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Anjo de ódio

Levanto e a dor assola a minha cabeça,não dou nem um suspiro,acostumei...Sinto raiva,muita raiva,do sol,da casa,da chuva que caiu durante a noite.Olho para o outro lado da cama e o vejo,meu amor,dele não tenho raiva,ele é doce,fiel,compreensivo,sarcastico e destemido,o amo,como o amo.Acaricio seu rosto,ele nem se mexe,eu o dopei de novo,o dopei porque preciso sair,alimentar meu vício,vicio do qual se ele soubesse morreria.
Tenho uma ideia que ele me imagina doce e meiga,santa e pacifica.Vou ao banheiro,tomo uma ducha rapida,o cheiro dele ainda esta em mim e não quero perder.Me visto,roupas de couro,cinto emborrachado,tudo fácil de limpar,sem vestigios,sem provas.
Olho meu amor novamente,ele ainda dorme tranquilo sobre o efeito dos narcoticos,eu sorrio,vou até o armario e procuro febrilmente atrás das caixas de sapato,acho,meu magnum 38,tem silenciador,acho também a faca de caça,linda de cabo de onix.
Pego a máscara,só me sinto bem com máscara,aquela que eu mesma fiz de gesso com resina.Coloco tudo na bolsa,dou um beijo em meu amor e saio.
Nas ruas reina o frio da aurora,as pessoas começam a despertar e sair.Paro a alguns metros de uma escola primária,o sinal toca,as crianças começam a entrar.A raiva me cega,pelo filho que perdi,pela inutilidade de mulher que sou.Coloco a máscara,saio e atiro,as balas acabam eu recarrego,continuo a atirar,crianças,babás,professoras e guardas caem.Todos tem flores escarlate pelo corpo,flores mortais,flores de sangue.Um mulher pega o celular em outro carro,atiro e o vidro se estilhaça,cobre o rosto dela que começa a ficar cheio de sangue.Vou até o carro,empurro seu rosto machucado conta o volante e lhe dou um tiro na parte de trás da cabeça,voam pedaços de cranio porque eu tirei o silenciador.Pego sua blusa cara e arrasto para fora do carro,a jogo no asfalto e entro no carro,dirijo algum tempo,encontro uma construção abandonada no suburbio.Saio do carro e na construção viro meu casaco do avesso,é dupla face,tiro as calças ficando de shorts,a camiseta branca imaculada me da um ar de esportista.É o que sou,uma esportista...Mas não de corrida.
Corro até o ponto de onibus,pego um onibus até onde deixei meu carro,a mascara e as armas estão escondidas na bolsa a tiracolo.Dois bandidinhos tentam assaltar o onibus,malditos vagabundos,cada um recebe um tiro no estomago pra morrer devagar.Desço do maldito onibus e caminho algumas quadras até meu carro.Entro,ainda posso ver ao longe a confusão em frente a escola primaria,dou de ombros.Dirijo de volta pra casa,passo na padaria antes,o padeiro me cumprimenta com cortesia e comenta a violência.
Entro em casa,meu amor ja acordou,me pergunta onde estive,falei que fui comprar pão,tomamos café da manhã,sorrimos,conversamos,como eu o amo.Ele sai para o trabalho e eu vou para o escritorio escrevo o final de meu novo livro,mando por e-mail para a editora.No fim do mês ja é um best seller...Assim eu levo a vida...É meu vício...
Tinkerhell
Enviado por Tinkerhell em 13/08/2008
Código do texto: T1126595

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Sobre a autora
Tinkerhell
Maringá - Paraná - Brasil, 29 anos
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