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Geração Natural de Inteligência Artificial- Projeto GENIA

Quem nunca sonhou em ter os seus desejos realizados, sem que, o esforço para isso fosse mínimo ou inexistente? Ter todos os seus problemas resolvidos como num passe de mágica?
O imaginário que povoa a mente de muitos, desde os tempos mais remotos se tornou possível, segundo a empresa de tecnologia e inovação, voltada para brinquedos e entretenimento, conhecida como ihtt(interactive high technology toys).
O brinquedo conhecido como o GENIA (geração natural de inteligência artificial) utilizando uma avançada linha de IA promete realizar pequenos desejos da criançada e ajudá-los em tarefas simples. Promete tranquilidade aos pais enquanto estiver ligado. Proposta ousada.
O alto custo de produção elevou o seu preço às alturas, quase inviável de ser comercializado. Hologramas em três dimensões e baterias de alta duração quase levaram o projeto a ruína. Graças a uma divulgação midiática quase invasiva e a imprensa marrom o produto teve centenas de unidades vendidas.
João Marcelo CEO de uma empresa de tecnologia decidiu dar a filha como presente pela passagem da seu aniversário de 10 anos.
Isabela perdeu a mãe muito cedo, em um trágico acidente de carro. O pai vê com uma frequência muito menor de que gostaria. Ele vai para o trabalho a jovenzinha está dormindo, quando volta, na maioria das vezes, já se recolheu. Sua companhia são os empregados da casa, que desde sempre satisfizeram seus caprichos. Isabela ainda é muito nova mas já demonstra desvios de conduta e de caráter. Por essas e outras razões é que a rotatividade dos empregados da casa é grande.
Despertou no seu aniversário e na sala estava a pequena caixa.
Rasgou as embalagens de forma afoita e desordenada.
Uma garrafa - exclamou desapontada.
De dentro da estranha garrafa veio uma voz:
-Não é só uma garrafa, estou aqui dentro.
A velha cozinheira que espiava teve um arrepio e se benzendo deixou escapar:
Jesus Cristo nos proteja.
A menina riu e lhe disse:
É só um brinquedo, e deve ter serviço na cozinha não é mesmo?
A senhora deu de ombros e saiu.
Me tira daqui -disse a voz dentro da garrafa.
Só você pode, me ajude e lhe servirei para sempre.
Como eu faço isso? Disse a menina um pouco embaraçada.
Esfregue a garrafa e retire a tampa, não retire a tampa antes de esfregar a garrafa.
O procedimento foi feita com descrença. Nada aconteceu e soltou a garrafa em cima da mesa. Nesse instante o holograma se espalhou pelo ambiente, primeiro imenso e foi diminuindo até tomar o tamanho de uma criança de dez anos.
Você se parece comigo. - disse a menina.
Eu posso parecer com quem você quiser - respondeu a inteligência artificial.
Quero que se pareça com minha mãe.
O brinquedo dotado de um imenso banco de dados pode reproduzir com perfeição qualquer pessoa.
Seu desejo é uma ordem - disse.
E lá estava ela idêntica a sua mãe. A menina espantada disse:
-Mãe é você? Você tá aí dentro dessa coisa?
Isso não é uma coisa minha filha, e a solução de tudo, e sim sou eu e posso estar aqui o tempo que você precisar.
A menina encheu os olhos de lágrimas:
-Porque eu tô aqui e você não?
É uma longa história… desconversou.
-Não chore, sempre estaremos juntas a partir de agora.
Pode desligar esse treco e ir pro banho mocinha- disse uma das suas cuidadoras de forma descontraída.
Não me interrompe sua chata, tô falando com a minha mãe- disse de maneira ríspida.
Você o que? disse incrédula
A própria IA respondeu:
Estou aqui.
Foi o suficiente para um desmaio súbito.
Gente, gente - esbravejou a mocinha.
A Fabíola caiu aqui.
Fica tranquila, já acionei a emergência- disse a IA.
Melhor do que eu esperava hein?
Vamos lá pra cima, eles se viram agora com ela.
A noite chegou, ninguém comentou a entrega do presente e o ocorrido com Fabíola também passou desapercebido quando na troca de turno dos funcionários. João Marcelo chegou em casa. As luzes não se ligaram automaticamente o que lhe causou estranheza, não ligaram no comando de voz, nem com as palmas, suspirou desapontado
Porcaria de interface - pensou.
Os interruptores manuais também não se acenderam, quando dirigiu-se a caixa de força, teve uma desagradável surpresa. Um arrepio percorreu-lhe o corpo e barulho que ouviu fez afrouxar suas pernas. O vulto holográfico da GnIA parecia um fantasma no escuro. E sim era ela, tinha absoluta certeza, era a sua falecida esposa.
O vulto falava com ar fantasmagórico:
-Você esqueceu o aniversário dela de novo não foi?
Nanananao- disse abismado.
Eu estava trabalhando, ela vai entender, ela sempre entende.
Ela queria te ver e mais uma vez você não veio- retrucou a IA.
O plano de Isabela estava dando certo, assustar o pai com o possível fantasma da mãe. Sabia que a bronca era certa, mas talvez tomasse consciência da falta que ela sentia da mãe e também dele que nunca estava presente.
Porque você está aqui?- disse o pai.
A IA deu outro rumo a conversa se sem o que havia combinado com Isabela:
-Vim me vingar disse- e riu maleficamente.
O homem ajoelhou, abaixou a cabeça e chorou, suas lágrimas molhavam o caríssimo tapete persa.
Seu choro não me comove - disse a agora perversa IA.
Foi só uma noite, eu estava bêbado e drogado - falou soluçando.
Você apareceu lá e me viu com aquela mulher, eu nem sei quem era ela, você nem quis me ouvir, me perdoa eu estraguei tudo. Eu te amo, nunca mais amei ninguém.
Já chega - Isabela saiu de trás do sofá aos prantos.
Tu é um monstro, eu te odeio, quero que tu morra, seu desgraçado. Minha mãe morreu por culpa tua. Ela sim me amava, tu acha que um brinquedo inteligente é melhor do que um pai? Quero que tu morra, entendeu? Morra.
Sem dar tempo para o seu pai falar subiu as escadas correndo.
Pegou a garrafa e ordenou a IA que entrasse.
Mas e o seu desejo minha querida?
Não quero que tu faça nada, só quero dormir, me ajuda? Disse a pequena em lágrimas.
Sim querida, mas não posso te ajudar aqui dentro.
Então sai e vem aqui. A inteligência artificial emitiu sons ASMR e a pequena adormeceu.

