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Uma Viagem no Tempo - Parte VII

Procurando controlar o tremor que sentia nas pernas, esforcei-me por esboçar algumas palavras, pois a fala havia-me desaparecido por completo. Aqueles homens eram capazes de ler os meus pensamentos e, quem sabe, conhecer o passado e o futuro.  Essa segunda hipótese ainda não estava totalmente clara para mim, mas eu já estava extasiado. Só uma coisa não me fizera, até ali ser presa do medo e do desespero total. Falo da espécie de aura que aqueles seres emanam constantemente. Nada os fazia alterar seu sereno e cativante humor. Eu estava mesmo tomado de pasmo devido à capacidade que eles já haviam-me demonstrado até ali e acreditei quando ele deu-me a entender que muito mais eu conheceria de seus poderes. Se estava agora despreocupado, mesmo que pela tênue promessa de não ter minha máquina avariada ou destruída, a perplexidade era agora minha companheira. Consegui algumas informações a respeito da natureza daquele lugar e daquelas pessoas indescritíveis. Mesmo sabendo que meus pensamentos eram lidos e interpretados à medida que a conversa acontecia, o homem esperava pacientemente que eu terminasse cada frase antes de emitir as suas.

Confesso que esse pormenor só me fez simpatizar ainda mais com ele. Diferentemente, ou melhor, indo ao extremo oposto do que é costumeiro em minha época, onde as pessoas vivem-se interrompendo umas às outras, mesmo sem saber o que o seu interlocutor tem a dizer, aquele que se encontrava agora a minha frente, ainda que a par de todo meu argumento me esperava completar meus pensamentos que, para eles não representavam nenhum segredo. Isto, durante aquele e todos os outros dias em que permaneci entre eles foi um dos pontos que mais me atraiu em suas personalidades.

A cada frase minha ele esboçava um sorriso simpático e, todas as vezes em que minhas colocações denotavam, mesmo contra minha vontade, qualquer espécie de temor ou insegurança ele fazia questão de me acalmar de um jeito todo peculiar, erguendo ambas a mãos e, como numa espécie de passe movimentá-las umas duas ou três vezes na frente do meu corpo e esse gesto simples, sem eu entender como, de alguma forma me trazia paz e confiança. Ele perguntou se eu havia dormido confortavelmente e se já havia comido desde que me levantara. Só então lembrei-me de que tinha o estômago vazio há algumas horas. Mal acabara de formular a pergunta referente ao que eu desejaria comer e antes que eu esboçasse a resposta, lendo de pronto meus pensamentos surgiu a nossa frente a mesa repleta de iguarias. Desde que começáramos a conversar, os outros que os acompanhavam já não mais se encontravam no recinto. Ele me fez companhia, sentando-se a minha frente e beliscando uma coisa e outra; sempre sorrindo continuava a me dar explicações sobre sua civilização.
Eram muitas informações em pouco espaço de tempo, mas que me inteiravam sobre o local e a situação em que eu me encontrava.

Orientou-me sobre a melhor forma de fazer a comunicação com as pessoas que frequentavam a casa, diferentemente das outras que viviam em casas menores em relação àquela em que estávamos. Disse que todos, sem exceção poderiam conversar perfeitamente comigo no meu idioma, mas que eu não abusasse dessa condição a fim de não causar um estresse desnecessário. A comunicação por meio da fala já havia ficado para trás, no tempo há alguns séculos e era tida como uma forma arcaica de conversar, um atraso em termos de evolução. Diante do meu questionamento sobre a possibilidade de eu agir como eles, ou seja comunicar-me telepaticamente, confessou-me sua ignorância, mas que em todo caso eu poderia tentar e que me ajudaria, dentro das suas possibilidades. Perguntei sobre as mulheres, já que, até aquele momento não vira uma sequer. Sua resposta encheu-me de curiosidade.
Professor Edgard Santos
Enviado por Professor Edgard Santos em 07/11/2019
Reeditado em 07/11/2019
Código do texto: T6789571
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Professor Edgard Santos
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Professor Edgard Santos