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A NOIVA DO DIABO
 
Chamo-me Roberto, tenho 22 anos e irei contar uma história, talvez a mais assustadora que você irá ouvir; aconteceu há um ano e até hoje não consegui esquecer, as consequências do fato me aterrorizam e me cercam a cada vez que me vejo pensativo, refletindo sobre a pior experiência da minha vida.
            Uma vez por semana tenho que viajar à capital para levar as mercadorias da empresa onde trabalho, desta vez eu iria com minha esposa e mais um amigo, seguimos viagem a partir das dez horas da noite, o carro estava em perfeitas condições, bem como a noite que parecia calma, o luar estava resplandecendo nos céus e o movimento monótono na estrada a deixava com uma neblina que atravessava o horizonte.
            As horas descansavam lentamente e passamos sobre uma ponte estreita que interligava o caminho, seguimos a rota e colocamos gasolina em um misterioso posto que havia nas proximidades; lembro-me que ao ultrapassarmos a curva uma névoa deixou a vista esbranquiçada e parcialmente opaca, quando de repente uma moça estava à beira da estrada, de costas para a pista, parecia chorar, parecia triste, ao compasso da tempestade que estava por vir, deixando as nuvens e os trovões carregados de medo.
            Ela nos olhou, e seus olhos vibrantes e grandes estavam inundados, continuou em silêncio e virou-se à posição inicial. Seguimos o caminho e meu amigo contou-me a lenda voltada à mulher de branco, aliás, todos nós sabíamos da história contada por vários motoristas e caminhoneiros, passamos cinco minutos conversando sobre o assunto e decidimos voltar para verificar se realmente era a famosa assombração.
            Voltamos, ao passar de cinco minutos fizemos a curva e ela estava no mesmo lugar, nem sequer tinha mudado de posição, eu queria realmente voltar, mas desafiado pelo amigo resolvi falar com ela. No entanto parei ao seu lado e comecei a interagir com ela: “Oi, o que você faz aí?”, “Quem é você?”, “Queres ajuda?”; todas as tentativas falharam, e por um segundo acreditei que a mesma não estava a me ouvir, toquei em seus ombros para chamar sua atenção, mas senti meu corpo todo paralisar e um intenso frio passou a se alastrar pelos meus olhos, minha mão ultrapassava seu corpo.
            Ela virou o rosto e vi algo extremamente claro, mas percebi que seus olhos negros me mandavam sair dali, uma voz atravessou: Saia agora! De repente meu corpo voltou ao normal, e quando olhei para o lado os olhos de minha esposa estavam paralisados, aceleramos e continuamos a viagem, tudo voltou ao normal, tudo parecia uma psicose coletiva, meu amigo nunca mais foi encontrado.
            Estava a ouvir Raul Seixas, o relógio marcava 23h30min da noite; nervosos, apenas queríamos chegar à cidade, o amanhecer ainda estava distante. Para nosso azar, a música mudou sozinha diversas vezes, outrora ouvíamos algo se mexer na floresta que revestia a estrada; ouvi sussurros gritarem meu nome, estava a suar frio.
            O pneu do carro furou e quase capotamos, mas continuamos andando vagarosamente, a esta altura minha esposa rezava bastante para afastar os medos e o mal, quando outro pneu espocou algo nos fez capotar, fazendo-nos parar perto de uma casa. Saímos do carro capotado, e a casa abandonada nos fez sair dali rapidamente, vi a mesma mulher de costas ao lado da casa; demorou um pouco para conseguirmos carona, mas finalmente alguma alma caridosa nos concedeu.
            Contamos tudo ao senhor do carro, que confirmou a existência da mulher de branco que anda aterrorizando vários homens que andam à noite, ela, às vezes pede carona e busca relações com eles, depois os matam. Enquanto andávamos tranquilos, o motorista ainda concretizou: e foi isso que aconteceu comigo; neste momento o carro perdeu o controle e bateu muito forte em uma árvore.
            Acordei em um hospital depois de uma semana e minha mulher estava chorando em cima do meu peito, e o médico tentando acalmá-la, tentei chamá-la de todas as formas, mas parecia não ouvir, estava deformado, meu rosto estava pálido e meus olhos, negros ressoavam que eu estava morto. Olhei para o lado e a mulher de branco, a noiva estava a sorrir, e disse que teria de me casar com ela para não se tornar a noiva do diabo.
 
Itacoatiara-AM, 06 de outubro de 2019.
 
Abraão Marinho
Enviado por Abraão Marinho em 13/10/2019
Código do texto: T6768530
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Abraão Marinho
Itacoatiara - Amazonas - Brasil, 17 anos
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