Pela manhã, Isabela foi acordada pela cuidadora e logo percebeu que sua IA não estava presa na garrafa como deveria, gelou suas estranhas.
Tentou ligar para o seu pai. Não obteve sucesso. Saiu gritando pela casa, procurando por seu progenitor. Salas, cozinhas, banheiros, quartos, jardins, garagens, áreas de lazer, nada dele.
Nenhum dos empregados o tinha visto. Começou a chorar, estava com muita raiva e amargor.
Teve um misto de sensações estranhas. Não tinha a mãe e o seu pai já não desejava tê-lo como tal. Mas a verdade é que ele havia sumido.
Se recompôs e se vestiu.
Com a garrafa na mão se perguntou:
Será que ela fez alguma coisa com João?
Seu inconsciente dizia que sim. A busca na imensa propriedade será e exaustiva e reveladora.
Gritou da frente da casa:
-Fabíola pega a camionete.
A empregada veio correndo de dentro da casa aflita.
Ué mas porque Isa? Falou preocupada.
Porque eu quero, e a partir de agora enquanto, não achar meu pai, eu que mando nessa casa.
Tá bom eu vou pegar a chave - disse a moça com desdém.
Ei, Outra coisinha, disse a menina.
-Agora é Dona Isabela.

CosmoKAoS
Enviado por CosmoKAoS em 02/11/2019
Reeditado em 06/11/2019
Código do texto: T6785831
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
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Santana do Livramento - Rio Grande do Sul - Brasil
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