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O berço azul

Nos conhecemos na praça, rolou um olhar e logo em seguida um beijo, meio tímido, acanhado, nossos amigos diziam que tínhamos muito em comum.
 Iniciamos o namoro e em poucas semanas estávamos completamente apaixonados um pelo outro, onde me via, lá estava ele, éramos o casal chicletinho que dava até nojo de tão juntos que ficávamos.

Três anos de namoro e resolvemos nos juntar, ter o nosso espaço, trabalhamos, juntamos grana e alugamos nossa casa.

 Era lindo sentir que os nossos sonhos estavam se tornando realidade, escolhemos o sofá, a cama, o jogo de lençol, a frigideira, o abajur e a mesa, não tínhamos muita grana para comprar tudo, mas compramos o essencial.

Depois com o tempo, compraríamos o restante.

 Dois anos se passaram, montamos nossa casa ao nosso gosto, e saíamos quase nunca, gostávamos de fazer amor no chão da sala, sobre o tapete macio de fibra sintética de cor azul marinho, certo dia após a saída do trabalho ele me ligou me pedindo para que eu o esperasse na primeira pizzaria quemm fomos juntos, e pra lá eu fui.

 Ao sentar, o garçom me apresentou o cardápio e eu rapidamente disse que estava aguardando uma pessoa: - Quer beber algo enquanto aguarda?
Perguntou o simpático garçom.

- Suco de laranja por favor!

Peguei o meu celular e fiquei a olhar as redes sociais, uma música ao fundo me despertou a atenção, era a nossa música, a nossa música tocada ao som de dois violonista que lentamente se aproximavam, a luz da pizzaria baixou e rapidamente uma vela surgiu no centro da minha mesa, nesse momento o meu coração explodia, e envolvida pela música eu nem percebi que o amor da minha vida se aproximava, com um anel lindo ele se ajoelhou e me pediu em casamento, aceitei chorando muito, foi simples o seu pedido, porém, rico o seu cuidado e seu carinho, amei nunca vou esquecer esse momento.

Dois meses se passaram e eu resolvi retribuir a surpresa, acordei no horário normal e me despedi dele que sempre saí primeiro para o trabalho, não fui trabalhar aquele dia, tomei meu café e fui até um loja:- Aquele ali!
Pedi apontando para a mercadoria.
No mesmo dia liguei para um amigo e pedi para ele montar, reorganizei o quarto e pronto, ficou perfeito!
 Ao se aproximar do horário de sua chegada, liguei e perguntei onde ele estava, no ônibus ele me respondeu.

Aguardei ansiosa, imaginando sua expressão ao ver o que eu havia preparado, eu sorria sozinha só de imaginar a sua felicidade, mas a hora foi passando e ele não chegava, liguei e ele não atendia, ligava novamente e ele não atendia, comecei a ficar com raiva.

- Será que ele parou em algum lugar?
Não, ele nunca faz isso, é sempre do trabalho para casa!
Será que está com outra mulher?
Conheceu no ônibus e se apaixonou perdidamente por ela?
Ah, se for eu juro que corto fora!
Não, ele nunca faria isso comigo!
Deve ter acontecido alguma coisa, vou ligar novamente.

Antes mesmo que eu iniciasse a discar, o telefone tocou.

- Alô, a senhora é esposa do Bruno?

- Sim, sou eu sim!
Quem está falando?

- Senhora, meu nome é tenente Moura da polícia militar de São Paulo.

- Como assim?
Esse número é do meu marido!

- Sim senhora, eu não tenho boas notícias para a senhora.

- Moço, pelo amor de Deus, o que está acontecendo?

- Senhora, eu sinto muito, mas o marido da senhora veio a falecer.

Ao ouvir, o meu coração parou, minha mente esvaziou de tudo e meu corpo gelou dos pés a cabeça, um grito, acho que para respirar novamente foi o que eu pude fazer, o peso da notícia esmagava o meu peito e eu ouvia o celular com a voz do tenente Moura chamando por mim, agarrei trêmula no aparelho e tentava saber o havia acontecido, o policial militar disse que ele tentava ajudar uma mulher agredida pelo seu companheiro quando o mesmo desferiu duas facadas no peito.

- Onde foi isso?

Para a minha surpresa foi na esquina da nossa casa.
Pensei em ir, mas minhas pernas não obedeciam, e ao tentar me por de pé, cai sobre o berço azul, a surpresa que tanto queríamos, nosso primeiro filho, naquela noite eu não consegui largar o berço azul com desenhos de animais, naquela noite eu me senti a pessoa mais impotente do mundo, naquela noite eu perdi o primeiro amor da minha vida.
Adilio Roza
Enviado por Adilio Roza em 14/10/2019
Reeditado em 14/10/2019
Código do texto: T6769718
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Adilio Roza
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 34 anos
42 textos (256 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 12/11/19 03:45)
Adilio Roza