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Presentes de Natal

A noite de natal já estava rolando, aquela música alta, muita gente dançando, outros rindo e se divertindo, outros conversavam pelos cantos e outros apenas bebericavam e se fartavam de tamanha comida na ceia dos Hoppins.
Mas aquele grupo de grandes amigos, estava no porão, reunidos como sempre faziam toda noite do dia 24 de dezembro. Gostavam de ficar ali jogando rpg e bebendo juntos. Os jovens Patrick Hopkins, filho da família anfitriã da festa, Mason Olsen, seu melhor amigo do ensino médio, Luana Higgs e sua prima Marianne. Patrick sempre fora apaixonado por Luana desde a infância, mas ela só o via como um amigo.
Estavam compenetrados em mais uma sessão de Dungeon and Dragons que Mason comandava.
Todos na festa até esqueciam deles, pois se isolavam totalmente naquele porão.
Marianne estava em uma situação delicada no jogo, pois nesse exato momento, sua personagem, uma elfa chamada Makyra, estava encurralada por coincidência no porão de uma casa abandonada na floresta por uma horda de Orcs malvados. Ela então, pedia por socorro do mago Netrill, personagem de Patrick.
O rapaz que não era bobo, não deixava passar uma oportunidade de tentar encantar sua amada. Ele gostava de interpretar mesmo os seus personagens e falou:
- Estou indo ao socorro de minha linda donzela. Lanço uma magia de obscuridade, ando por entre as sombras e jogo uma bola de fogo na entrada da casa. E lá se foram os dados lançados, que para sua surpresa e deleite, formaram um trio de números seis, o que lhe rendeu um excelente ataque crítico ateando fogo em todas as vis criaturas e podendo entrar antes que a casa pegasse fogo também e resgatasse sua amada do porão. Luana ficou tão feliz que deu um longo abraço no seu amigo e todos festejaram o sucesso.
E a partida continuou rolando noite adentro.
Quase próximo a meia noite, Patrick disse que pegaria mais cervejas para o grupo e perguntou a todos quem queria e todos gritaram quase em sincronia:
- Sim, por favoooooooooooooorrrrr!
Então ele se retirou e já ia saindo pela porta quando ouviu:
- Eu vou com você querido! Agora é minha vez de proteger você, disse Luana rindo!
E ouviram um coro de: - Uhhhhhhhhhhhhhh! dos outros dois jovens.
Então seguiram para a cozinha.
Essa parte da casa estava deserta, pois ficava mais para o começo e a festa rolava na parte de trás onde tinha um grande jardim, com piscina, mesas e cadeiras, som alto e várias coisas.
Mas então Luana e Patrick trocaram algumas palavras e ele não cansava de admirar a bela jovem e elogiar seus traços, seu cabelo, sua beleza, mas ela apenas dizia:
-Meu querido, você é meu melhor amigo, e meu herói, mas só isso, tá bem?
- Mas nem eu salvando a sua vida?
Luana apenas gargalhou e deu uma leve chacoalhado nos cabelos encaracolados de seu amigo.
Seguiram até a geladeira, e pegaram quatro cervejas no congelador.
Abriram as suas e brindaram ali mesmo. Estavam agora se dirigindo para voltar ao porão cada um carregando duas cervejas quando ouviram uma batida na porta da frente.
Patrick falou:
- Ué, mas quem raios pode ser essa hora? E porque não tocou a campainha?
- Será que seus pais não estão esperando mais alguém da família?
- Claro que não Luana, o pessoal vem cedo para não perder a ceia e essa hora já estão quase indo embora, você passa todo natal aqui comigo e parece que não sabe, affff!
Luana já meio alta de tantas bebidas apenas sorriu de volta para o amigo enquanto lhe passava um dos braços pelo pescoço e disse:
- Então será que são os Orcs querendo vingança pela sua enorme bola de fogo?
- Bem que você ia gostar disso né sua doida?
Então os dois seguiram para a porta e Patrick olhou pela pequena janelinha em cima da porta e não viu ninguém mas havia algo no chão em frente a entrada da casa, próximo ao tapete escrito: Ho ho ho, Feliz Natal! Entre sem bater, fique pra comer!
Então, Patrick achando aquilo estranho tirou o trinco da porta e a abriu devagar.
Luana abriu um largo sorriso e disse:
- Que lindoooooooooo! Olha Patrick, deixaram quatro presentes aqui para nós, que coisa mais fofaaaaaaaaaaa!
- Luana, como assim deixaram presentes para nós?
- Ué, são quatro embrulhos, para quem mais seria seu bobo? Seus pais sabem mesmo como viver o espírito do natal né? E foi logo pegando os embrulhos.
Patrick disse:
-Me da aqui que eu te ajudo a levar, e pegou dois com a amiga e levaram os embrulhos até o porão.
Quando chegaram lá acabaram sem querer estragando o clima amoroso entre Marianne e Mason. Os dois deram um salto se desgarrando e disseram envergonhados:
- Ah já voltaram, que bom! Cervejaaaaaaaaaaaaaa!
