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O Presente

Ela estava indisposta e foi deitar. Já passava das 23 horas. Era um sábado chuvoso e seu marido e sua filha haviam viajado para o interior a fim de visitar alguns parentes. Ela se deitou e dormiu rapidamente, mas foi despertada por batidas na porta num ritmo anormal, como se quem batesse estivesse desesperado. Ela olhou no relógio, que marcava 3h16. De repente as batidas pararam, enquanto ela colocava um casaco para descer.  Desceu as escadas e foi até a porta. Antes, olhou pela janela e não viu ninguém, mas olhou para baixo e viu na entrada da porta um pacote de tamanho médio embrulhado em papel de presente vermelho com uma fita roxa. Ficou com receio de abrir a porta e pensou em voltar para a cama e só olhar o que de fato era aquilo pela manhã. Resolveu ir até a cozinha, abriu a geladeira e apanhou algo para beber. Parecia um refrigerante. Enquanto bebia, ficava pensando no pacote. Quem será que havia deixado aquele objeto? Ela não estava esperando nenhuma encomenda? Ficou curiosa, mas o medo era maior. Ela não abriria a porta, decidiu. Pensou em ligar para o marido, mas naquele horário achou que se não havia mais ninguém lá fora, não havia a necessidade de preocupá-lo. Sentou-se na banqueta e foi bebendo no gargalo até que acabasse o líquido. Subitamente, novas batidas na porta a assustaram. Parecia que batiam violentamente com os punhos para que ela abrisse logo a porta. Ela ficou estática por alguns momentos. O medo já estava tomando conta de seus pensamentos quando novamente as batidas pararam. Ela ainda ficou parada por alguns momentos, não sei se alguns segundos ou minutos, mas parecia uma eternidade. Em dado momento ela decidiu ir de novo até a porta. Olhou novamente pela janela e não viu ninguém. O pacote ainda estava lá, aparentemente intacto. As luzes do jardim estavam acesas, mas o único movimento que ela via era o das folhagens movidas pelo vento, enquanto a chuva fina caía constantemente. Ela foi até o escritório do marido e apanhou um de seus tacos de golfe e resolveu abrir a porta e apanhar o pacote. A porta tinha três trancas e ela foi abrindo uma a uma cuidadosamente, sem fazer barulho, ainda tentando criar coragem para terminar o que havia começado. Na última tranca, parou por alguns instantes, mas destrancou-a e abriu a porta vagarosamente, empunhando o taco de golfe e olhando para os lados observando se havia alguém. Como não viu nada, abaixou-se para apanhar o pacote, ainda olhando à sua volta. Pegou o pacote com a mão esquerda, enquanto a direita segurava firmemente o taco de golfe. Mas o que ela temia e não esperava aconteceu. Alguém, ou alguma coisa pulou de cima sobre ela e a desarmou, fazendo com que ela derruba-se também o pacote. Ela começou a gritar, mas seus gritos foram sufocados quando o agressor a imobilizou e segurou-a fortemente pelo pescoço, impedindo-a de gritar ou mesmo respirar. Ela se debatia, mas não conseguia se livrar do agressor. Ela já estava ficando sem forças, sendo sufocada, quando de repente ela teve um sobressalto e acordou ofegante, tentando voltar a respirar normalmente. Quando se acalmou olhou para o relógio, que marcava 3h05. Tudo não passara de um pesadelo. Por alguns momentos ela não conseguiu dormir. Desceu para tomar água, e resolveu olhar pela janela para ver se tudo estava bem. Quando abriu a persiana, lá estava ele, um pacote de tamanho médio embrulhado em papel de presente vermelho com uma fita roxa. Ela gritou com o máximo da sua voz.
Parzival
Enviado por Parzival em 13/08/2017
Código do texto: T6082171
Classificação de conteúdo: seguro

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Parzival
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