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PROMATEUS

                                             PROMATEUS

A Grande Aldeia estava um caos. Os moradores estavam a ter comportamentos esquisitíssimos, algo estranho estava-se a passar, era incompreensível. Já quase todos haviam perdido a razão comum da vida.

Naquela semana, por todos os lados, ouvia-se falar no fim da Aldeia e do seu povo. Destruir-se-ia a humanidade. Estava à beira do seu primeiro fim, uma extinção, desde que havia sido criada, há milhões e milhões de anos. Os dias seguiam-se e continuavam a confusão e o caos. Alguns praticavam o mal por prazer, predominavam muita crueldade, guerras, vingança e perseguições – até que um dia, já quando quase todos estavam infectados por qualquer coisa ainda não identificada, alguns adolescentes pesquisaram, ao limite – no laboratório da sua escola – sobre aquele fenómeno. Aqueles meninos já tinham conquistado vários prémios, em diferentes áreas das ciências, nas suas escolas e na Aldeia, por descobrirem e inventarem tantas coisas que beneficiavam a todos.

Tendo detectado Promateus, o líder do agrupamento, a causa que ameaçava dizimar a população, convocou os colegas para partilhar o surpreendente resultado.

- Bingo! Pois é, então é isso, um vírus letal! Vai-se chamar Oidó! «Disse Promateus, observando atentamente pelo microscópio, enquanto poisava a sua mão esquerda em Isis, uma das colegas».

Mas nisso, aproximando-se do pequeno líder, Cyara, a outra colega, questionou:

- Mas como é que nasceu um vírus tão mortal, capaz de causar tamanha desgraça à nossa gente, capaz de nos eliminar, Promateus?

Matthew, a quem todos chamavam Promateus – por ser um cientista e génio – predispôs-se em explicar aos colegas o que descobrira, ao fim de alguns dias, embora os outros também o tivessem ajudado com pequenas assistências:

- É, sim, um vírus mortal que os alienígenas deixaram no corpo de um dos nossos habitantes. Sobreviveu e espalhou-se aos poucos, por ser altamente contagiante e resistível. Há muitos anos, já tivemos uma epidemia destas, mas tinha sido combatida com um soro cuja fórmula está desaparecida. As pessoas contaminam-se através do pensamento negativo e, aos poucos, desumanizam-se, ficam selvagens, não reflectem. No início, só algumas pessoas o tinham. Se alguém tiver um pensamento muito negativo e tocar numa pessoa contaminada, tornar-se-á uma também. Primeiro, o vírus consome o coração hospedeiro e este fica em pedra, petrificado. Depois, sobe e envenena todo o cérebro. Em seguida, o cérebro infectado comanda os movimentos das pernas, das mãos e do corpo todo.  «Terminou a sua exposição Promateus».

Ninguém sabia o que fazer, o mundo achava-se perdido, devastado. Os humanos matavam-se uns aos outros.

- E agora, o que é que vamos fazer? Precisamos de achar uma fórmula que nos encaminhe para a cura. «Interveio Cyara, decidida em ajudar».

- Não, não há tempo. Se nós tivermos que descobrir uma nova fórmula, toda a Aldeia será dizimada, levaríamos muitos meses ou anos. Temos é que encontrar a fórmula do antigo soro, com urgência. «Respondia o líder da equipa, igualmente, optimista na procura pela solução».

Reuniram-se e combinaram tudo. Promateus, Lalita, Kajibanga, Cyara, Isis, Rosa e Tu viajaram por toda a Grande Aldeia, cada qual seguiu um rumo distinto, à procura da fórmula que tinha sido concluída ao fim de muitos meses de trabalho e pesquisas dos cientistas de outra época.

Não havia muitos meses, desde que o líder tinha inventado um sistema de voo em que, bastando vestir um fato voador com asas ligadas ao um capacete conectado ao cérebro, tudo era comandado por meio da força da mente, do pensamento. Só não se podia dormir ou pensar – por muito tempo – noutra coisa que não no voo. Era a regra principal, pois o sistema de voo só funcionava com a energia que saía do cérebro, pela concentração e atenção do piloto. Naquele fato, todos sobrevoaram vários pontos da Aldeia. Foram aos museus e hospitais. Nada! Foram às universidades. Nem um sinal! Foram às bibliotecas. Nada! O tempo era cada vez mais veloz e o número de pessoas que não estavam infectadas era cada vez menor. Assistia-se a uma destruição total de tudo.

Entristecidos e já sem as mesmas esperanças, tendo regressado todos ao laboratório, sem fórmula nem solução, sentaram-se, cansados por uma luta vã e inglória.

