CASOS DA MINHA VIDA

'CASOS DA MINHA VIDA

UM CONTO VERÍDICO

Era sábado, véspera do Dia das Mães, eu e meu marido fomos ao mercado, comprar ingredientes para fazer uma feijoada no domingo, e assim comemorar com toda a família o Dia das Mães.

Terminada as compras, ele me convidou para tomarmos um café na pastelaria que havia dentro do mercado. Sentamo-nos em um balcão na parte de trás da pastelaria, pois era o lugar mais tranqüilo e adequado para se tomar um café.

No lugar onde me sentei, o balcão formava um ângulo de 45° graus, e ao meu lado, na outra direção do balcão (como se tivesse dobrado a esquina) estava sentado um rapaz, de uns vinte e poucos anos, com uma calça que deveria ter ganhado de alguém, pois na costura da lateral da perna, se percebia que a peça tinha sido aumentada na largura. Ele começou a olhar, hora para minha bolsa, hora para os meus pés, calça, sapato; enfim me secava com os olhos como se costuma dizer.

Fiquei com medo que ele estivesse querendo me roubar, e falei com meu marido que ficou bravo comigo. Nesse momento chegou o café que tínhamos pedido à balconista.

Percebi que o rapaz cobriu o rosto com as mãos, como se fosse difícil ficar olhando para o copo de café, e começou a tremer compulsivamente. Comentei então com meu marido, acho que ele esta com fome! Ele perguntou ao rapaz: Você quer um café? O rapaz sacudindo vigorosamente a cabeça disse que não, mas mesmo assim pedimos à moça um café para ele, não sem antes perguntar se queria pão ou bolo, ao que ele respondeu que poderia ser o pão. Quando a moça colocou o café à sua frente, ele começou a chorar muito, e eu percebendo isso, comecei a chorar também. Com as lágrimas lhe escorrendo pelo rosto, ele rapidamente devorou todo o café. Saindo dali, comentei com meu marido: Quanta gente existe nessa situação, e nós nem pensamos nisso. Chego a sentir vergonha por estar com a sacola cheia de carnes de vários tipos, enquanto um coitado como esse rapaz, não tem dinheiro nem para um cafezinho.

No almoço do dia seguinte, quando saboreávamos a feijoada, contando aos demais o acontecido, eu não me esquecia daquele pobre rapaz, que tinha tomado um café não muito doce, pois com certeza, as lágrimas que caiam do seus olhos para dentro do copo, tinham mudado um pouco o sabor, mas para ele, com a vontade com que tomou o café, pois com certeza à dias não sabia o que era por um pouco de café na boca, deveria estar delicioso.

É uma pena que a gente não tenha a possibilidade de ajudar todo mundo, mas se cada um fizesse um pouquinho, com certeza poderíamos melhorar a vida de muita gente.

Fato que aconteceu comigo e me marcou muito, pude perceber como dói a fome, e como deve sofrer aquele que não tem o que comer, principalmente quando esse alguém é uma criança. Vamos refletir sobre isso !!!

Ednira

M Ednira
Enviado por M Ednira em 04/11/2009
Reeditado em 04/11/2009
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