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Estrela invisível

Zyr Uhn voltou-se para o passageiro sentado na poltrona ao seu lado, na cabine de comando do rebocador "Meslarit". O sujeito usava um traje dourado brilhante, com grandes ombreiras brancas, o que não coadunava com a imagem sóbria que ele fazia de cientistas em geral.

- Estamos próximos das coordenadas que me deu, mas continuo a não ver nada... - alertou, mãos nos controles de direção da pequena espaçonave.

- É possível que só dê para ver alguma coisa quando estivermos muito perto - replicou o passageiro de cabeça baixa, observando a tela fluorescente de um pequeno dispositivo que mantinha no colo. - O que, aliás, não seria nada seguro...

- Quando contratou os meus serviços, disse que iríamos em busca de uma estrela, - prosseguiu o piloto - mas não especificou que tipo de estrela seria. Não há nenhuma estrela registrada nos mapas neste local.

- Seus mapas estão desatualizados - redarguiu o passageiro. - Se consultar o seu gravímetro, vai perceber que estamos bem perto dela.

Zyr Uhn olhou para o visor do instrumento no painel à sua frente e confirmou que, decididamente, havia algo massivo nas redondezas. Fez uma correção na trajetória, para determinar a melhor órbita ao redor do que quer que aquilo fosse.

- Um buraco negro? - Inquiriu, sobrolhos erguidos.

- Aí não seria uma estrela - argumentou o passageiro.

- Mas se tem massa e não emite luz... - ponderou o piloto.

O passageiro olhava para a escuridão do espaço à frente, além do para-brisa da espaçonave.

- Ali - apontou.

A princípio, Zyr Uhn não viu nada além do negror do espaço cravejado de estrelas. E então, finalmente, percebeu o que o passageiro queria que ele visse. Havia como que um grande anel transparente lá fora, que podia ser percebido por distorcer a luz das estrelas que estavam por trás dele.

- Nunca vi um buraco negro transparente... - murmurou o piloto.

- É porque não é um - atalhou o passageiro. - O termo correto é "estrela de bósons". Durante milênios especulou-se que existiam, mas nunca haviam sido detectados na prática. Até agora.

- O senhor fez uma grande descoberta - avaliou o piloto. - Imagino que vá escrever um tratado científico sobre isso...

O passageiro abanou negativamente a cabeça.

- Eu não sou um cientista, sou colecionador. Por isso o contratei.

- Colecionador? Mas o que pretende fazer com essa estrela de bósons? - Indagou, intrigado.

- Não é óbvio? Vou acrescentá-la à minha coleção - retrucou o passageiro, desligando o dispositivo no colo. - Prepare o seu raio-trator, vamos rebocá-la.

- [29-11-2019]
Alex Raymundo
Enviado por Alex Raymundo em 29/11/2019
Reeditado em 29/11/2019
Código do texto: T6806954
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Alex Raymundo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 57 anos
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Alex Raymundo