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A casa do medo



      Aquela casa..., aquela maldita casa..., sinto arrepios só de me lembrar daquele lugar. Eu era jovem, tinha por volta dos meus quinze anos quando tudo aconteceu, e lembro detalhadamente sobre tudo..., literalmente tudo.
Eu costumava morar em um bairro bem tranquilo e com poucos moradores, era a típica cidade de interior onde todos se conhecem. Justamente na rua onde eu morava, existia uma casa, e que estava completamente acabada e praticamente em pedaços.
      A típica casa assombrada nos filmes de terror, portão baixo e enferrujado, anões de jardim em pedaços, o gramado completamente morto e uma arvore praticamente tombada. Todos os jovens do bairro temiam aquela casa, só de passar em frente, subia aquele arrepio até a nuca.
      Em praticamente todas as datas comemorativas, principalmente halloween, aquele lugar ficava ainda mais medonho e assustador, o que espantava muita gente dali. Eu não ligava muito para aquele lugar, para mim, era apenas mais um lugar abandonado no bairro e que todos tinham aquele medo atoa, era uma casa, o que mais ela podia fazer? Devorar criancinhas curiosas? Ou melhor, devorar pequenos animais indefesos?
      Nunca tive medo de fato daquela casa, até um grupo de amigos irem dormir em minha casa em pleno final de semana, e como todo jovem, nós costumávamos fazer aquele jogo ‘’verdade ou consequência’’. E aquela vez não foi diferente.
      Nos reunimos em minha casa da árvore e já era meia noite praticamente, onde iniciamos o jogo. Começamos com pequenos desafios e aos poucos fomos aumentando a dificuldade deles.
      Até que um deles decidiu me desafiar, e com uma grande surpresa, o infeliz me propôs em entrar na casa abandonada do final da rua, que era justamente a casa que todos temiam. E como eu não tinha medo algum, aceitei tranquilamente e com um semblante de coragem em meu rosto.
      Éramos seis ao todo e assim, fomos em direção da casa, aquela maldita casa, a qual me arrepio todo só de lembrar..., logo que chegamos em frente do local, olhei para meus amigos e todos estavam pálidos e completamente arrepiados.
      Todos pareciam cachorrinhos com o rabo entre as pernas de tanto medo que estavam por estarem ali. Continuei confiante e suspirei, seria tranquilo e eu iria provar para todos que aquele lugar não passava apenas de uma casa abandonada.
      O lugar tinha uma pequena trilha em meio o jardim e que era bem horripilante, e estava tudo literalmente morto ali, o que me deu leves calafrios e um pouco de medo. A cada passo que dava, era uma olhada para trás, com meus amigos extremamente apavorados, fazendo gestos para que eu continuasse. Apenas respondi positivamente com a cabeça e engoli seco.
      Assim que cheguei na porta daquela enorme casa assustadora, dei uma última olhada para trás, em seguida, coloquei minha mão sobre a maçaneta, fechei os olhos e com muita coragem, abri a porta, logo, um gato preto saiu de dentro da casa com tanta velocidade, me dando um breve susto.
      Me recuperei do susto e fui adentrando a casa, que estava completamente escura..., olhei para os lados, tentando encontrar algum interruptor, e acabei encontrando um ao meu lado esquerdo, mas, não funcionava. Fiz questão de voltar até os meus amigos, pois, sabia que um deles estava com uma lanterna e isso me ajudaria lá dentro, já que a luz não funcionava por lá.
      Pego a lanterna, voltei mais uma vez para dentro daquela casa, aquela maldita casa..., assim que adentrei o lugar, senti uma forte energia ruim vindo de lá. Fui dando pequenos passos e observando tudo ao meu redor, queria me certificar de que era apenas um lugar comum como qualquer outro e que esse papo de assombrado, é coisa da cabeça dos outros.
      Nesse exato momento onde eu caminhava pela casa, comecei a ouvir alguns barulhos vindos do andar de cima, mas era praticamente impossível, até porque, ninguém morava ali. Provavelmente fosse outro gato ou até mesmo um rato, com isso, acabei ficando menos preocupado de ter alguém ali comigo.
      Em pouco tempo, aqueles sons pararam e continuei caminhando pela casa, entrando em todos os cômodos dali, tendo assim, a confirmação de que era apenas um lugar qualquer e que não dava medo algum. Olhei para meu relógio em meu pulso e percebi que já havia dado o tempo de sair da casa.
      Apertei os passos até a porta e assim que girei a maçaneta, notei que a porta estava trancada, o que me deixou um pouco apavorado, até pensei que fossem meus amigos, mas não faria sentido algum. Fui até a janela e acenei para eles, eu estava completamente assustado.
      Meus amigos vieram correndo até a janela da casa, onde acabei conseguindo abrir uma pequena brecha e contando o que estava acontecendo. Precisava da ajuda deles para sair daquele lugar horrendo o quanto antes.
