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Defunto de aniversário

[Este conto é dedicado a aniversariante Celly,minha grande amiga e prezada maninha de coração]

- Venham por aqui... - Disse o legista sem demonstrar qualquer emoção ao conduzir o casal pelos corredores brancos.Por fim entraram numa sala de ladrilhos brancos com várias mesas de metal,todas vazias com exceção de uma que estava coberta por um lençol.O legista se aproximou e retirou o lençol dizendo. - É ela?
A moça loira ficou pálida,lágrimas brotaram de seus grandes olhos castanhos e ela escondeu o rosto no ombro do rapaz que a acompanhava.Ele a abraçou mas sua expressão continuava fria enquanto dizia ao legista.
- Sim,é ela...Celly,minha irmã...Onde a acharam?
- Na represa,não muito longe do parque,ainda não descartamos a hipotese de assassinato... - O legista e o rapaz pareciam competir para ver quem era o mais imparcial. - Terá que prestar depoimento senhor...Como disse que era seu nome mesmo?
- Eu não disse...Obrigado por tudo legista... - O rapaz deu um sorriso sarcastico antes de retirar levando junto a moça loira.
O legista saiu apagando a luz e xingando o visitante.
Sobre a mesa Celly permanecia imóvel,seus lábios estavam roxos,a pele estava tão alva quanto os ladrilhos polidos ao seu redor,os olhos fechados tinham uma expressão serena,com um toque de...Maldade...
                                        ***
- Nossa,ela é linda...E gostosa...Queria saber qual a cor dos olhos dela... - Dizia o asistente do legista admirando Celly.
- São azuis e francamente Thiago você precisa de uma namorada... - Disse a enfermeira preparando a serra de ossos.
- Deixe ele Suzana,podemos providenciar uma lua de mel para os dois depois que a abrirmos... - Brincou o legista.
Thiago se afastou do corpo resmungando.Se aproximou de onde estavam as roupas e os pertences de Celly.Pegou um guarda-chuva de metal,examinando disse.
- Que diabos é isso?É macabro...Como será que funciona? - Ele manuseou o aparelho tentando abri-lo.
- Larga isso Thiago,pode se machucar... - Mal Suzana tinha terminado a frase o guarda chuva abriu decepando três dos dedos de Thiago,ele gritou e xingou enquanto o sangue esguichava.Suzana e o legista correram para ajudá-lo.
- Moleque desgraçado,esse troço podia ter aberto no seu pescoço! - Disse o legista tentando estancar o sangue.
No meio da confusão ninguém notou que as narinas da "morta" se dilatavam como se farejasse.Os dedos se moveram lentamente e a lingua se projetou passando pelos lábios umedecendo-os.
O legista tinha finalmente conseguido estancar o sangue,Thiago estava branco feito cera,Suzana estava coberta de sangue,de súbito Thiago começou a tremer,a respirar fundo,Suzana e o legista ainda tentavam saber o por quê quando a voz de Celly ecoou pela sala.
- Ora,ora...Nem me esperaram para começar a festa...Que coisa feia...- Celly tinha nas mãos a serra de osso que ela fazia girar com um toque de botão.Avançou para eles,o legista se jogou na frente de Suzana então foi o primeiro a receber golpes de serra.
Mais uma vez o sangue voou enquanto Celly avançava e recuava com a serra.Suzana tentou intervir mas Celly a chutou para longe,a enfermeira bateu com a cabeça nos ladrilhos,um filete de sangue manchou o branco.
Celly sentia os ossos das costelas do legista se partirem em contato com a serra,via a expressão de dor e medo nos olhos dele,ouvia os quase uivos que ele dava.Mas logo os olhos se tornaram baços e sem expressão,os uivos pararam e Celly se desinteressou.Pegou seu guarda-chuva no chão e com habilidade tremenda o abriu manipulando-o para todos os lados.Enfiou a ponta na garganta da enfermeira  e a ergueu,Suzana sentiu a dor invadi-la por completo,o gosto de sangue se espalhou por sua boca e seus gritos saiam apenas como barulhos abafados.De seus olhos escorreram lágrimas quentes,sádica Celly fez beicinho dizendo.
- A por favor não chore...Vai acabar assim que a lâmina rasgar toda sua garganta...
O peso de Suzana forçava a carne contra a lâmina que subia rasgando,dilacerando,aumentando as dores.Não durou muito até que se rompeu e o sangue se espalhou pelo corpo de Suzana.Celly virou-se então para Thiago mas ele ja tinha chego na porta e se arrastado pelo corredor.Celly parou,se vestiu,fechou o guarda-chuva,colocou debaixo do braço e saiu cantarolando."Parabéns para mim,parabéns para mim,muitas mortes macabras,muitos anos de vida..."No caminho da saída acabou encontrando Thiago e o prendendo a porta com uma pinça de orgãos,ele sangraria até morrer...
Caminhou pelas ruas vazias e enluaradas,tomou caminhos que conhecia bem...Afinal,todos os caminhos dão...Na mansão I.S.

[FELIZ ANIVERSÁRIO CELLYYYY TE ADORO!!!!]
Tinkerhell
Enviado por Tinkerhell em 08/07/2008
Código do texto: T1071344


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Sobre a autora
Tinkerhell
Maringá - Paraná - Brasil, 30 anos
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