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Automutilação

Ja passa da meia noite e eu quero dormir,meus olhos estão cansados,meu corpo esta exausto,eu ja me sinto disforme.Rodo pelo quarto como um tigre enjaulado..."Por favor,alguém me deixe sair!" eu grito inutilmente nessa cela pequena e escura.
Arranho as paredes frias mais uma vez,me bato contra as grades...Minha testa sangra,eu sinto latejar,minhas unhas em sua maioria arrancadas pela metade são apenas um monte de carne tremula,de sangue coagulado.Eu só quero sentir o cheiro da noite e das pessoas mais uma vez,eu quero poder sentir meu odio,eu quero sair...
Minha carcereira volta,me olha por entre as grades como seu eu fosse um bicho de zoo.
- É baby,eu sou um monstro...Você gosta? - Eu digo em um delirio repentino.
O jato de agua fria vem logo,a carcereira sorri ao me ver tremer,seu rosto pintado como de uma boneca se contorce por um breve momento e eu ja não sei mais quem é o monstro.
- Você vai ficar ai pra sempre...Coisas perigosas apodrecem em lugares assim... - Ela me diz com um sorriso meigo de criança.
Tenho vontade de pular em seu pescoço,de arrancar seus musculos,de expor cada osso de sua coluna mas eu sei que ela esta atenta,um movimento em falso e ela apagará a luz me deixando aqui sozinha outra vez.
- Eu só quero viver...- Digo sem qualquer proposito.
- Eu também... - Ela diz manuseando as chaves que podem me tirar daqui.
- Podemos viver as duas...Eu cuido de você... - Minha proposta sai mais convincente do que imaginei.
O olhar dela é de criança seduzida,é quase como se a carcereira fosse eu.Me aproximo um pouco das barras olhando em seus olhos.
- Eu te protejo,eu consigo coisas pra você...Estará segura comigo...
Ela toca as barras,suas mãos brancas como o leite deslizam pelo ferro devagar quase sensualmente,seu corpo encosta no portal,ela suspira e me pergunta em voz manhosa.
- Verdade?Você jura?
- Claro benzinho,só nos duas de agora em diante...Pra qualquer lugar...É só você girar a chave... - Eu me encosto na parede,a qualquer momento agora...
Ela coloca a chave na fechadura e gira,as barras se movem e ela sorri para mim.Eu ando até ela,a abraço e então mordo seu ombro com força,ela grita tentando se livrar de mim,eu mordo mais girando-a em direção a minha cela.Seus gritos de terror,suas unhas cravando nas minhas costas,suas pernas que tentam se prender ao chão,tudo dura poucos segundos...Com um ultimo empurrão eu a jogo dentro da cela,ela chora em um canto,eu fecho as barras e tranco.
- Você prometeu... - Ela soluça.
- Eu menti...E não chore,no fundo você sabe que pessoas fracas merecem apodrecer ai... - Eu sorrio,apago a luz e subo as escadas deixando-a só,nos ultimos degraus ainda posso ouvir seus protestos...
Abro meus olhos e o dia esta lindo,chuvoso e frio.Me olho no espelho,olho o corpo que a tanto tempo não vejo,retiro a maquiagem de boneca do rosto que agora é meu.Ela nunca mais virá,agora é tudo meu...Sorrio mais uma vez ao encontrar algumas de minhas antigas roupas no armario,tenho minha vida de volta...
Fecho a porta de casa ao sair,deixo a chuva me tocar murmurando para mim mesma...
A Hell esta de volta...
Tinkerhell
Enviado por Tinkerhell em 10/03/2011
Código do texto: T2838592

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Sobre a autora
Tinkerhell
Maringá - Paraná - Brasil, 29 anos
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