Mas então Marianne viu a prima com embrulhos lindos na mão e disse:
- Primaaaaaaa, presentes? Obaaaaaaaaaaa!
Mason falou exatamente a mesma coisa para seu amigo, Patrick.
Então Patrick disse:
- Gente vocês não vão acreditar no que vamos falar, mas estávamos lá na cozinha pegando as bebidas quando ouvimos uma batida na porta e não tinha ninguém, apenas esses quatro presentes.
Mason então sorrindo disse:
- E o que estamos esperando? Vamos abrir né cara!
Mas e ai? Quem vai ficar com qual embrulho, disse Luana.
Todos ficaram se entreolhando, até que Patrick percebeu algo estranho.
Gente, peraí, mas olhem isso aqui e disse mostrando um dos embrulhos que tinha uma embalagem roxa. Virou a parte debaixo e nela tinha um símbolo, um símbolo de um cajado. Ele disse:
- Será que esse é do meu mago? O cajado, o que mais pode significar?
Marianne disse:
- Nossa, é verdade Patrick. Deixa eu pegar esse outro aqui! E assim pegou a caixa com embrulho amarelo. E olhou embaixo, mas não tinha nada, nenhum símbolo. Achou aquilo estranho e devolveu ao chão. Luana pegou então uma outra com embrulho verde e olhou embaixo dela e tinha um símbolo de uma espada. E logo disse:
-Mari esse só pode ser seu minha querida, sua guerreira.
E então Mason pegou a última caixa com embrulho laranja e embaixo dela, um símbolo de duas orelhas bem pontiagudas, e todos disseram:
-Luana, é a sua elfa sem dúvida alguma e riram todos.
Então depois ficaram intrigados com a caixa sem símbolo mas Patrick disse:
- Gente, essa só pode ser do Mason, ele é o mestre, não tem um personagem!
Todos concordam com a cabeça e então resolveram abrir seus embrulhos.
Marianne antes de começarem, sugeriu:
-Vamos um de cada vez, assim vemos com calma o que cada um ganhou.
Todos concordaram e a primeira a abrir o embrulho foi Luana. Quando ela começou a abrir seu embrulho e tirou a tampa ficou espantada com o que viu dentro da caixa.
Todos ficaram curiosos esperando ela tirar o que havia dentro. Então ela tirou bem devagar e todos ficaram sem entender. Ela puxou um celular, era lindo, de ultima geração, todo rosa com brilhos, na caixa novinho.
Patrick perguntou:
- Luana, seu presente é muito iradooo! Porque essa cara de espanto?
- Vocês lembram da nossa brincadeira todo ano, do recanto dos sonhos?
Marianne, Mason e Patrick se olharam e responderam:
-Simmm!
Essa brincadeira que Luana se referia era de irem todo ano um mês antes do natal em uma antiga praça conhecida como Recanto dos sonhos onde crianças depositavam cartinhas para papai Noel. Mas eles apenas escreviam cartas endereçadas ao polo Norte e colocavam dentro da sacola do boneco de neve que ficava na praça.
Luana então respondeu:
- Eu escrevi esse ano pedindo esse celular gente, exatamente desse jeito, rosa com brilhos. Não estou acreditando, isso foi brincadeira de algum de vocês né?
- Todos ficaram meio assustados mas responderam que não.
Patrick então disse:
- Deixa eu abrir o meu então.
Quando ele abriu, foi a vez dele ficar boquiaberto, e logo Mason perguntou:
- Foi algo que você pediu também?
- Olha isso, disse ele mostrando a caixa para o amigo.
E Mason então puxou da caixa um kit completo de Dungeon Dragons com mapas, miniaturas, dados, tudo, novinho em folha. Na caixa ainda.
Foi a vez de Marianne abrir o seu.
E a mesma reação dos amigos. Ela retirou da caixa um kit completo de maquiagens, lindo enorme, novinho na caixa.
E por último Mason abriu e tirou da caixa algo que intrigou a todos.
Ele tirou uma chave. Uma chave de carro.
Patrick olhou pra ele e disse:
- Não me diga que você pediu mesmo ele?
As meninas curiosas falaram:
- O que meninos? Pediu o que? Um carro?
Patrick respondeu pelo amigo:
- Não foi um carro apenas, mas o carro! Um Rolls Royce!
Então todos correram para a garagem com aquela chave na mão e lá estava ele. O carro lindo todos embrulhado, novinho com um embrulho em volta dele todo.
Patrick disse:
-Meu Deus gente, isso só pode ser um sonho. Vamos esperar dar meia noite e vamos abrir tudo juntos? O que acham?
- Ahhhhhhhhhhhh, eu quero ver meu celular lindo! Vamos abrir logoooo!
- Nãooo! Nós temos uma tradição de natal pessoal, vamos lá!
Meio contrariados todos concordaram então. Faltava ainda meia hora para meia noite. Voltaram para o porão para continuar jogando e deixaram suas caixas na sala perto da árvore de natal.
Então voltaram ao jogo até que Luana disse que precisava ir ao banheiro.
