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Vampiros reais

[Nada contra os de mentirinha que estão nos cinemas,apenas mostrando o outro lado da historia]

Ele estava horripilante,parecia querer espumar pela boca a qualquer momento,mesmo conhecendo-o de longa data me assustei com sua entrada em minha janela.Entrou nervoso,jogando as coisas de minha escrivaninha ao chão,quebrou o abajur,eu lhe disse que ficasse quieto pois meus filhos dormiam no outro quarto,ele me olhou raivoso com seus olhos amarelos.
- Por que eu não te mato?!Me responde!Por que eu não te mato?!
Ele correu para meu pescoço e eu pude sentir seu halito gelado em minha orelha,estremeci,eu tinha medo,muito medo mas como se faz com os animais não demonstrei.
- Por que ninguem mais aceitaria escrever o que você quer... - Tentei dizer com a voz mais calma possivel.
- Eu devia arrancar a pele dos seus ossos,devia desmembrar devagar,seria legal te ouvir gritar enquanto eu quebro seus ossos,seria tão facil... - Ele passava a mão gelada e morta por minha pele,minha respiração acelerou,eu não queria morrer.As lágrimas queria subir aos meus olhos,um gosto amargo me atormentava o fundo da garganta.Ele mudou de assunto saindo de perto de mim.
- Eu fui ao cinema...
- E... - Disse eu um pouco menos assustada agora que ele me largara.
- E?!Você ainda me pergunta!Eu fiquei furioso!Eu tive vontade de matar todos,de destruir a tela,de pregar os corpos no teto!
- Ia se meter em problemas... - Eu estava me levantando da cama,marquei o livro que estava lendo,coloquei um robe por cima da camisola.
- Acha que eu não sei?!Mas valeria a pena!Eu queria ver se alguem mais dava algum suspiro apaixonado depois que visse meu grand finale! - Ele parou por um segundo notando um dos livros no chão.Seus olhos se tornaram ameaçadores de novo,ele me segurou pelo pescoço junto a parede,não conseguia respirar. - Que droga é essa que você está lendo?!Passou para o outro lado?!Perdeu a sanidade?!Acha que eu vou me apaixonar por você?!Você pra mim é um bife que seria melhor servido sem lingua e com batatas fritas!
Ele me soltou e eu cai no chão buscando ar,pude sentir o gosto de sangue em minha boca,algo fora esmagado dentro de mim.Ele voltou
sua raiva para o livro,rasgou todas as paginas,amassou e então sorriu cruelmente.
- Comprou agora vai comer! - Ele disse vindo para perto com as paginas amassadas nas mãos.
Eu tentei fugir mas em poucos segundos ele ja estava na porta,segurou meu rosto com uma das mãos me forçando a abrir a boca,agora as lagrimas desciam livremente de meus olhos.Ele parecia mais feliz.
- Não faça barulho...Não ia querer que seus filhinhos também fossem forçados a comer essa porcaria não é? - Ele forçou a pagina pra dentro de minha boca,o gosto amargo aumentou,senti o papel cortar minha lingua.Ele forçava e forçava garganta adentro,eu não conseguia respirar então fiz força pra engolir.Ele ria de minha agonia,mal a primeira pagina passou por minha garganta ele enfiou outra em minha boca.
- Come!Comprou tem que comer! - Ele dizia insano,jogando a cabeça para trás.Seu rosto retorcido numa máscara branca de odio,seus olhos como chamas alaranjadas,ele ria.
Não sei ao certo quantas paginas ele me forçou a engolir antes que eu desmaiasse,lembro apenas que em um momento quis vomitar e ele me forçou a engolir junto com papel.
Ao acordar o sol estava alto em minha janela,ele tinha ido embora,mas a desordem no quarto denunciava que sua estadia fora real.Meus labios e lingua feridos também.
Pregada no espelho uma mensagem que dizia.

"Ainda quero que escreva minha historia,do contrario janto você e sua maldita familia amanhã.O que fiz foi apenas uma mostra de como algumas leituras podem ser nocivas...Beijos C."

Eu li meio com nojo e meio chorando.Fui ao banheiro e lavei minha boca o melhor que pude,o anti-septico ardeu como fogo em minhas feridas,mas nada ardeu tanto como a mensagem pregada na porta,eu ate pude sentir seu tom insolente na inscrição.

"Sol na pele hoje em dia não faz brilhar...Causa câncer de pele..."
Tinkerhell
Enviado por Tinkerhell em 07/12/2009
Código do texto: T1964883

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Sobre a autora
Tinkerhell
Maringá - Paraná - Brasil, 29 anos
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