado nos detalhes fascinante da pena negra em suas mãos o Velho buscava o real significado do requisito que os deus negro impôs, num instante após percebeu que sim havia escuridão em sua alma, muito maior do que imaginava.

_ Aceito as treva dentro de mim.

Fechou seus olhos e pode ouvir o grito bestial, da fera em seu peito antes de acordar aos pés do Dvari que fumando seu cachimbo dentro do cavo, onde uma estalactite forma poças no chão de granito
Juliana Montenegro
Enviado por Juliana Montenegro em 30/11/2019
Código do texto: T6807606
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