      Enquanto conversava com meus amigos, pude ouvir aquela série de sons mais uma vez, e que vinham de todos os cantos da casa agora, o que achei estranho, até porque, estavam vindo apenas do andar de cima. Era como se tivesse alguma coisa dentro daquela casa, mas logo que comecei a ouvir aquilo, meus amigos me olharam espantados e apontaram para trás e se esconderam no batente da janela.
      Com muito medo, olhei para trás e notei que se tratava de uma garota, provavelmente mais nova que eu, loira, completamente pálida e com a garganta cortada. Por muito pouco, ela não me viu, acabei me escondendo atrás de um sofá que tinha perto da janela. O que me deixou um pouco mais protegido.
      Tentei observar aquela garota sem que ela me percebesse, mas assim que eu consegui, ela havia sumido dali o que foi bem estranho e assustador. Apenas fui saindo de trás daquele sofá e indo para a janela mais uma vez, tentando falar com os meus amigos, mas assim que fui tentar falar com eles, a janela não estava mais lá, foi como se ela nunca estivesse ali.
      Aquilo me deixou completamente aterrorizado e sem saber o que fazer, apenas tentei encontrar alguma porta para sair daquele lugar maldito e medonho. Enquanto caminhava pela casa, pude ouvir mais alguns sons e um deles, era exatamente de duas crianças, que vinha da cozinha.
      Mas, assim que cheguei ao local, não encontrei nada, apenas duas bonecas, que estavam em cima de um balcão, e o que me deixou mais assustado ainda, é que as bonecas eram totalmente realistas, não me atrevi a chegar perto, mas me subiu um enorme arrepio na nuca, o que eu nunca havia sentido antes.
      Enquanto caminhava pela cozinha, na esperança de encontrar uma saída, notei um certo movimento vindo das bonecas, e assim que apontei minha lanterna para elas, o movimento parou. Assim, continuei caminhando e novamente a movimentação continuou, apontei mais uma vez para as bonecas, e ambas pararam. Até ouvir gargalhadas de crianças, as mesmas que eu havia ouvido minutos atrás.
      Aquele meu arrepio aumentou ainda mais por ouvir tais gargalhadas e que provavelmente estavam vindo das bonecas. Com uma coragem jamais vista em mim, me aproximei de ambas, olhei fixamente em seus olhos por um bom tempo e então, as peguei, joguei-as no chão e finalizei com um grande pisoteio nas duas.
      No lugar das gargalhadas, pude ouvir sons de desespero e dor vindos das bonecas, me fazendo perceber que elas estavam com almas aprisionadas dentro delas, e que provavelmente seriam de crianças. Terminando de pisoteá-las, senti um enorme empurrão, me fazendo ser jogado contra a parede.
      O impacto me fez desmaiar e acordar horas depois, sendo arrastado por alguém, e assim que tomei consciência mais uma vez, percebi que se tratava de um homem extremamente grande e forte. Tentei escapar, mas sem êxito, o homem olhou para mim e ao ver seu rosto, meu corpo inteiro estremeceu.
      O homem tinha o rosto completamente desfigurado e ele me olhava de um jeito completamente assustador e sombrio. Mais uma vez, tentei escapar, mas aquele homem apertou ainda mais minhas pernas, para certificar de que eu não escaparia. Ele acabou me levando novamente para a sala, onde notei que outros seres estavam ali, inclusive a garota loira. Todos me olhavam de uma forma completamente assustadora, como se quisessem provar sua existência, justamente por eu não acreditar nessas baboseiras de espíritos e assombrações.
Aquele homem me colocou em uma cadeira e me amarrou com toda sua força e assim, pude observar melhor todos aqueles seres, e o que mais me chamou a atenção, foi um que não tinha pernas, era grudado com outro ser, assim, um completava o outro.
      Eu estava completamente assustado e não sabia mais o que fazer, apenas aceitei a minha possível morte ou possessão, pois não fazia ideia do que aqueles seres fariam comigo.
      Até que todos foram se aproximando de mim e sem dizer uma única palavra, literalmente, meus olhos foram arregalando ao perceber que aquele mesmo homem que havia me levado até a sala, estava com um machado em suas mãos, prestes a me matar. E por instinto, fechei completamente os olhos e quando abri, levantei completamente assustado e desesperado de minha cama.
      Notei que aquilo tudo não passara de um sonho e lembrei que naquele mesmo dia, eu e meus amigos decidimos contar histórias de terror um para o outro, e eu acabei contando uma completamente horrenda, o que deixou todos assustados, principalmente eu.
      Fui até o banheiro, onde lavei e sequei meu rosto, logo, voltei para o meu quarto, indo até a janela e observando aquela casa, aquela maldita casa..., onde até hoje, me causam arrepios.
B Folk
Enviado por B Folk em 17/10/2019
Código do texto: T6772246
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Sobre o autor
B Folk
São Paulo - São Paulo - Brasil, 24 anos
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