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Vidro moído

As luzes passavam depressa formando reflexos nas ondas de cabelo ruivo dela.Ele não conseguia parar de olhar,por mais que tentasse,nem sabia o que estava falando,talvez qualquer bobagem sobre seu trabalho,as palavras saiam automaticamente.Com ela era assim,só ela e se conheciam apenas a alguns minutos.
Em certo momento da noite ela o convidou para ir até sua casa,ele nem sabia o que respondera apenas se vira dentro do carro minutos depois.Era louco era mágico até o mundo se tornar embaçado e depois tudo ficar escuro.
- Até onde você iria por mim? - Ela perguntava sorrindo no que parecia ser um sonho.
- Aonde você quisesse...Até o céu,até o inferno... - Ele dizia não podendo nem articular direito as palavras.
- Era isso que eu queria ouvir... - Ela falou sorrindo e depois só escuridão.
Ele sentia o corpo doer,ele sentia ansias,o estomago parecia queimar,a cabeça parecia rodar.Ele acordou ofegante e vomitou de lado,doia,aquilo doia muito.Ele olhou ao redor e só viu paredes solidas,paredes sólidas de pedra.O cheiro de mofo imperava,algum tipo de fungo crescia nos cantos escuros e no meio daquela podridão...Ela.
Ela em seus cabelos vermelhos como fogo,com vestido alvo como a mais branca nuvem.Ela em seu sorriso mais cruel...Pisava copos com os pés descalços sem que deles nenhum sangue escorresse.Ele piscou e se julgou numa alucinação,mas ao contrario de seus pensamentos a voz dela soou clara e doce.
- Coma... - Ela apontava os cacos.
- Não... - Ele disse com voz fraca.
- Está com fome...Coma. - Ela disse sorrindo.
No mesmo instante uma fome devoradora o dominou,ele parecia não comer a dias,aqueles cacos não lhe pareceram tão ruins.
- Coma... - Ela disse pela terceira vez.
Então ele se lançou aos pés dela,encheu as mãos de cacos enfiando-os na boca logo em seguida.Imediatamente tudo doeu,suas mãos,sua boca,sua garganta,sua cabeça,tudo numa confusão de dor.Ele viu o sangue escorrer,pingar no chão e se acumular em poça.
Ela ria e ria.Gargalhava dizendo.
- Coma!Coma!Coma mais!
Ele obediente comia,rasgando sua propria boca,rasgando as gengivas,a garganta...A dor só aumentava e a fome o consumia.Finalmente ele começou a engasgar,ela não pareceu feliz com isso,se ajoelhou ao lado dele lhe enfiando mais vidro goela abaixo.
- Coma!Coma!Mandei comer!
Ele sentia o ar escapar cada vez mais,a dor também ia embota junto com o ar.Foi quando ele sorriu,aquela mascara sangrenta cheia de vidro nas gengivas...Foi quando ele abriu a boca e gargalhou.Riu alto dizendo rouco e engasgado.
- Adeus sua bruxa...Me livrei de você...
Ela deu mais um de seus sorrisos malignos e disse baixinho ao ouvido dele.
- Nossa tortura vai apenas mudar de lugar...Não se preocupe,no lugar para onde você vai tem muito mais vidro para comer...
Foi assim que ele sentiu os primeiros calores do inferno,pelo halito de enxofre dela e nessa hora ele soube...Que estava perdido.
Tinkerhell
Enviado por Tinkerhell em 23/09/2009
Código do texto: T1826962

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Sobre a autora
Tinkerhell
Maringá - Paraná - Brasil, 29 anos
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