Lá fora, as pessoas devoravam-se, estavam já selvagens, haviam perdido a razão. Já muitíssimo poucas estavam intactas ou imunes. Contudo, Lalita e Tu repararam, coincidentemente, num cartaz, que sempre aí esteve, que dizia «os pássaros só são livres, se puderem voar».

- Kajibanga, tu ainda vais a tempo…

Insinuava Lalita que o colega e amigo soltasse os quatro passarinhos, verde, azul, amarelo e vermelho, que sempre estiveram engaiolados no quintal da sua casa, para aproveitarem os últimos suspiros da curta vida que ainda lhes sobrava.

Embora fosse doloroso para si, Kajibanga, sem atraso, apressou-se até a casa e os amigos seguiram-no. E fê-lo! Soltou-os!

- Olha! Que beleza! Quatro cores diferentes. «Admirava-os Isis, ao olhar para cima, enquanto os quatro esvoaçavam sem muita mestria, formando um arco-íris sob um céu já bastante cinzento.

- E porque é que seleccionaste estas quatro cores, Kajibanga?

Antes que o próprio respondesse à pergunta de Cyara, Promateus, atento, adiantou-se:

- Porque o amarelo representa a luz que ilumina o pensamento e o futuro, é como o sol que brilha para todos. O azul significa força de vontade, confiança, seriedade e inteligência. O vermelho é a paixão acesa que nos guia como humanos. Já o verde representa esperança, que algo bom sempre haverá de vir. E talvez para eles seja este um dia verde.

Enquanto os pássaros, agora livres, não voando muito bem, iam-se embora, coreografavam movimentos os quais só Tu interpretaste.

- Olhem, olhem! Eles escreveram um A e um R! Outra letra, parece um M! Olhem, agora foi um O! «Entusiasmavas-te, por descobrires tal facto digno de um olhar atento».

Rapidamente, os sete vestiram os fatos e voaram, imediatamente, até a escola para interpretarem aquele sinal. Estando no laboratório, puseram-se a trabalhar cada qual na sua função. Promateus era quem mais entendia de Biologia e Química, embora os outros também fossem bons noutras disciplinas como Matemática ou Física.

- Talvez tenha encontrado já a resposta, pessoal! «Gritou, efusivo, Matthew».

                      Fórmula: R + M x O + A = ROMA

Em cinco minutos, o líder dos adolescentes apresentou a fórmula que, afinal, sempre esteve escondida numa prisão de passarinhos, numa gaiola. Há muitos anos, um dos cientistas da descoberta da antiga fórmula havia deixado um indício naquela inscrição na parede, que conduziria a que quaisquer pássaros soltos desenhassem aquelas letras nas nuvens, bastava que houvesse alguém que as soubesse interpretar na hora certa.

Era o momento de – quanto rápido, melhor – fazerem as composições entre as substâncias.

Um recipiente com água limpa. Na água, adicionaram a substância R de razão, pois era ela a responsável pela justiça e verdade entre os humanos. Agitaram a jarra vidrada e adicionaram O de oxitocina, que é uma hormona que estimula o amor no cérebro. Depois de bem agitada, dividiram em pequenas porções de M de moral, porque esta se ocupa dos deveres que os humanos têm em relação aos seus semelhantes, sempre pensando no bem para si e para os outros. E voltaram a misturar tudo com a substância A de atenção, pois esta última faz sempre com que todos dêem o seu melhor e revitalizem os elementos que mantêm as pessoas e os animais vivos.

Depois de pronto, feitas as experiências, toda a população infectada tomou esse soro multicolor e ficou totalmente curada. Já ninguém matava, havia mais paciência, tolerância e justiça. Uma vez por ano, as pessoas eram obrigadas a tomar o soro colorido, desde que nenhum pássaro estivesse engaiolado. Mesmo que os alienígenas voltassem, quem estivesse vacinado contra o vírus, nada podia temer nem voltar à selvajaria.

Foi a primeira de algumas vezes que os cientistas, sob a liderança de Promateus, salvaram a Grande Aldeia.

- E já agora, porque é que o baptizaste como o vírus do Oidó? «Indagava Rosa, uma das parceiras e amigas de Promateus».

Sorriu e sentenciou o cientista e génio:

- Se leres o resultado da fórmula de trás para frente, perceberás o porquê! «E a Grande Aldeia voltou a ter os seus dias alegres como sempre».

Autor: Hilton Fortuna Daniel, 2017
Hilton Fortuna Daniel
Enviado por Hilton Fortuna Daniel em 12/04/2020
Código do texto: T6914801
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Sobre o autor
Hilton Fortuna Daniel
Luanda - Luanda - Angola, 35 anos
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Hilton Fortuna Daniel