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Uma Viagem no Tempo - Parte VI

O sono repentino não deu-me o tempo que precisava para pensar e analisar a minha situação. As próximas horas dar-me-iam chance de identificar onde realmente eu me encontrava. Tudo me era inusitado. Construirá uma máquina do tempo que, segundo meus cálculos e intuições levar-me-ia à origem da nossa civilização como também à causa de sua extinção. Já houvera chegado, até àquele momento não à origem, mas talvez à causa provável da sua extinção. Muitos pensamentos perturbadores me invadiram a mente a partir do momento em que deparei com a civilização onde me encontro agora. Seria, de fato a raça humana da qual faço parte? Estariam mesmo condenados a enfrentar sua extinção nos próximos 800 anos? Nos cinco anos de estudos ininterruptos a que me entreguei antes de lançar-me nessa louca empreitada avaliei todos os riscos possíveis. Mas a coragem fez-me seguir em frente. Ela foi mais forte do que qualquer medo que pudesse me acometer. Empreendi a missão preparado para perder a vida, se preciso fosse, mas satisfeito por provar a mim mesmo que uma viagem no tempo não é descartável para a inteligência humana. Mas, o sucesso que obtive até aqui não é o suficiente. Quero retornar, intacto e mostrar ao mundo científico os resultados da minha pesquisa e, muito mais, as consequências promissoras da minha aventura.

Ao despertar, dei conta da minha solidão pois, ao contrário do dia anterior, quando pessoas circulavam sem parar naquele enorme recinto, agora tudo era quietude e silêncio. Levantei-me, sentindo-me bem disposto. Desci a plataforma e caminhei até a primeira saída que avistei. Pensamentos confusos me dominavam. Não me senti prisioneiro, pelo contrário. Uma leve sensação de leveza e liberdade era o que eu sentia. Não esperava que assim fosse. Então, minha mente criava ideias de quais seriam os próximos passos das criaturas que para ali me haviam conduzido; até dos meus próximos movimentos eu não fazia ideia, já que não imaginava que me encontraria assim, livre e abandonado.

Certamente, pensei na possibilidade de sair dali diretamente ao meu veículo do tempo, no meu entender, a única forma que eu tinha de, daquele tempo e local escapar. Não sei se escapar seria a expressão adequada, já que aquilo começava a me fascinar. Não consigo descrever corretamente a minhas sensações, mas não as encaro como coisa ruim ou negativa. Uma estranha e incomparável paz inundava todo o meu ser. A pureza do ar calmante que penetrava em meu pulmões como que relaxava todo o meu corpo. A temperatura era algo delicioso de se experimentar. Se o meu leitor desejar uma referência que possa aproximar-se do que nós estamos habituados eu diria que é como se encontrar sentado à margem de uma praia mansa e serena e sentir no corpo o toque sutil de uma brisa marítima ao fim de uma tarde de verão. Outra coisa que me intrigava era não ter presenciado, até ali, a noite. Sim, até onde eu estivera desperto, não conheci a escuridão. Isto desnorteava meu espirito, mas eu não podia, ainda, assegurar até onde minhas conclusões se faziam corretas. Isto porque eu dormira pouco tempo depois da minha chegada àquele mundo e não haveria, para mim, parâmetros que me indicassem o transcorrer dos dias, muito menos das horas, pelo simples fato de ter eu desembarcado de uma máquina do tempo, vindo de uma outra Era.

Contudo, e apesar do meu estado eufórico, não me abandonava a preocupação com a minha máquina do tempo. Mesmo tendo-a deixado em um local e uma posição que eu considerava seguros, embora, por capricho do destino eu tenha sido beneficiado com aquela, digamos, aterrissagem, não estava descartada a hipótese de ela ser encontrada e eu me ver sem o único meio de retornar à minha época. Mas esforcei-me por abandonar esse tipo de aflição, já que de nada adiantaria. Voltei então a me concentrar na situação presente e decidi-me a deixar aquela imensa morada e conhecer melhor o local.

Mas, para minha surpresa, a saída, que imaginei, me levaria ao exterior da casa não passava de um acesso para outro cômodo ainda maior do que aquele em que antes me encontrava. E, como tal, totalmente ermo e silencioso. Encontrei mais uma porta, entre várias que ali existiam e, novamente, ao atravessá-la vi-me em outro enorme salão, este arredondado e muito alto. Uma nesga permitia a penetração da luz solar que se projetava em boa parte do piso, inundando-o de um brilho suave e aconchegante. Outras portas atravessei e sempre o mesmo acontecia: salões e mais salões apareciam, com suas paredes enormes e envolventes. Vencido pelo cansaço, deixei-me cair, recostado a um desses paredões. Durante um tempo, que pareceu-me extremamente longo permaneci com a cabeça baixa, entregue às minhas lucubrações. Ao fim desse tempo, sem ouvir o menor ruído, mas magnetizado por uma luz que eu já conhecia ergui a cabeça e, como imaginava, pessoas estavam diante de mim. Os mesmos homens em número de seis. Em suas fisionomias, deslumbrantes e carismáticas percebi um misto de compaixão e autoridade.

Para minha surpresa, o primeiro que se adiantou, o mesmo que me fizera perder os sentidos ao apontar-me um estranho objeto, começou a falar comigo, no meu idioma, de forma clara e cativante. À medida que se expressava, era como se cada palavra não proviesse de sua boca, mas de algum local que eu, por mais que tentasse não consegui identificar.

- Como está se sentindo?

- Melhor do que pensaria que estivesse, em função de tudo que está acontecendo. Onde estou? Quem são vocês?

- Essas perguntas serão respondidas no momento adequado. Por hora, somos nós que merecemos explicações, não acha? Você desembarcou aqui, vindo naquela geringonça? Como conseguiu este feito?

 Por um momento vi-me perdido e, a única reação que consegui esboçar não passou de um arregalar de olhos, seguido da saliva que, instintivamente engoli. O desespero começou a se apoderar de mim e eu teria, em muito, provocado a piora do meu estado caso ele não me houvesse tranquilizado em seguida, dando-me um laivo de esperança. Como percebera, imediatamente, que eu não lhe daria uma resposta a contento, continuou:

- Não precisa se preocupar. Não vamos destruir ou sequer tomar de você sua preciosa máquina do tempo ‒ presumi que eles descobririam tratar-se de uma máquina do tempo, mas não pensei que a localizariam com tamanha rapidez. Um arrepio invadiu-me até a raiz dos cabelos ao ouvir suas palavras seguintes.

- Não foi tão rápido assim, se quer saber. Você estava realmente cansado, pelo número que horas que dormiu. O tempo foi mais do que suficiente para fazermos muito mais coisas do que encontrar sua geringonça. Na verdade, não a encontramos, se está curioso em saber. Tomamos conhecimento da sua presença entre nós muito antes do que você possa fazer ideia. Imagino quão espantado deve estar. Esteja preparado, portanto. Imagino como não vai se sentir quando eu afirmar que sabemos exatamente de onde vem. Ou prefere que digamos: de que época está vindo no tempo?

Professor Edgard Santos
Enviado por Professor Edgard Santos em 06/11/2019
Reeditado em 06/11/2019
Código do texto: T6788578
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Professor Edgard Santos
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Professor Edgard Santos