O jogo seguiu e Luana foi furtivamente até a sala e pegou seu embrulho. Retirou o celular e levou com ela lá para o banheiro.
Não aguentava de tanta ansiedade e queria abrir para ver como ele era fora da caixa. Retirou todo o lacre e pegou o aparelho. Era realmente lindo demais. Ela então apertou o botão para ligar quando de repente sentiu algo estranho. Começou a se debater e foi caindo, sentiu algo fazer seu corpo todinho tremer, era como se ela tivesse levado o maior choque de sua vida, uma descarga tão forte que não conseguia nem gritar por socorro, ela simplesmente caiu no chão se debatendo demais até que finalmente seus olhos se fecharam e estava morta ali no chão do banheiro com o aparelho na mão.
Marianne então disse:
- Nossa gente a Luana tá demorando né?
- Eu vou lá ver se está tudo bem e já volto tá bem?
- Os meninos concordaram e lá foi ela. Antes dela chegar ao banheiro passou pela sala e olhou para a arvore de natal na sala e não aguentou de curiosidade, pensou em ver o seu kit de maquiagem rapidinho. Qual seria o problema afinal. Deu uma corridinha e pegou seu embrulho. Notou que o que o embrulho de Luana estava aberto e falou:
- Que safadinha! Já abriu o dela! Vou fazer o mesmo então já que ninguém está aqui! E então ela abriu seu kit de maquiagem, foi aos poucos retirando o plástico e a proteção toda, e finalmente levantou os prendedores do estojo. Assim que ela abriu e revelou o kit ela sentiu algo estranho em seus dedos, pareciam estar formigando, ardendo, enquanto mexia nos pinceis, sombras, delineadores, seus dedos foram ficando cada vez mais quentes, depois suas mãos, os braços, e foi notando sua pele ficar roxa, não estava entendendo mas aquilo estava lhe fazendo muito mal, ela se coçava e largava as coisas até que caiu no chão e ao poucos foi sufocando, botava as mãos contra a garganta tentando gritar mas não conseguia. Ela já estava morta ali mesmo, envenenada.
Depois de alguns minutos Mason e Patrick resolveram ir atrás das meninas. Quando chegaram na porta do banheiro, viram que estava aberto mas não estavam lá. Acharam estranho e foram até a sala para procurar por elas. Mas também não acharam, só que notaram que os dois embrulhos delas estavam abertos.
Patrick então falou:
-Mas que droga, eu pedi para esperar né? Mulheres, afffffff!
Mason então disse:
- Ah cara, eu vou entrar naquele carro rapidinho então só pra ver como é tá bom?
- Eiiiiiiii! E as meninas caras?
- Ah elas devem ter ido usar os presentes delas em outro canto para nós não sabermos né? Sabiam que você ia ficar bolado!
- Cara você faz o que quiser, eu vou procurar por elas!
E Mason então pegou a chave do seu embrulho e foi até a garagem. Ele tirou toda a embalgem que estava cobrindo o carro revelando um lindo Rolls Royce preto. Ele então estava acabando de tirar tudo da parte traseira do carro quando ele ligou sozinho e ele não teve nem tempo de gritar ao ver o carro dar ré e passar por cima dele, a garagem era bem grande então o espaço entre o carro parado perto da parede até o portão era suficiente o carro passou por cima dele varias e varias vezes deixando o corpo completamente esmagado ali e Mason morreu na mesma hora. A chave ficou caída do lado do corpo no chão.
Patrick tinha rodado a casa em busca das meninas mas não achava então resolveu fazer o mesmo que os amigos. Passou pela sala denovo e foi até a arvore e tirou seu kit de jogo de rpg. Retirou todo a embalagem e quando finalmente acabou de tirar tudo e pegou o kit nas mãos sentiu seu corpo arder, arder muito, esquentar e se viu em chamas, queimando, uma sensação horrível, queimando vivo, até que virou cinzas e ali morria também.
Quando finalmente deu meia noite a mãe de Patrick foi até o porão chamar os meninos para a troca de presentes, mas não os achou. Procurou eles pela casa toda. Viu aqueles embrulhos perto da arvore vazios e não entendeu nada. Chamou seu marido. Eles resolveram olhar na rua para ver se tinham ido a algum lugar e quando abriram a porta, Justine, mãe de Patrick viu algo preso junto ao tapete deles de entrada.
O coração dela já gelou, então seu marido pegou o envelope e o abriu.
Ele então viu um papel que tinha escrito:
- Abram apenas depois da meia noite ou sofram as consequências!
Depois daquele dia o natal nunca foi o mesmo...

Peço a todos vocês que lerem esse conto que comentem aqui o que vocês acharam dele, se gostaram ou não, deixem sua opinião pois ela é muito importante para mim. Um abraço em todos vocês e agradeço a todos que estão aqui lendo e comentando.

Andradon
Enviado por Andradon em 18/10/2019
Reeditado em 18/10/2019
Código do texto: T6772539
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Andradon
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 36 anos
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